sábado, 16 de julho de 2016

TOLOSA: No rasto da memória (1965)

As águas de Tolosa
É um regalo na vida,
Ao pé da água morar.
Quem tem sede vai beber,
Quem tem calma vai nadar.

Mas é desgosto na vila
Um depósito para enganar,
Não dar água p´ra beber
Nem tão pouco p´ra gastar.

E de Tolosa a boa gente
Diz co´uma profunda mágoa!!!
- O depósito é imponente!!!
- É pena não nos dar água!

E a de Gáfete ao passar
Diz escarninha, desdenhosa:
- O depósito é p´ra enfeitar?
Mesmo coisas à Tolosa!!!

- Gastaram um dinheirão,
Sem lhe tirar benefício!
- P´ra que o fizeram então?
Fazê-lo foi desperdício?

- Não foi - diz uma mulher
Que a água há-de vir no dia
De uma santinha qualquer,
Se não for, de Santa Maria.
In "Notícias da Minha Terra" - 15/1/1965