quinta-feira, 5 de março de 2009

POETAS NISENSES

Hei-de…

Hei-de cansar-me ainda de cantar. Tristeza,
Hei-de enfardar-me apenas de cantar a Dor,
Hei-de fugir comigo e recitar de cor
Os versos que compus, despidos de beleza.

Hei-de ensaiar um voo além da Natureza,
Hei-de gritar bem alto a vã palavra Amor,
Hei-de escutar-me e rir-me do pobre cantor
Que em vão logrou sair do seio da mesquinheza.

Hei-de enfim, ficar preso na prisão sozinho,
Aqui, calado e quedo, no meu canto escuro,
À espera de quem venha ver se ainda duro…

E se não vier ninguém bater no meu ferrolho,
Deixar-me-ei restar só, sem pregar olho,
- Até que estranha Luz me lance no Caminho.
Carlos Franco Figueiredo in "Cítara Verde"