segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

COISAS DA VIDA (II)

Igualdade entre os Sexos
- Sofia Tello Gonçalves *
Na crónica passada, através de uma sucinta resenha histórica, abordei as relações assimétricas de poder entre o homem e a mulher, porque história é contar aquilo que já fomos e já fizemos, condição fundamental para analisarmos o que somos e o que fazemos agora. História é vida já vivida.
E, quando falamos da violência contra as mulheres, temos sempre que falar na nossa história. Somente desde a década de oitenta, é que se assistiu ao crescente reconhecimento internacional sobre a importância da violência contra as mulheres. Hoje em dia, já existem recomendações, resoluções, declarações das Nações Unidas, Conselho da Europa, União Europeia; as Organizações Governamentais e as Organizações Não Governamentais já organizam Seminários e Conferências para debater este assunto, mas, nem sempre assim foi.
Durante longos anos, a violência contra as mulheres foi considerado um assunto menor, não necessitando de qualquer tipo de intervenção. Contudo, a realidade em que vivemos não permitia mais esconder a presença de mulheres feridas no seu corpo e alma.
A realidade actual do nosso país, apesar do que muitos de nós pensamos, mostra que também em Portugal as mulheres continuam a ser particularmente vulneráveis à pobreza, devido à falta de formação qualificada (baixos níveis de escolaridade e elevado grau de analfabetismo), precariedade do trabalho, auferirem salários mais baixos, exercerem um tipo de trabalho não remunerado (trabalho doméstico). Reconhece-se que a violência de que são alvo as mulheres demonstra que ainda existem desigualdades estruturais entre os géneros, que persistem ainda evidentes assimetrias quanto a oportunidades, direitos e deveres, que urge corrigir.
Estes dados foram recolhidos no II Plano Nacional para a Igualdade (2003-2006), sublinho, no II Plano, e ainda tanto há para fazer...
Porém, também se constata que o Estado Português já chama a si a intervenção nesta área, congratulo-me e orgulho-me por isso, e espero que quando se proceda à avaliação deste II Plano, as conclusões encontradas demonstrem que já estamos no curso da mudança; demonstrem que a mulher portuguesa – franja maioritária da nossa população – caminha no sentido da plena igualdade, porque somente assim, se caminhará no sentido de um verdadeiro desenvolvimento sustentado.
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública