terça-feira, 11 de novembro de 2008

COISAS DA VIDA (XII)

A vida são dois dias
- Sofia Tello Gonçalves *
Portugal é um país de ditados populares, e por trás desses ditados vem sempre uma realidade, uma constatação de algo, que chega até nós vinda de boca em boca, sabe-se lá desde quando…
Recordo aquele que refere que só damos valor às coisas quando as perdemos. É verdade! A vida vai passando por nós, e, invariavelmente temos sempre uma queixa, algo que não vai bem, situações a mudar…
Raramente nos damos por satisfeitos.
Eu creio que é sempre bom termos objectivos na vida, mas também julgo que a vida deve ser vivida no presente e não sempre a pensar no que não temos e que desejávamos ter, pois, a vida são dois dias! Por isso, é importante pararmos um pouco nos nossos ritmos desenfreados do dia-a-dia e analisarmos o que temos, e, acima de tudo, ter tempo de qualidade para usufruir aquilo com o que a vida já nos presenteou.
A nossa vida pode ser tão rica sem darmos conta, uma família que nos ama, vale tudo! Claro que lá diz o ditado: casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, mas, é importante compreender realmente qual a quantidade de pão que é efectivamente necessária na nossa casa. Estamos sempre a tempo de o fazer, porque mais vale tarde do que nunca.
Passamos anos à procura do supérfluo (e muitas vezes nem o reconhecemos enquanto tal) quando, mesmo ao nosso lado reside o fundamental, esquecendo frequentemente de que nem tudo o que reluz é ouro.
A vida tem um sentido, e infelizmente a grande maioria de nós nunca o compreende, a pessoa realmente cega é aquela que não quer ver.
Apesar de pensarmos sempre que as nossas vidas são eternas, elas perdem-se num minuto, e quando damos conta, se é que damos, o que é que realmente interessa?
Já dizia Antoine de Saint Exupery na sua célebre obra “O Principezinho” que o essencial é invisível para os olhos…
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública