quinta-feira, 1 de novembro de 2007

COISAS DA VIDA (XVI)

Bússola moral
– Sofia Tello Gonçalves *
Num dia destes, estava a ler o meu correio electrónico quando me deparei com uma história que narrava mais ou menos o seguinte.
Um funcionário, chegando diariamente cedo ao seu local de trabalho, deixava sempre o seu carro nos lugares mais distantes do parque de estacionamento, longe da entrada, apesar de existirem inúmeros lugares vagos bem mais perto. Um dia, questionado por um colega sobre este seu procedimento, respondeu: como eu consigo chegar sempre cedo ao trabalho, tenho ainda tempo para percorrer a distância sem problemas, o mesmo não se passa com os colegas que já chegam atrasados, assim, deixo para eles os lugares mais perto.
Como algo aparentemente simples, pode revelar tanto sobre o carácter de alguém...
Uma acção deste tipo traz-me à lembrança, determinados comportamentos inversamente opostos. Existem algumas pessoas, seja porque motivos forem, se acham no direito de, logo pela manhã, embrenhadas nas suas vidas e conseguindo apenas ver a distância dos seus umbigos, iniciar processos destrutivos, insistindo em canalizar para os outros, as suas energias negativas.
Meu Deus! Como tudo fica insípido, quando nos cruzamos com esta espécie da raça humana.
Pessoas assim, ainda não assimilaram que o mundo não se resume somente a elas, e desconhecem ou aparentam desconhecer, considerando os comportamentos que adoptam, que existem certos valores que devem ser mantidos. A entreajuda é um deles, deverá ser semeada na infância, para mais tarde ter os seus frutos.
Será que todos temos uma bússola moral? Ou será que alguns perdem-na no caminho?
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública