sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

NISA: Corrida de S. Silvestre - 23 Dezembro à noite





AMIEIRA DO TEJO: Evocou o percurso do Senhor dos Passos

Foram momentos de verdadeira fé e devoção, os vividos pelas populações de Nisa, Amieira do Tejo e Alpalhão, na evocação do percurso do Senhor dos Passos até ao Calvário.
Em Amieira do Tejo, uma antiga vila que sempre venerou estas celebrações, as cerimónias tiveram uma aceitação e participação por parte do muito povo, natural e residente e ainda das centenas de amieirenses radicados na Grande Lisboa e noutras localidades do país, que vieram até à sua terra natal, contribuindo para que a procissão decorresse de forma elevada e digna, exaltando os princípios da religiosidade cristã.
O facto de estas celebrações não se realizarem desde há 12 anos, fez vibrar ainda mais o coração dos amieirenses e os elementos da Irmandade dos Santos Passos que se empenharam e uniram para tornarem realidade a Festa dos Passos.
Uma festa que começou logo pela manhã com a chegada da Banda União Artística de Castelo de Vide e o inicio do peditório em Vila Flor e Amieira.
A procissão começou às 14,30h, a partir da Capela do Calvário até à Igreja Matriz, onde foi celebrada missa, após a qual, foi retomada a procissão percorrendo as principais ruas da Vila até à Capela do Calvário.
50 Anos do Tratado de Roma


Há 50 anos (1957) através do Tratado de Roma, tinha início o processo de construção da unidade europeia. A data foi assinalada em toda a Europa e uma das iniciativas programadas consistiu na realização de concertos musicais, através dos quais e a uma hora programada, as bandas filarmónicas de diversos países europeus tocariam o Hino da Alegria, adoptado como o Hino da Europa.
Em Nisa, pelas 16 horas e no espaço defronte ao Cine Teatro, a banda da Sociedade Musical Nisense, recordava, pelo meio da música, a importância da unidade europeia e da fraternidade entre os povos.
Outro tanto fez a Banda União Artística de Castelo de Vide, em Amieira do Tejo, onde abrilhantou as solenidades da procissão dos Passos, cerimónias que há 12 anos não se realizavam.Muita gente em Amieira, a associar-se ao reeditar desta solenidade religiosa com grandes tradições nesta localidade e em todo o Alto Alentejo. Após o término da procissão e junto à Capela do Calvário, a Banda União Artística tocou o Hino da Alegria, evocando os 50 anos do Tratado de Roma e do início da construção europeia, sendo a sua actuação, premiada por calorosa salva de palmas, por parte das pessoas presentes.
in "Jornal de Nisa" - nº 228 - 2007

De Arez a Nisa: Passeio pelos Caminhos de Peregrinação


AMIEIRA DO TEJO: 12 Anos depois houve “Passos Mágicos”

Há já alguns anos escrevi uma poesia dedicada ao Calvário. Essa poesia, até hoje, ainda não foi publicada, mas considero-a um dos meus melhores trabalhos, devido, precisamente, ao significado que encerra. Por hoje, vou apenas “repescar” uma quadra dessa poesia:
Hei-de guardar na memória aquela fachada linda
E pensarei que um dia os Passos voltarão
Hei-de pensar que a força do povo não morreu ainda
E que não é difícil manter a tradição!
Está aí a resposta do povo amieirense. Não vou falar aqui dos doze longos anos que passaram, porque entendo será melhor não mexer no passado, mas, sim, falar dessa fantástica magia que este acto transmite e que contagia toda a população amieirense. Haverá, no entanto, quem não compreenda o porquê de algumas alterações, entre as quais, tudo ser feito apenas num dia.
Caros amieirenses, o mais importante foi conseguido, não vamos agora querer tudo de uma vez, alegremo-nos, sim, pela retoma deste acto que, apesar de tudo, voltou a mobilizar muitos conterrâneos que movidos pela tal magia, não quiseram deixar de estar presentes.
É impressionante a maneira como os cristãos seguem esta cerimónia: tanta emoção, tanta fé, tantas lágrimas!
Tudo isto atinge o auge quando, na Praça Nuno Álvares, à sombra daquele majestoso monumento (há quase um ano encerrado, que vergonha!) se revive o encontro de Maria com o seu filho a caminho do doloroso Calvário.
Que cenário, aquele! Geograficamente, para este evento, Amieira é, realmente, uma terra privilegiada. Aquele castelo é como uma fortaleza onde Jesus Cristo foi condenado injustamente. E o Calvário? Lá em cima, no Monte, local onde Jesus foi crucificado pelos algozes, depois de torturado quase até à morte.
Depois do sermão, sempre esperado com alguma ansiedade, todos se alinham e a procissão segue o seu rumo pelas ruas sinuosas, algumas delas medievais, como a das Olarias, do Engenho, de Palhais. Esperemos que um dia, se possa sair da Praça já ao pôr do sol, pois, só assim e à luz dos archotes e das velas, se poderá observar das terras da Beira, o ziguezaguear dos fiéis como acontecia nos tempos em que os Passos de Amieira deram brado e eram considerados os mais bem conseguidos de todo o Distrito. Foi, de facto, lindo, recordar os tempos de meninos quando, em cada Passo, cantávamos os versos dedicados ao Senhor.

Nesse tempo, todos queríamos ser escolhidos para ganhar um pacotinho de amêndoas que, naqueles tempos serviam para enganar o estômago bastante debilitado.
Acho que era assim, naquela adoçar de boca, que nos era transmitida a tal magia que se ia mantendo pela nossa vida fora.
Não quero terminar sem dirigir a minha admiração e também o meu aplauso àqueles Irmãos do Senhor dos Passos que tudo fizeram para revitalizar este importante acontecimento, devolvendo assim à nossa terra, uma tradição de longos anos e que muitos já consideravam irremediavelmente perdida. Que o Senhor os ilumine e lhes dê muita saúde ao longo das suas vidas.
Jorge Pires - 2007

terça-feira, 8 de novembro de 2016

S. SIMÃO: CONTOS DA ALDEIA (1)

O Sacristão Isaías e o Padre Bonifácio
Ninguém por estas redondezas, tinha um coração maior que o mestre alfaiate. Sempre teve a casa cheia de gente, tagarelando, falando das dificuldades da vida, enquanto ele ia talhando um fato, dando uns pontos num casaco ou ajeitando as bainhas de umas calças de surrobeco ou pondo umas brasas no ferro de engomar. Aprendizes da arte de alfaiate tinha-os em diversos escalões etários, onde cada um ia desenvolvendo e demonstrando as suas aptidões, tendo como principal objectivo, a fuga à picareta e à enxada.
Toda a gente gostava dele e ele gostava de toda a gente. Nunca se zangava, fosse com quem fosse, mesmo quando algum freguês já sem paciência, por não lhe ter fato pronto, o tratava mal, vendo jeitos de ter que ir a ser padrinho com o fato velho.
Como o já lendário e velhote sacristão, foi chamado à presença divina, sem ninguém esperar, o senhor padre Bonifácio ficou sem saber, a quem havia de recorrer para o ajudar nas coisas do céu, pois a maioria do seus paroquianos, mourejavam de sol a sol, no campo, lavrando, semeando, ceifando e debulhando, durante uma semana inteira, folgando apenas aos domingos, pela tardinha.
A única pessoa, depois de muito pensar, que ele encontrou, foi o mestre alfaiate.
Logo que teve oportunidade, entrou-lhe pela porta dentro, depois de uma saudação muito amistosa, disse-lhe ao que o ali o levava.
- Mestre alfaiate, como sabe faleceu há poucos dias, o senhor Pires, amigo e antigo sacristão. -Venho convidá-lo para exercer essa função, pois acho que o senhor é a pessoa indicada e das únicas que está quase sempre disponível, trabalha por conta própria, tem um bom feitio e todo o povo acha que é a pessoa indicada, para o desempenho desta função.
- Oh, senhor prior, peço-lhe desculpa, mas não posso aceitar, não tenho jeito para essas coisas e sinto até algumas dificuldades em acompanhar um funeral.
-Vai ver que, é como todas as coisas, uma questão de hábito. E, além disso, a função do sacristão, não é só ir à frente num funeral com a cruz.
- Além das missas e funerais, temos baptizados e casamentos, onde como sabe, somos sempre convidados de honra, para a mesa grave.
-Pois é, mas eu nem sequer sei rezar um padre-nosso ou uma Ave - Maria.
-Isso ensino-lhe eu, em dois tempos, retorquiu o padre serenamente.
Mestre alfaiate, com estas razões, apresentadas pelo senhor prior ficou indeciso, sem saber para que lado havia de tombar.
Como gostava de beber uns copinhos, e o senhor prior também, talvez não fosse má ideia aceitar e tinha a impressão que se iam dar muito bem.
Quando o senhor prior o visitou pela segunda vez e lhe começou a conversa, ainda arranjou alguns argumentos, mas de fraca convicção, acabando por aceitar.
Sempre foi um sacristão desajeitado, não tinha mesmo vocação para tal função. Enganava-se nos procedimentos, as palavras não lhe saíam com a devida fluência, mas tudo lhe era desculpado devido ao seu bom feitio.
Em Dezembro e Janeiro, em todos os lares da aldeia, era um ritual antigo, proceder-se à matança do porco e à cura dos enchidos respectivos.
Chouriços, linguiças morcelas, paio, farinheiras, mouras, cacholeiras,enfiados em varas compridas no fumeiro, por cima do lume de chão, todos se abanavam quando o calor e o fumo lhes chegavam por perto. Era uma boa altura para fazer uma visita, aos paroquianos mais abastados, quer na fé quer no fumeiro, beber uns copinhos, sem ser de caixão à cova e ainda levar qualquer coisa pró caminho. Era Janeiro, já bem tratados e aviados, em casa da senhora Maria dos Santos, esta enquanto se foi despedindo, escolheu do melhor que tinha no fumeiro, cortou a baraça a duas peças de cada qualidade, meteu-as numa típica bolsa de pano e disse ao senhor prior:
- Faça-me um favor senhor padre Bonifácio, leva esta oferta para a festa do Mártir Santo, em Nisa, que é brevemente.
- Como queira D. Maria, agradeceu e retirou-se, com a “malvada” cheia e os “cágados” quentes.
Durante a semana foram saboreando as iguarias, com um tinto da adega, nunca mais se lembraram da festa do Mártir Santo, mas quando o material ia quase de resto, o sacristão lembrou-lhe: -Senhor prior e o Mártir Santo? Eu tenho a certeza que ele não é apreciador de carne de porco, é preciso é que D. Maria não se vá lá confessar.
Na oficina de mestre alfaiate, reunia-se toda a população, em especial nos dias de chuva, quando não era permitido o trabalho do campo. Conversas sobre as coisas mais simples, que se passavam na aldeia, onde qualquer acontecimento servia de tema e de discussão.
-Isto é que vai aí um tempo, chuva e mais chuva, anda meio Pé da Serra constipado, afirmou o “ti” Artur, homem que mourejava, desde que o Sol nascia, até se por, sendo a chuva o único elemento, que lhe proporcionava estar de costas direitas.
Fosse Domingo ou dia Santo, nunca pôs as botas numa taberna.
-Não bebem, afirmou o mestre alfaiate, se bebessem…
E verdade se diga, nem mestre alfaiate, nem o senhor prior, nunca nas suas vidas se constiparam.
- Essa é boa! Disse o Baptista. Olha, o “barbeta”, chega-lhe bem e ainda ontem cá veio o doutor Carlos Gonçalves a vê-lo. Há dois dias que está de cama.
- Mestre alfaiate, tirou o dedal, deixou ficar a agulha a marcar a manga do casaco, olhou os presentes e afirmou categoricamente! -Isso foi ele que ficou algum dia sem beber.
Risada geral, com alguns comentários de caçoada.

