sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AMIEIRA DO TEJO: 12 Anos depois houve “Passos Mágicos”

Há já alguns anos escrevi uma poesia dedicada ao Calvário. Essa poesia, até hoje, ainda não foi publicada, mas considero-a um dos meus melhores trabalhos, devido, precisamente, ao significado que encerra. Por hoje, vou apenas “repescar” uma quadra dessa poesia:
Hei-de guardar na memória aquela fachada linda
E pensarei que um dia os Passos voltarão
Hei-de pensar que a força do povo não morreu ainda
E que não é difícil manter a tradição!
Está aí a resposta do povo amieirense. Não vou falar aqui dos doze longos anos que passaram, porque entendo será melhor não mexer no passado, mas, sim, falar dessa fantástica magia que este acto transmite e que contagia toda a população amieirense. Haverá, no entanto, quem não compreenda o porquê de algumas alterações, entre as quais, tudo ser feito apenas num dia.
Caros amieirenses, o mais importante foi conseguido, não vamos agora querer tudo de uma vez, alegremo-nos, sim, pela retoma deste acto que, apesar de tudo, voltou a mobilizar muitos conterrâneos que movidos pela tal magia, não quiseram deixar de estar presentes.
É impressionante a maneira como os cristãos seguem esta cerimónia: tanta emoção, tanta fé, tantas lágrimas!
Tudo isto atinge o auge quando, na Praça Nuno Álvares, à sombra daquele majestoso monumento (há quase um ano encerrado, que vergonha!) se revive o encontro de Maria com o seu filho a caminho do doloroso Calvário.
Que cenário, aquele! Geograficamente, para este evento, Amieira é, realmente, uma terra privilegiada. Aquele castelo é como uma fortaleza onde Jesus Cristo foi condenado injustamente. E o Calvário? Lá em cima, no Monte, local onde Jesus foi crucificado pelos algozes, depois de torturado quase até à morte.
Depois do sermão, sempre esperado com alguma ansiedade, todos se alinham e a procissão segue o seu rumo pelas ruas sinuosas, algumas delas medievais, como a das Olarias, do Engenho, de Palhais. Esperemos que um dia, se possa sair da Praça já ao pôr do sol, pois, só assim e à luz dos archotes e das velas, se poderá observar das terras da Beira, o ziguezaguear dos fiéis como acontecia nos tempos em que os Passos de Amieira deram brado e eram considerados os mais bem conseguidos de todo o Distrito. Foi, de facto, lindo, recordar os tempos de meninos quando, em cada Passo, cantávamos os versos dedicados ao Senhor.

Nesse tempo, todos queríamos ser escolhidos para ganhar um pacotinho de amêndoas que, naqueles tempos serviam para enganar o estômago bastante debilitado.
Acho que era assim, naquela adoçar de boca, que nos era transmitida a tal magia que se ia mantendo pela nossa vida fora.
Não quero terminar sem dirigir a minha admiração e também o meu aplauso àqueles Irmãos do Senhor dos Passos que tudo fizeram para revitalizar este importante acontecimento, devolvendo assim à nossa terra, uma tradição de longos anos e que muitos já consideravam irremediavelmente perdida. Que o Senhor os ilumine e lhes dê muita saúde ao longo das suas vidas.
Jorge Pires - 2007

domingo, 16 de outubro de 2016

À FLOR DA PELE: Domingos Paixão - o Homem das Ervas Milagrosas

Completou em Julho, 95 anos, este homem de rosto largo e de mil vivências. Andou pela França e pela Espanha, aprendeu a ler, já homem feito, nas aulas regimentais, enquanto impedido do general Domingos de Oliveira, máxima figura militar no tempo de Salazar. Ao gosto pela leitura juntou um outro ligado às "coisas do campo": a descoberta das propriedades curativas das plantas e das argilas. A paixão pelas "ervas milagrosas" na versão do ti Domingos Semedo de Matos.
Nasceu em Montalvão, ainda o século vinte estava na puberdade, mas mostrava, já, as imagens dos conflitos armados, das doenças e da crise económica, mundial, que iria influenciar a vida de Domingos Semedo de Matos, nascido numa família de fracos recursos e obrigado a compartilhar com três irmãos a côdea de pão do sustento familiar.
Vida extrema, difícil, num lugar do interior, distante de tudo, até do essencial para se viver.
" Os meus pais trabalhavam no campo, eram jornaleiros. Vivia-se mal e logo aos sete anos fui guardar gado. Estive como pastor até aos 10 anos e aos 11 fui trabalhar para as grandes obras de construção da Barragem da Póvoa e Meadas, como servente. Havia lá muita rapaziada de Montalvão, da Póvoa e Meadas e de Castelo de Vide. Dormíamos lá e cada um cozinhava para si. O meu pai estava em França e juntou-se comigo a trabalhar na Barragem. Um ano depois resolveu ir para a ceifa em Espanha, na serra de Santiago e eu fui com ele ganhando menos mas fazendo o mesmo trabalho que os homens. Foi esta a minha escola. Quando terminou esta campanha, o meu pai resolveu ir novamente para França e eu acompanhei-o. Fomos a salto, éramos sete só de Montalvão, isto em 1929. Andámos muito tempo a pé e de comboio. Em Hendaya havia vários empreiteiros à espera de quem chegasse de Espanha ou de Portugal para trabalhar e nós fomos contratados para umas minas de perto de Marselha. Era um trabalho muito duro, mas compensava. As minas produziam um comboio de carvão, todos os dias, extraído à força do braço.
Legalizámo-nos ao fim de 22 meses e podíamos trabalhar em qualquer sítio de França. Foi assim que conheci um pouco daquele país, como Lyon, Paris, Bierzon. Regressámos a Montalvão ao fim de três anos. Aqui toda a gente se ocupava a trabalhar no campo e nós fizemos o mesmo em todos os serviços, a trabalhar de sol a sol.".
Chegava a idade da vida militar, dever a que Domingos Paixão não pôde eximir-se.
" Em 1936, com vinte anos, fui à inspecção militar com muito gosto, pois não sabia ler, tinha uma grande fortaleza e sempre ouvira dizer que se aprendia a ler na tropa. Era o que eu mais queria. Depois da instrução fiquei colocado na Companhia Tripomóvel Montada. O quartel dava impedimentos e eu tive a sorte de ficar como impedido do senhor governador militar de Lisboa, general Domingos de Oliveira. Tirei a 4ª classe, fiz uns exames maravilhosos e ao mesmo tempo tratava de quatro cavalos do senhor general que muito me considerava. Depois de três anos na tropa, já podia meter os papéis para qualquer serviço e assim entrei para a GNR em 1941, onde estive 27 anos. Desde Lisboa ao Alandroal, Crato, Nisa, Marvão, Gáfete e novamente Lisboa."
Casou aos 26 anos, tem quatro filhos, 11 netos e 7 bisnetos. A esposa morreu-lhe há 14 anos e reformado desde os 52, Domingos Paixão retornou a Montalvão, às terras da raia. É aqui, verdadeiramente, que começa a paixão pelas ervas com poderes medicinais.
"Eu herdei da minha mãe o gosto pelas plantas. A minha mãe com 83 anos ainda usava as ervas dos campos para uso dela e para dar às vizinhas. Há 80 anos atrás quem que tinha posses para ir à botica? Além dos tratamentos com plantas e as mézinhas caseiras serem muito mais eficazes. Era assim que tratavam as maleitas, qualquer doença naquele tempo. Eu sempre que vinha a Montalvão, ainda estava na GNR, o meu sentido era para as plantas. Comecei a tratar pessoas com 28 anos e não comecei mais cedo porque a vida não permitia. Comecei por massajar em qualquer parte do corpo, sem ter qualquer conhecimento de medicina e tenho tratado muita gente, todos aqueles que me procuram."
Não sabe explicar o "dom", sabe, isso sim que gosta de tratar as pessoas e que tem tratamento para quase todas as doenças, desde que o paciente saiba dar tempo ao tempo.
"Pelas portas por onde passei desenrasquei as pessoas que me pediram, fosse endireitar um dedo do pé, as costelas, o pescoço, as costas ou qualquer extensão fora do seu lugar. Vou todos os dias para o campo e conheço todas as plantas, mais de 300. Tenho um ficheiro escrito à mão, onde explico o nome das plantas, os fins para que servem, as doenças que combatem e como devem ser aplicadas. Conheço também as propriedades terapêuticas da argila, pois há 40 anos que trabalho com ela, um dos mais poderosos meios naturais de atacar as doenças e que pode ser aplicada em qualquer parte do corpo humano e até nos animais com fins curativos".
A sua casa no Bairro do Bernardino, na entrada de Montalvão, é um verdadeiro "museu das ciências naturais ". Há argila de todas as cores, uma variedade incontável de plantas, devidamente catalogadas com os nomes científicos e populares, com a descrição pormenorizada dos fins a que se destinam. Possui mais de 900 caixas com ervas, uma quantidade enorme de diversas argilas e este valioso espólio que representa muitos anos de trabalho dedicado é a sua grande preocupação. Agora, com mais de 95 anos, o ti Domingos gostaria que alguém se interessasse pela sua arte das plantas curativas, a divulgasse e que não se perdesse tão valioso acervo do nosso património cultural tradicional.
Deixa, por isso, um apelo, quer aos profissionais e comerciantes do ramo das plantas medicinais, quer às entidades autárquicas, no sentido de não deixarem que se perca um espólio que considera valioso, não só do ponto de vista económico, mas, sobretudo, carregado de afectividade.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 7/9/2011

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

POETAS DE MONTALVÃO - António José Belo: Memória que o tempo não apaga

Foi um homem multifacetado, o ti António José Belo. Natural de Montalvão, morreu em Nisa, ( " Nisa, terra alentejana / O teu povo é de louvar / Quem lá passa não se engana / Com desejos de voltar" ) com 90 anos, no dia 25 de Junho de 2002.
António José Belo, foi um homem de intervenção, dedicado a uma causa, a da cultura popular, em favor da sua terra, do seu "tchon", que ele cantou e divulgou de modo admirável, num tempo em que os apoios, aos mais diversos níveis, eram irrisórios, e em que a força do querer, a "carolice" e o amor ao chão pátrio, removiam montanhas, transformando os sonhos em realidade.
António José Belo, foi, inquestionavelmente, um homem de sonhos e de horizontes vastos, que não se confinavam ao seu "avião de carreira" ( desenho com o qual identificou as formas de Montalvão) .
Voava e viajava, vezes sem conta, em viagens quase permanentes, através da poesia ( as populares quadras e décimas), das figuras que esculpia num pedaço de madeira, a que dava formas bizarras ou de que aproveitava os contornos, mantendo a simbologia bruta e original, extraída da terra.
Artesão, músico, apresentador de espectáculos, construtor de cenários e de peças de teatro, animador cultural, etnógrafo, nada do que se relacionasse com o seu "Montalvão querido" lhe
passava à margem. O movimento associativo do Monte Alvão e das terras vizinhas muito lhe ficou devendo e a história cultural daquele rincão raiano foi, durante a maior parte do século passado, escrita pelo punho e pelas iniciativas que tinham a "marca" de António José Belo.
Este artista popular, escreveu um livro, terá plantado árvores sem conto, foi carvoeiro, alfaiate, alimentou durante muitos anos na sua terra, a chama da cultura. Promoveu, com reduzidos meios, mas com uma dinâmica extraordinária, formas de participação colectiva dos seus conterrâneos, fossem elas feitas através da música, do teatro, do rancho folclórico, dos saraus artísticos. Aliava, à sua propensão para as artes, uma jovialidade e frescura de espírito, que manteve até final da sua vida. Algumas das décimas, como as que a seguir, reproduzimos, revelam, essa fina particularidade do seu carácter, que tinham apenas, como finalidade, provocar o humor saudável e a boa disposição. As poesias brejeiras, as curiosidades e as histórias com sotaque regional, que deixou no seu livro, ajudam a compreender o homem e a época, e são um contributo inestimável quando se procurar concretizar a ideia de uma monografia de Montalvão.
Morreu o homem, o artista popular. Para que outros possam seguir o exemplo, fica o registo de uma vida e de uma memória que não se apaga.
O que eu fui
Fui poeta e romancista
Fui artesão, fui pintor
Alguns tempos fui fadista
Também fui trabalhador.

Levei a vida a cantar
Em festas e romarias,
Passava noites e dias
Às vezes sem descansar
São tempos para recordar
Enquanto um homem exista
Não há recinto nem pista
Que eu não dançasse o tango
Fui bailador de fandango
Fui poeta e romancista
Fui serrador de madeiras
Trabalho duro e pesado
Mas também cantava o fado
Em festas arraiais e feiras
Eu fazia brincadeiras
E obras de grande valor
Várias vezes fui autor
Fiz desenhos e pinturas
Fazia caricaturas
Fui artesão, fui pintor.

Quando era rapazola
São coisas para não esquecer
Eu aprendi a escrever
Sem nunca ter ido à Escola
Fui tocador de viola
Bandolim e guitarrista
Na qualidade de artista
Muitas coisas disse e fiz
Mas sempre me senti feliz
Nos tempos que fui fadista.

Enquanto Mundo for Mundo
E saibamos dividir
Dá para cantar e rir
O tempo chega para tudo
Fiz o trabalho mais rude
Fiz histórias, fui historiador
De folclore ensaiador
Para pazes, fiz uma ermida
Fiz tantas coisas na vida
Também fui trabalhador
Jornal de Nisa - 1ª série - Maio 2008

domingo, 5 de junho de 2016

BAILE DOS TREMOÇOS: Santana revive a tradição

Era sexta-feira, dia 13, véspera de casamento na aldeia do Arneiro (Santana-Nisa).
A coincidência do dia e da data, sempre associadas a “dias negros e de azar” para os mais supersticiosos, foi, pelo contrário, celebrada como um dia de festa e o reviver de tradições.
No Largo dos Pelómes, o principal da aldeia (este topónimo, noutros sítios pronuncia-se Pelames e terá a ver com as indústrias de curtumes, muito vulgares nas terras do interior), o povo juntou-se e recordou as despedidas de solteiro dos anos 50 e 60, quando o Baile do Tremoço trazia toda a população para a rua e fazia-a compartilhar da festa comunitária, promovida pelos pais dos noivos e que era a derradeira noite de solteiros dos jovens nubentes.
Tal como há 50 anos, houve música a rodos, não com o acordeonista ou o tocador de gaita de beiços como em tempos mais recuados, mas com um grupo de música popular, em cima de um palco improvisado, que tocou e cantou até fora de horas e a que se juntaram muitos artistas do povo, homens e mulheres, que recordaram, em uníssono, as modas de antigamente.





Para uma noite de festa tradicional, não faltaram os tremoços, o vinho e os bolos, distribuídos pelos pais dos noivos. E a dança, o “bálho” popular que inundou de alegria e contentamento todos os intervenientes nesta magnífica jornada de festa, convívio e espírito comunitário, ainda bem patente na freguesia de Santana e não apenas na utilização e partilha dos “fornos do povo”.
Para que o registo ficasse completo, nem sequer faltou a televisão e o Baile do Tremoço, no dia seguinte, através dos canais da SIC, percorreu o país e o mundo, fazendo lembrar que, apesar da crise e da perda de confiança, os portugueses ainda encontram motivos para sorrir, juntar-se e festejar, unidos por um ideal maior e que neste caso se chamou “reavivar da tradição”.
in "Jornal de Nisa" - nº 258- 25/06/08

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Alpalhão com quatro novos dadores de sangue



A terra do Presidente António Eustáquio foi palco de mais uma recolha da responsabilidade da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP. A sede do Grupo Ciclo Alpalhoense foi o local onde esteve montado o staff. Compareceram 32 pessoas, uma dezena das quais do sexo feminino.
Só dois dos presentes não puderam colaborar como desejavam, por razões de saúde.
Doaram sangue pela primeira vez quatro voluntários, três dos quais homens. E houve ainda duas adesões ao Registo Nacional de Dadores Voluntários de Células de Medula Óssea.
No Grupo Ciclo Alpalhoense ocorreu o almoço convívio, apoiado pela Junta de Freguesia de Alpalhão.
Motards de Portalegre a 12 de Setembro
As colheitas da ADBSP acontecem aos sábados, de manhã. A 12 de Setembro está agendada a recolha em parceria com o Grupo Motard Novo Milénio de Portalegre (nas instalações do kartódromo de Portalegre). A 26 de Setembro será a vez de mais uma brigada, desta feita no quartel dos Bombeiros de Sousel.
Colabore, compareça e faça-se acompanhar de um amigo!
JR

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Sinalização e marcação do Caminho de Santiago no concelho de Nisa

 O Sector de Atividades Desportivas e Lazer da Câmara Municipal de Nisa está a implementar o projeto de Sinalização e Marcação do Caminho de Santiago na sua passagem pelo concelho de Nisa.
O principal objetivo deste projeto é a correta orientação dos peregrinos que se dirigem a Santiago de Compostela, mas tem outros objetivos transversais, como a definição de etapas que contemplem a pernoita de peregrinos tanto em Alpalhão como em Nisa, contribuindo desta forma para a sustentabilidade do comércio local designadamente nas vertentes da restauração e da hotelaria. 
 Foram realizados trabalhos de prospeção, de reconhecimento e de limpeza em troços do Caminho e está em curso a sinalização e marcação do percurso. O projeto assume relevância, numa altura em que, tanto a sul como a norte do Tejo, os municípios que integram este itinerário se estão a mobilizar no sentido de procederem ao seu levantamento e sinalização.
 Nisa integra um dos itinerários portugueses mais antigos até Santiago de Compostela, designado por Caminho Português do Interior, também conhecido como Caminho Português do Leste. Têm o seu início em Tavira, no Algarve e entra na Galiza por Chaves, ligando-se ao Caminho Sanabrês (prolongamento da Via da Prata) e seguindo por este até Santiago. 
Existem diversas referências iconográficas, toponímicas a Santiago no concelho de Nisa. Na obra “Vias Portuguesas de Peregrinação a Santiago de Compostela na Idade Média” de Humberto Baquero Moreno, é referido um documento que se encontra na Torre do Tombo [ Chancelaria de D. Afonso V, livro 15, folha 45 v.], onde é relatado um episódio ocorrido em 1455, envolvendo um casal de peregrinos alemães que se dirigiam a Santiago da Galiza e que  apresentaram ao Juiz da Vila de Nisa, a queixa de terem sido assaltados por três vaqueiros no caminho entre Castelo de Vide e Nisa.
O Caminho Português do Interior entra no concelho de Nisa, junto às passadeiras da Ribeira de Sor, na confluência das freguesias de Vale do Peso (Crato) e de Alpalhão (Nisa), estende-se por cerca de 35 km até alcançar a ponte sobre o rio Tejo (Vila Velha de Ródão). Atravessa as freguesias de Alpalhão, Espirito Santo, Nossa Senhora da Graça, S. Simão e Santana e as localidades de Alpalhão, Nisa e Pé da Serra.
A sinalização deste itinerário contempla três fases distintas:–Sinalização e marcação com setas amarelas e a vieira de Santiago, que nalguns troços comporta também a colocação de postes de madeira e marcos em cimento (sinalética convencionada para a orientação dos peregrinos);– Colocação de sinalética complementar: placas direcionais urbanas, leitores de paisagem ou painéis indicativos;– Formalização de proposta à Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, no sentido de homologar este itinerário como um percurso de Grande Rota.
Fonte: CMNisa

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Nisa recebe um filho ilustre: QUINTINO AIRES

Psicólogo vem debater "Problemas da juventude na actualidade"
No próximo dia 28 de Fevereiro (segunda feira) o psicólogo Dr. Quintino Aires participa em debates sobre os problemas da juventude na actualidade, promovidos pela Escola EB2,3 de Nisa.
Na Escola EB2,3 de Nisa decorreu uma acção de formação intitulada “Eu e os Outros”, realizada em colaboração com o Instituto da Toxicodependência (IDT) e dirigidas aos directores de turma. Na sequência desta acção, os alunos da turma do 12º ano trabalharam a “História 4” que remete para os vários problemas / vícios que caracterizam os jovens actualmente. Ocorreram reflexões e debates, desenvolveram-se trabalhos e surgiu a ideia de convidar o Dr. Quintino Aires para participar na abordagem dos temas em foco. É neste âmbito que se concretizam, na próxima segunda feiras dois debates com a participação daquele psicólogo: - o primeiro debate ocorrerá na Biblioteca da Escola EB2,3 de Nisa, com início às 8H30; - o segundo debate ocorrerá às 10H30 no Cine Teatro de Nisa e será aberto à participação de toda a comunidade.
Um ilustre filho de Nisa
Joaquim Maria Quintino Aires nasceu em Nisa, a 6 de Agosto de 1967. Psicólogo Clínico, exerce nas áreas da Psicoterapia e Neuropsicologia. Licenciou-se e obteve o grau de mestre em Psicologia na Universidade de Lisboa, prepara uma tese de doutoramento em Psicolinguística na Universidade Nova de Lisboa e completa a sua formação de psicólogo com estudos de Neurociências, Antropologia e Linguística. Desde 1991 leccionou em várias universidades portuguesas, sendo actualmente docente na Universidade Autónoma de Lisboa. Em 1996 fundou o primeiro instituto para a profissionalização de psicólogos clínicos. Colabora com várias universidades estrangeiras e ensina psicoterapia em Lisboa, São Paulo e Madrid. Desde 1998 colabora regularmente em programas de televisão, nomeadamente Fátima Lopes (SIC), Especial Informação (TVI), Elas em Marte (SICMulher), Você na TV (TVI), 6teen (SICMulher), Prova de Amor (RTP) e Contacto (SIC). Considera as viagens que faz, não apenas como um tempo lúdico, mas também uma oportunidade de aprendizagem sobre o comportamento humano.
(Esta súmula curricular é das Edições ASA e está um pouco desactualizada dado que, em 2007, Quintino Aires obteve o Doutoramento em Psicololinguística na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova)
É desta Universidade que obtivemos os dados seguintes:
(1985 - 1990) Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Licenciatura em Psicologia (Psicologia Clínica), com classificação final de Bom (14 Valores). (1993 - 1998) Universidade de Lisboa, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Mestrado em Psicologia (Psicologia Cognitiva). Título da dissertação: "Diferenças laterais no tratamento da informação visual”, com orientação do Professor Doutor Carlos de Brito Mendes, e classificação final de Bom com distinção. 2007 – Doutoramento em Psicolinguistica, FCSH/UNL
Quintino Aires, Professor Emérito da Universidade Estatal de Moscovo
O Prof. Doutor Quintino Aires recebeu o título de Professor Emérito da Universidade Estatal de Moscovo. A cerimónia teve lugar na sala do conselho científico da Faculdade de Psicologia no dia 28 de Abril de 2009. O Ofício e as insignias foram entregues pelo Professor Yuri Zinchenko.
É este nosso conterrâneo (a mãe é natural de Nisa e o pai, já falecido, natural de Gáfete) que nos visita. Bastante conhecido de diversos programas televisivos, o Prof. Dr. Quintino Aires tem um extenso e notável currículo, várias obras publicadas e uma actividade profissional bastante preenchida.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

NISA: 75º Aniversário do Sport Nisa e Benfica

UM CLUBE EM FESTA
O Sport Nisa e Benfica está a comemorar 75 anos de existência. O programa das comemorações teve início no dia 26 de Setembro com a realização de um passeio a cavalo e prosseguiu neste fim-de-semana (1 e 2 de Outubro) com um conjunto de iniciativas destinadas a evocar a vida da mais popular colectividade desportiva do concelho de Nisa. As rivalidades com o Sporting
A história do Sport Nisa e Benfica remonta ao longínquo ano de 1935, quando um grupo de jovens, no auge das rivalidades locais com a filial nisense do Sporting, tomou a iniciativa de “romper” com as estruturas existentes e de criar uma nova colectividade.
A fundação do clube, com o nome inicial de Sport Lisboa e Nisa, data de 1 de Outubro de 1935, dando corpo ao sonho dos nisenses Isaac Araújo Baptista, José da Piedade Pires, Esteves da Anunciada Cebola e António Maria Carolo.
Em 13 de Janeiro de 1936, é eleita a primeira direcção, dela fazendo parte: o médico António Granja, José da Piedade Pires, Vicente Fernandes Nogueira, Eduardo Dinis Filipe, Esteves da Anunciada Cebola, José da Graça Sena, José Carita Serralha, João da Cruz Charrinho, Virgílio Pinheiro, João da Cruz Charrinho e António Semedo da Piedade.
A primeira sede instalou-se numa casa alugada na Rua da Fonte; anos mais tarde e também por arrendamento, transferiu-se para instalações muito mais amplas, na Estrada de Alpalhão (rua 25 de Abril), onde tinham lugar, em datas certas, grandes bailes populares, iniciativas destinadas a obter de receitas para o clube e principal razão de angariação de sócios.
Em 1946 e por força da determinação do Sport Lisboa e Benfica, o clube passou a designar-se com o nome que tem hoje, Sport Nisa e Benfica, tornando-se na 39ª filial do clube lisboeta.
Os jogos da bola e os bailes no “Galocha”
No início eram os jogos de futebol com o rival Sporting, sem qualquer espírito de competição oficial. Os bailes populares, já referidos, constituíam as mais importantes manifestações colectivas num tempo em que na vila (e no país) as colectividades espelhavam a divisão inter-classista existente e por isso os bailes no Benfica eram conhecidos como os bailes do “Galocha”, para vincar o seu carácter profundamente popular e rural (dos trabalhadores do campo) em compita com outras agremiações como a Sociedade Artística (dos "artistas" e que incluía todos os artesãos, a excepção dos trabalhadores rurais) ou o Clube Nisense, “poiso” de uma burguesia local e regional, que não admitia “misturas”.
Com este quadro, fácil é perceber que o Nisa e Benfica fosse a associação com maior número de sócios e também de actividades, e profundamente enraizada entre a população.
O atletismo praticou-se durante alguns anos, bem como o ciclismo, uma modalidade muito popular durante os anos cinquenta e sessenta do século passado.
É no início da década de 60 que o Sport Nisa e Benfica participa pela primeira vez em provas oficiais de futebol. Aos “distritais” de seniores, seguiram-se os juniores, os principiantes, e todas as demais categorias do futebol jovem, não só a nível distrital, mas também nacional, em seniores (3.ª Divisão) e juniores (campeonato nacional) numa caminhada que não mais parou e que todos os anos se renova, tanto a nível de novos atletas, como nas provas e objectivos com que se participa. Entre estes e num concelho que sofre os problemas da interioridade e da desertificação, assume relevo a ocupação salutar das crianças e dos jovens, a educação no espírito e respeito pelo “fair play”, valores alternativos aos mundos subterrâneos da droga e do vício e que, geralmente, constituem becos sem saída. A par do futebol, o Sport Nisa Benfica manteve em actividade, secções de Cicloturismo, andebol e futsal, funcionando como secções autónomas e sem encargos para o clube. No futsal, conquistou o primeiro campeonato distrital organizado pela AFP tendo sido, aliás, um dos precursores desta modalidade, hoje tão popular no distrito. Outro tanto se passa com a equipa de futebol de veteranos (Velhas Guardas) que percorrem país, com total autonomia e auto financiando-se.
Além destas actividades e num espírito recreativo, o Sport Nisa e Benfica organiza regularmente torneios de pesca desportiva ou de futebol de salão e outros visando quer a obtenção de fundos, quer, acima de tudo, a dinamização desportiva e o convívio entre associados. Valorização do património
O Sport Nisa e Benfica dispõe de sede própria na Rua 25 de Abril, e de Campo de Jogos, com o nome de D. Maria Gabriela Vieira, a benemérita nisenses que doou ao clube, sem qualquer contrapartida, uma extensa propriedade, na qual está implantado o campo de futebol (105x65 m) balneários e anexos de ampla dimensão.
A reconstrução do imóvel na Rua 25 de Abril propriedade do clube e onde este se instalou há mais de 50 anos é hoje uma realidade, passando a dispor de melhores condições para os sócios e para a população que utiliza o salão para a realização de diversas festas de convívio ou familiares. A valorização do património é objectivo que não tem sido esquecido pelos diversos elencos directivos que têm gerido o clube.
Em 5 de Outubro de 1998 foi inaugurada pelo então Secretário de Estado do Desporto, Miranda Calha, a primeira fase da bancada (lateral).
No Verão de 2000 foi dado início à construção da bancada central no Campo de Jogos, incluindo a mesma uma cabine para a comunicação social. Estes melhoramentos que transformaram de modo significativo o conjunto de estruturas e equipamentos do Nisa e Benfica que, entretanto, passou a ser a 9ª filial do SLB, foram conseguidos por força de uma enorme dedicação e determinação.
Falta, porém, num clube com um brilhante historial de 75 anos de existência e que tantos atletas deu ao futebol distrital e nacional, aquela que seria a prenda maior: a implantação de um campo relvado ou sintético, a exemplo do que existe em todos os concelhos dos distrito.
Nisa, por ser um dos pioneiros e mais destacados, a nível do futebol, bem merece esta infra-estrutura.
Um rico historial
1975/76 – Campeão Distrital de Futebol (seniores)
1976/77 – Participação no Campeonato Nacional da 3ª Divisão
1977/78 – Campeão Distrital de Futebol (seniores)
1978/79 – Participação no Campeonato Nacional da 3ª Divisão
1979/80 – Campeão Distrital de Futebol (seniores)
1980/81 – Participação no Campeonato Nacional da 3ª Divisão
1981/82 – Campeão Distrital de Futebol (seniores)
1982/85 – Participação no Campeonato Nacional da 3ª Divisão
1986/87 - Campeão Distrital de Futebol (seniores)
1987/88 – Participação no Campeonato Nacional da 3ª Divisão
1998/99 - Campeão Distrital de Futebol (seniores) – 2ª Divisão
1998/99 – Vencedor da Taça AFP (seniores)
1999/00 - Campeão Distrital de Futsal (seniores)
2000/01 – Participação no Campeonato Nacional de Futsal (3ª Divisão)
2002/03 – Campeão Distrital Infantis
2003/04 – Vencedor da Taça AFP (Infantis)
2003/04/05/06 – Vencedor da Taça AFP Iniciados
2004/2005 – Vencedor da Taça AFP Juvenis
2008 – Ricardo Mateus em representação do Sport Nisa e Benfica é campeão nacional de corta-mato (juniores).
Comemoração dos 75 Anos do Sport Nisa e Benfica
PROGRAMA
Sexta-Feira, dia 1 – Cine Teatro de Nisa
18h – Missa em Memória de todos os sócios falecidos
22h – Espectáculo com a banda da Soceidade Musical Nisense
23h – Actuação de fadistas do concelho de Nisa
Sábado – Dia 2 Out. – Cine Teatro de Nisa
* 10 h Inauguração da Exposição dos 75 anos do Sport Nisa e Benfica
* 11h – Sessão solene com entrega de lembranças
* 13 h – Almoço convívio (garagens da CM Nisa) com a presença de 2 glórias do Sport Lisboa e Benfica
* 18,30h – Porco no espeto na sede do SNB para todos os sócios.
Actuação do grupo de música popular “Domingos & Dias Santos”
Mário Mendes in "Fonte Nova" - 2 Out. 2010

domingo, 11 de julho de 2010

NISA: Assembleia Municipal contra portagens na A23

Na sessão da Assemleia Municipal de Nisa realizada no passado dia 28 de Junho, foram apresentadas duas moções de contestação à introdução de portagens na A23.
A primeira moção teve como proponente José Manuel Basso (independente, PS) enquanto a outra foi apresentada por Marco Moura, em representação da CDU, sendo ambas aprovadas por unanimidade, e que deram origem a um texto único, divulgado pela presidente deste órgão deliberativo municipal.
" Recentemente, contrariando a filosofia original de promover a acessibilidade ao interior e, assim, facilitar o seu desenvolvimento, tem estado no centro do debate político nacional a instalação de pagamento na utilização de auto-estradas SCUT.
A vingarem as perspectivas mais radicais, também será abrangida por esta medida a A23, auto-estrada que constitui o percurso natural de deslocação de Nisa para Lisboa e todo o Litoral Centro e Norte do País.
Tendo em conta que os indicadores de desenvolvimento socioeconómico da região são inferiores á media nacional, e entendermos ser da mais elementar justiça a coesão territorial, sendo que esta só é real se por parte do estado, for mantida uma descriminação positiva, de forma a contrariar o êxodo das populações para o litoral.
As populações do Concelho de Nisa, Distrito de Portalegre, Beira Baixa e Médio Tejo, irão sofrer um grave atentado ao seu desenvolvimento regional, pois não tenhamos a menor dúvida que a A23 foi, e é, uma via estruturante que contribui para aproximar as populações e para, através de uma evidente melhoria da mobilidade rodoviária, se fixem novas empresas em diversas localidades da região.
Decorrendo do exposto, a Assembleia Municipal de Nisa reunida em Sessão Ordinária no passado dia 28 de Junho de 2010, manifestou por unanimidade e entendeu fazer chegar com carácter de urgência ao governo e outros órgãos de soberania, toda a sua discordância com a decisão do governo em colocar portagens na A23, entendendo que a mesma deverá ser suspensa, manifestando também toda a solidariedade para com as autarquias e movimentos de cidadãos que têm vindo a contestar esta já previsível decisão do Governo."
João José Esteves Santana - Presidente da Assembleia Municipal de Nisa
28 de Junho de 2010

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

IN MEMORIAN: José Vilela Mendes

Depoimento ao “Jornal de Nisa” em 17/10/01 a propósito dos 70 anos do Cine Teatro Nisense
Figura incontornável dos cinéfilos nisenses, José Vilela Mendes esteve durante muitos anos à frente da exploração do Cine Teatro de Nisa.
A empresa António Mendes (como era funcionário público, o pai “emprestava” o nome à firma) surgiu depois da Castello Lopes.
José Vilela, recorda: “ Na altura, se não houvesse alguém que assegurasse a exploração do Cine Teatro, o cinema estava condenado a morrer, em Nisa.
Aceitou o desafio, mais pelo gosto do cinema do que propriamente pelo lucro, pois “os filmes davam pouco e às vezes (muitas) prejuízos”.
José Vilela perdeu o conto aos filmes que exibiu. Lembra, sim, com saudade, as grandes superproduções, como “Os Dez Mandamentos”, “Ben-Hur” ou “A Queda do Império Romano”, que eram “sempre casa cheia e com dupla exibição”.
As maiores assistências, lembra, “era pelas feiras. As feiras em Nisa duravam dois dias, não havia transportes como hoje e os feirantes vinham na véspera, muitos, até antes.
De modo que à noite e durante dois dias havia sempre cinema. Pelas feiras eram os filmes de cowboys, policiais e de aventuras, os preferidos”. Filmes de espadachim e de “bicos de picareta”, como se conta, a propósito, em Nisa.
Nos finais dos anos 60, com a “febre” dos musicais e dos filmes românticos, José Vilela, diz que “não tinha filmes (mãos) a medir. Os do Gianni Morandi eram sucesso garantido e por isso vinha à percentagem. Eram o meu “abono de família”. O “Não Sou Digno de Ti” veio a Nisa algumas oito vezes e a casa sempre cheia, com bilhetes esgotados. Era uma loucura. Agora, apesar da excelente sala que temos as pessoas vão menos ao cinema. É pena porque têm cá vindo excelentes filmes”.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 22/10/09

domingo, 28 de junho de 2009

SANTANA: O que era o “Baile do(s) Tremoço(s)”


O reavivar de tradições em Santana
De um estudo que espera a oportunidade para ser publicado na forma de “Contributos para uma Monografia de Santana” retirámos as “explicações” sobre o Baile dos Tremoços, como ali é referido.“Na véspera do casamento, à noite, há um baile chamado “o baile dos tremoços” onde toda a gente pode dançar; à noiva não se vê o rosto, neste baile, por o tapar com o lenço que traz na cabeça, puxando-o demasiado para a frente, por andar triste, visto deixar dentro em pouco, o lar que a vira nascer e a convivência de seus pais e irmãos.Quando o baile está em meio, os pais da noiva ofere­cem, a quem está no baile, bolos e tremoços distribuídos pelo pa­drinho e familiares da noiva; seguidamente, os pais do noivo oferecem vinho distribuído pelo padrinho e familiares do noivo.É neste baile que as raparigas cantam umas quadras dedicadas à noiva, no momento que ela dança com o noivo, que são:
I
Eu tenho na minha horta
Salsa, coentros e goivos;
A primeira cantiga
Que se vai cantar aos noivos.
II
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santo António
Amanhã te vai assentar
No livro do matrimónio.
III
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santa Rita,
Deus queira que te juntes
Numa hora bem bonita.
IV
Amanhã vais à igreja
Linda rosa encarnada,
Deus te dê alegres dias
E largos anos de casada.
V
Amanhã vais à igreja
Raminho de erva cidreira,
Vais dar a despedida
Desse trajo de solteira.
VI
Viva o noivo mais e noiva
Que amanhã se vão casar,
Vivam também os padrinhos
Que os vão a acompanhar.
VII
Amanhã vais à igreja
Meu baguinho de romã,
Deus te dê boa sorte
Boa noite até amanhã.
in "Jornal de Nisa" - nº 258 - 25/06/08

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ARNEIRO: Baile do Tremoço



O reavivar das tradições em Santana
Era sexta-feira, dia 13, véspera de casamento na aldeia do Arneiro (Santana-Nisa).
A coincidência do dia e da data, sempre associadas a “dias negros e de azar” para os mais supersticiosos, foi, pelo contrário, celebrada como um dia de festa e o reviver de tradições.
No Largo dos Pelómes, o principal da aldeia (este topónimo, noutros sítios pronuncia-se Pelames e terá a ver com as indústrias de curtumes, muito vulgares nas terras do interior), o povo juntou-se e recordou as despedidas de solteiro dos anos 50 e 60, quando o Baile do Tremoço trazia toda a população para a rua e fazia-a compartilhar da festa comunitária, promovida pelos pais dos noivos e que era a derradeira noite de solteiros dos jovens nubentes.
Tal como há 50 anos, houve música a rodos, não com o acordeonista ou o tocador de gaita de beiços como em tempos mais recuados, mas com um grupo de música popular, em cima de um palco improvisado, que tocou e cantou até fora de horas e a que se juntaram muitos artistas do povo, homens e mulheres, que recordaram, em uníssono, as modas de antigamente.
Para uma noite de festa tradicional, não faltaram os tremoços, o vinho e os bolos, distribuídos pelos pais dos noivos. E a dança, o “bálho” popular que inundou de alegria e contentamento todos os intervenientes nesta magnífica jornada de festa, convívio e espírito comunitário, ainda bem patente na freguesia de Santana e não apenas na utilização e partilha dos “fornos do povo”.
Para que o registo ficasse completo, nem sequer faltou a televisão e o Baile do Tremoço, no dia seguinte, através dos canais da SIC, percorreu o país e o mundo, fazendo lembrar que, apesar da crise e da perda de confiança, os portugueses ainda encontram motivos para sorrir, juntar-se e festejar, unidos por um ideal maior e que neste caso se chamou “reavivar da tradição”.
in "Jornal de Nisa" - nº 258- 25/06/08

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

MEMÓRIA DO JORNAL - Bodas de ouro de um casal cativante

O casal nisense Carlos Semedo Cativo e Maria José São Pedro, celebraram no passado dia 14 de Setembro, as suas Bodas de Ouro matrimoniais. São 50 anos de vida em comum, abençoada com o nascimento de duas filhas, que, por sua vez, fizeram crescer a família Cativo, dando ao casal quatro netos. Em 14 de Setembro de 1957 na Igreja Matriz de Nisa, Maria José e Carlos celebraram o seu casamento. Agora, 50 anos depois, juntaram a família e numa festa simples, celebraram esta união que dura há meio século e vai certamente perdurar pela vida fora. Ao casal Maria José e Carlos Cativo, os votos de parabéns do Jornal de Nisa.
Blog do "Jornal de Nisa" - 24.9.07

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

MANUEL ALEGRE E CRUZ MALPIQUE

O exemplo de PRELÚDIO - Gazeta dos Alunos do Liceu Alexandre Herculano (Porto)
Manuel da Cruz Malpique, nasceu em Nisa em 1902 e faleceu no Porto em 1992, com 90 anos.
Enquanto professor teve alunos que se viriam a destacar, a nível nacional e internacional, no campo das artes, das letras e da política, como são os casos de José Augusto Seabra (já falecido), Manuel Alegre e José Pacheco Pereira. Na prosa que segue e recordando o intelectual nisense, damos a conhecer alguns aspectos do seu trabalho no Liceu Alexandre Herculano, no Porto e, talvez, o primeiro poema publicado de Manuel Alegre, dedicado a... Cruz Malpique
.
"Esta publicação do Liceu Alexandre Herculano, feitinha pelos alunos de então, é uma preciosidade. Eu, que sou um jovem, portanto insuspeito, posso bem dizer que antigamente havia coisas que já não há. Era bem diferente o ensino. Claro que houve a democratização e o país melhorou muito no acesso à educação, sem dúvida. Mas lá que agora já não se fazem coisas como o PRELÚDIO, lá isso não. Faltam professores como o Dr. Cruz Malpique, faltam exigência, rigor, seriedade. Será que não podemos ter isto com a democratização? Será que não podemos ter rigor e bons professores? Podia ir mais longe, mas fico-me por aqui. Ah, e convém dizer que não estou a dizer que todas as escolas são assim, claro que há muitas e honrosas excepções -- lá se ia o meu futuro político. Julgo mesmo que foi neste número 1 do PRELÚDIO que o Manuel Alegre terá publicado pela primeira vez, a avaliar pela idade que teria na altura. O seu poema "AS ROSAS DA MOCIDADE" virá já a seguir, e muitos ensinamentos... Até mais.Boa tarde.*AEF
AS ROSAS DA MOCIDADE
(Coronemus nos rosis ante quam marcessant)
Ao Exmo. Sr. Dr. Cruz Malpique
Ó rosas em flor da doce Mocidade,
Hoje vicejais, amanhã murchais!
Ai botões de rosa da santa idade,
Em que se vive ainda ao sabor dos pais!.
********
Gozemos,amigos, o feliz instante,
Destas rosas belas, a desabrochar!
Num dia futuro, não muito distante,
Vereis as florzinhas, tristes, a murchar...
*********
Cantemos, cantemos, ao nosso esplendor!
Em taças de oiro, o furto da vida
Bebamos. A nossa alma pede amor,
Deixemo-la andar amando... perdida...
********
Andemos, que ela esvoaça depressa!
Ai rosas bonitas, que breves sois!
Chorarmos agora, ai, livrai-nos dessa,
Ó rosas viçosas que murchais depois!
*********
Amigos, amigos, segui adeante,
Eu paro, que fico... que fico a chorar!
Gozai, que esta hora passa num instante,
É como uma noite de suave luar!
********
Vereis, depois, vir noites, noites infindas,
Que não passam nunca, que aborrecem sempre!
Olhai para estas rápidas e lindas,
Estas são assim, olhai... não duram sempre!
*********
Ai rosas benditas, breves, talvez...
Ai rosas bonitas, que lindas que sois!
Vós brilhais um dia, mas uma só vez,
Vós brilhais um dia e murchais depois!.
M. Alegre Duarte (5.º ano)
Terá este sido o primeiro poema publicado por Manuel Alegre?*AEF
A produção poética desta fase adolescente ficou reunida num livro, Sensações Românticas, publicado ao 18 anos, que o poeta jamais incluiu na sua obra, e prefaciado pelo seu antigo professor no liceu Alexandre Herculano, do Porto, Cruz Malpique, que nos diz que Manuel Alegre "sendo um rapaz intelectualmente precoce, dotado de fina sensibilidade, que o separava, um tanto, dos seus camaradas nunca foi, porventura, devidamente apreciado pelos seus professores, sobretudo pelos de Letras. Pela minha parte, quero ser mais profeta que os meus colegas: Atrevo-me a supor que o Alegre Duarte virá a ser gente no mundo da poesia e... ilhas adjacentes. Ele que não se incomode com a circunstância de outros dos seus professores não terem feito profecia igual àquela que estou fazendo".
Sabemos que toda a previsão é difícil, mas o certo é que o livrinho rejeitado pelo poeta contém indícios que não fazem de Cruz Malpique um adivinho, principalmente se tivermos em conta algum do jogo metafórico e o ritmo de alguns poetas ou de algumas das estrofes contidas em Sensações Românticas que nos deixa também, ainda que de forma ingénua, uma formulação do terrível oxímoro que percorre a obra de Manuel Alegre – o o de que a [sua] poesia, escrita por "um homem sentado/à mesa da solidão", sendo tudo, é nada.
FICHA TÉCNICA PRELÚDIO
Ano I, Porto, 31 de Janeiro de 1953, N.º 1, Mensal, Preço 1$00
Gazeta dos Alunos do Liceu de Alexandre Herculano (ao abrigo do Art. 445 do Dec. 36.508) CENTRO ESCOLAR N.º 6 -- ALA DO DOURO LITORAL
Prof. Orientador: Dr. Cruz Malpique - Composto e impresso na: Esc. Tip. da Oficina de S. José, telefone 21 866 - Rua Alexandre Herculano, 123 PORTO
Redactores: José Miguel Leal da Silva, Manuel Carvalho e Cunha, Rui Abrunhosa.
In http://jornaldenisa.blogspot.com - 25.9.07

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Bodas de Ouro matrimoniais

DE UM CASAL CATIVANTE
O casal nisense Carlos Semedo Cativo e Maria José São Pedro, celebraram no passado dia 14 de Setembro, as suas Bodas de Ouro matrimoniais.
São 50 anos de vida em comum, abençoada com o nascimento de duas filhas, que, por sua vez, fizeram crescer a família Cativo, dando ao casal quatro netos.
Em 14 de Setembro de 1957 na Igreja Matriz de Nisa, Maria José e Carlos celebraram o seu casamento. Agora, 50 anos depois, juntaram a família e numa festa simples, celebraram esta união que dura há meio século e vai certamente perdurar pela vida fora.
Ao casal Maria José e Carlos Cativo, os votos de parabéns do Jornal de Nisa.