quinta-feira, 2 de setembro de 2010

NISA: Alinhavados e Olaria Pedrada são candidatos às “7 Maravilhas do Alentejo”

Os Alinhavados e a Olaria Pedrada foram escolhidos como elementos do património cultural do Concelho de Nisa a submeter à votação para as “7 Maravilhas do Alentejo”.
Esta iniciativa é promovida pelo Jornal “Margem Sul Online”, com o apoio dos Governos Civis dos quatro distritos da Região, decorre até 30 de Setembro.
As votações podem ser feitas através do site http://www.margemsul.com.pt/ de onde retirámos os textos sobre Alinhavados e Olaria Pedrada.
ALINHAVADOS
Também conhecidos por desfiados, ramos de pano (devido aos desenhos de ramos, muito comuns) ou caramelos (nomenclatura aplicada aos bordados antigos), os alinhavados de Nisa, são o ex-líbris da arte nisense de bordar.
Executado em pano de linho ou alinhado (composto de linho e algodão), ou mesmo em pano cru (no caso das bordadeiras mais pobres) este é um bordado branco, no qual são retirados os fios necessários da trama do pano (normalmente são retirados o dobro dos fios que se deixam), por forma a ficar em aberto o fundo do desenho, sendo os restantes fios guarnecidos a ponto de crivo. O traçado do desenho é todo limitado a ponto de cordão, ou seja, caseado, e o crivo é composto por feixes de fios muitíssimo bem enrolados (particularidade do crivo nisense), tornando-se o bordado muito robusto e resistente, daí advindo o famoso ditado popular acaba-se o pano, mas fica o bordado.
No caso dos bordados mais antigos, os tais caramelos, de tipo geometrizado ou de crivo olho de rola, não há tecido por desfiar, e as figuras são executadas através do preenchimento das quadrículas que formam o desenho com ponto de passagem.
Provavelmente, por, em tempos remotos, não haver acesso a papel químico para decalque na Vila ou nas redondezas, os motivos, ou desenhos, eram recortados em papel e alinhavados ao tecido, pregando-se com alfinetes a composição sobre uma almofada, donde se começava a tirar os fio e a bordar o crivo e os recortes.
Mas se antigamente os motivos eram muito variados, abrangendo figuras humanas, animais, cruzes de Cristo, formas geométricas, florões, flores e folhas, hoje em dia apenas se utilizam os motivos florais.
Aplicados em vários tipos de peças, os alinhavados ocupam normalmente todo o pano nos almofadões, centros de mesa e outros panos semelhantes, e aparecem principalmente nas extremidades das colchas, lençóis, fronhas, toalhas de mesa e de rosto, bases de copos, panos do pão e peças de roupa, grande parte das vezes associados às rendas de bilros.
OLARIA PEDRADA
A principal característica diferenciadora é sem dúvida alguma a técnica decorativa do empedrado, na qual se usam pequenos fragmentos de quartzo branco, que rasgam o barro em sulcos bem delineados, dando azo a belos motivos decorativos, cuidadosamente planeados e essencialmente ligados à flora e fauna regionais. É principalmente esta arte decorativa, tarefa tradicionalmente levada a cabo por hábeis e experientes mãos femininas que torna estas peças, simples na sua essência, verdadeiras obras de arte, revestidas de enorme beleza e valor artístico.
Para além do tradicional vasilhame, que antes os oleiros comercializavam nas várias localidades do concelho de Nisa e nas dos concelhos vizinhos de Portalegre, Abrantes, Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, Covilhã, etc. – especialmente nas estações ferroviárias da Linha da Beira Baixa – começou-se, a partir de então, a fabricar artefactos decorativos diversos, como pratos, travessas, miniaturas, cinzeiros, pequenas réplicas de animais, etc., ao mesmo tempo que as peças de morfologia mais tradicional se tornavam revestidas de uma decoração pedrada distinta, levada a cabo com pedra de menor calibre (chamada de 1ª e de 2ª) e em apenas uma linha ou ida, como dizem os populares.