sexta-feira, 30 de novembro de 2007

COISAS DA VIDA (XVIII)

Por estas e por outras
Sofia Tello Gonçalves *
Perdeu-se o hábito de se escreverem cartas. Não pretendo com isto dizer que o serviço postal tenha caído em desuso, antes pelo contrário, diariamente somos bombardeados com um manancial de papel que nos entope as caixas do correio.
Porém, apenas nos deparamos com resmas de papel contendo informação publicitária, acompanhadas por um sem fim de contas a pagar. A quantidade de papel que é depositada diariamente à porta de casa origina um acumular de lixo à entrada dos nossos prédios.
Igualmente neste contexto, constata-se, por vezes, a falta de civismo de alguns vizinhos. Como não querem levar para casa toda essa papelada, deixam-na no chão, à espera de sabe-se lá quem, para a apanhar. Por estas e por outras, existem pessoas que optam por não residir em propriedade horizontal.
Presentemente, a compra de um apartamento, em termos de vizinhos, é um envelope fechado! Não se sabe quem serão e como serão.
O acto de chegar a casa, o nosso último reduto, significa para muitos o retemperar baterias, e, quando menos se espera, é-nos imposta uma música/televisão em decibéis superiores ao aceitável, o barulho daqueles saltos altos que nunca param ou obras feitas em dias e horas de descanso. Tais situações levam-nos ao desespero. E aqui, falo por experiência própria, recordo bem o que fui obrigada a suportar, sem consentir.
É um facto que existem leis para nos protegerem de semelhantes situações, mas, uma vez mais, quem passa por elas constata que são de difícil aplicação.
Para bem da nossa vivência dentro de portas, é fulcral ter alguém a viver ao nosso lado que comungue dos nossos princípios.
Haja respeito! E não esqueçamos que vivemos em sociedade.
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública