terça-feira, 2 de agosto de 2016

AMIEIRA DO TEJO: O estado do património (Maio 2007)

Sombras negras sobre o Calvário
Quem quiser comprovar o estado de abandono em que se encontra o Calvário, é subir lá acima e verificar com os seus próprios olhos. É impressionante como tudo se vai deteriorando tão rapidamente, como impressionante é deixar que isso aconteça a um monumento como aquele que, segundo se pensa como Calvário não tem paralelo no nosso país.
De facto, todo aquele granito foi invadido por musgos, de tal forma que não é difícil imaginar, o que será daqui a meia dúzia de anos, para não falar da cor das paredes, já quase preta.
Antigamente, o monumento tinha como enfeite, uma figueira, muito perto do telhado; hoje, existe no mesmo sítio um silvado que promete alastrar, se nada for feito para travar a sua marcha. Para cúmulo, existe um ninho de cegonha lá em cima, na cruz, que todos os anos vai subindo um "andar", ao mesmo tempo que vai borrifando a cantaria e despejando lixo para o telhado.
Por tudo isto é urgente pôr cobro a tal situação e, se por acaso, humanamente não for possível, poderá haver ainda o recurso às Jans, as novas vizinhas do Senhor dos Passos que se encontram sediadas na zona envolvente do Calvário, mas também aqui poderão surgir algumas dificuldades, uma vez que elas não poderão entrar no Calvário vestidas com os fatos de linho, que elas próprias fiavam e executavam. Resta saber se as Jans estão dispostos a vestir fatos, normais, o que segundo parece, será muito difícil.
Seja como for, o que importa é fazer "barulho" à volta deste assunto e, sobretudo, manter o monumento aberto, porque segundo o senhor Carlos Dias, actual cicerone em serviço, os visitantes continuam a afluir e a admirar o seu potencial artístico, referindo-se muito principalmente, ao altar em granito trabalhado.
E é assim caros amieirenses, quando se pensa que em Amieira, a nossa querida terra está a caminho de ter tudo, eis que surgem novos desafios, novas lutas, novos espinhos, mas, também não é menos verdade que em certos casos, o povo pode decidir, se quiser ver a sua terra no topo e com tudo de importante que os nossos antepassados cá deixaram.
Basta querer, basta lutar, basta ter fé!...
Infelizmente, no nosso país, a burocracia está cada vez mais implantada e, num monumento como o Calvário, cujos proprietários são meio igreja, meio Estado, é demasiadamente complicado falar em obras e, mesmo que algum dia aparecesse algum Mecenas, as dificuldades continuariam a ser um facto visto que, normalmente, o aval positivo demora sempre uma eternidade. Só espero é que no imenso mundo amieirense que busca prosperidade lá fora, haja alguém influente junto de quem decide nestes casos e possa querer ser útil à sua terra. Sei que é difícil, mas, podem crer que se estou a dizer isto é com conhecimento de causa e para o provar, dou-lhes como exemplo, as telas que estão no interior do monumento, que não estão já recuperadas porque ninguém pode tomar essa iniciativa, sem a devida autorização. Mas, quem dá essa autorização? Pensem no que tem desaparecido nesta terra de grandes tradições e pensem, sobretudo, naquela maravilhosa festa dos Passos, que todos lembram ainda com imensa saudade!
* Jorge Pires - in "Jornal de Nisa" - nº 192
Inaugurado Posto de Turismo
Em Amieira do Tejo foi inaugurado, no passado dia 15 de Agosto, o Posto de Turismo desta localidade, uma obra construída pela empresa Ecoedifica SA. A abertura ficou assinalada com a inauguração de uma exposição de pintura do artista naif nisense Augusto Pinheiro, cujo centenário de nascimento é este ano comemorado.
A nova infraestrutura muito poderá contribuir para a divulgação desta antiga vila do priorado do Crato, que chegou a ser sede de concelho e possui um variado e riquíssimo acervo patrimonial, desde o castelo, fundado por D. Álvaro Gonçalves Pereira, pai do Condestável D. Nuno, às igrejas Matriz e do Calvário, capela da Misericórdia e da Senhora da Sanguinheira, Casa do Balcão, casas senhoriais e outros locais de inegável interesse turístico.
in "Jornal de Nisa" - nº 189