terça-feira, 2 de agosto de 2016

AMIEIRA DO TEJO: Tragédia ainda não foi esquecida

Quando olho para os campos da minha terra, sinto e temo que a tragédia de 2003, possa voltar a encher de tristeza este povo cuja revolta ainda não passou totalmente sobre o que aconteceu no dia 2 de Agosto daquele malfadado ano.
É, de facto, difícil de entender como é que um país tão pequeno não consegue parar este autêntico inferno que são os fogos, quase todos de origem criminosa.
Está, pois, na hora de perguntar aos nossos governantes porque é eu ainda não foi alterada a Constituição, no sentido de se poder castigar exemplarmente os criminosos que são apanhados em flagrante. Todos nós sabemos que há “caça-grossa” por detrás de tudo isto e que não são só os “pobres de espírito”, como às vezes se pretende fazer crer, os únicos culpados. Por isso, há que investigar, há que colocar no terreno forças especializadas, só assim deixaremos de assistir ao terror do fogo que sem dó nem piedade, vai consumindo tudo o que levou uma ou mais vidas a construir, muitas vezes com sangue suor e lágrimas.
Diz-se por aí que a culpa também é dos proprietários dos terrenos que não limpam. Isso é um facto indesmentível. Mas, então, como era antigamente quando os campos como a nossa charneca estavam cheios de searas douradas, cuja ondulação nos encantava a vista? Então e as eiras com grandes medas de pão? O que acontece, na realidade, é que, naquele tempo, não havia interesses camuflados em jogo, nem havia tanta maldade, nem havia tanta inveja. O que havia muito, de facto, era mais respeito pela propriedade alheia e até por nós próprios.
Jorge Pires - in "Jornal de Nisa" - nº 213