José Hilário - 

ARNEIRO (Nisa): Passeio "Tejo - O Rio que nos Une"


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ALPALHÃO: Cinema aos Sábados no Centro Cultural


MEMÓRIA: O Senhor Simplício

Um dos últimos Contrabandistas de Montalvão
No dia 1 de Novembro de 2009, Dia de Todos os Santos, faleceu, no Hospital de Cascais, o veterano montalvanense, senhor Simplício António Belo, com 98 anos de vida.
Consigo parte uma memória viva dos tempos difíceis que se viveram no século XX, neste Alentejo pobre e isolado, à mercê dos grandes senhores da terra que impunham as suas regras na base do medo. Partiu este homem bom, com que gostei de partilhar algumas conversas desses tempos difíceis que foram os do contrabando em Montalvão.
Em jeito de brincadeira tinha-lhe prometido passar para um gravador digital todas as suas imensas memórias, mas por falta de tempo (meu) nunca tal aconteceu, e assim hoje partiu a última memória viva deste Montalvão, esquecido e apagado pelo tempo.
Para conseguir aquilo que a terra teimava em não dar, tal como tantos outros jovens da época, aproveitou o vigor de outros tempos para carregar fardos de 40 e 50 quilos pela calada da noite, palmilhando trilhos de perigo entre Portugal e Espanha. Perdeu a conta às vezes que levou tabaco para "Casalinho" (Espanha) ou trouxe bacalhau para Portugal. Chegou a passar de tudo, desde burros a sabão, enfrentando guardas-fiscais e "carabineiros", passava as noites num autêntico "leva e traz".
Estes homens e mulheres que a vida vai levando lentamente, não podem partir sem deixar na nossa memória colectiva o seu testemunho sempre presente de como foram as suas vivências noutros tempos. E sinto que fico em "divida" perante este homem, por não ter feito o trabalho de recolha que se imponha para memória futura.
Devo dizer que também já se impunha uma estátua dedicada a este conjunto de montalvanenses que dedicaram uma vida (ou parte dela) ao contrabando, afim de perpetuar as vivências difíceis porque passaram os nossos antepassados.
E assim desta forma deixo a minha homenagem e este e outros Simplícios, pelo exemplo de coragem e de luta pela vida.
José Leandro Lopes Semedo - 5/11/2009

NISA: Leituras e Memórias - Biblioteca ao Encontro das IPSS


NISA: Caminhada "De Nisa ao Tejo pelas Portas de Ródão"


NISA: Evocação e celebração do Santo André


NISA: Magusto popular na Praça da República


domingo, 16 de outubro de 2016

À FLOR DA PELE: Domingos Paixão - o Homem das Ervas Milagrosas

Completou em Julho, 95 anos, este homem de rosto largo e de mil vivências. Andou pela França e pela Espanha, aprendeu a ler, já homem feito, nas aulas regimentais, enquanto impedido do general Domingos de Oliveira, máxima figura militar no tempo de Salazar. Ao gosto pela leitura juntou um outro ligado às "coisas do campo": a descoberta das propriedades curativas das plantas e das argilas. A paixão pelas "ervas milagrosas" na versão do ti Domingos Semedo de Matos.
Nasceu em Montalvão, ainda o século vinte estava na puberdade, mas mostrava, já, as imagens dos conflitos armados, das doenças e da crise económica, mundial, que iria influenciar a vida de Domingos Semedo de Matos, nascido numa família de fracos recursos e obrigado a compartilhar com três irmãos a côdea de pão do sustento familiar.
Vida extrema, difícil, num lugar do interior, distante de tudo, até do essencial para se viver.
" Os meus pais trabalhavam no campo, eram jornaleiros. Vivia-se mal e logo aos sete anos fui guardar gado. Estive como pastor até aos 10 anos e aos 11 fui trabalhar para as grandes obras de construção da Barragem da Póvoa e Meadas, como servente. Havia lá muita rapaziada de Montalvão, da Póvoa e Meadas e de Castelo de Vide. Dormíamos lá e cada um cozinhava para si. O meu pai estava em França e juntou-se comigo a trabalhar na Barragem. Um ano depois resolveu ir para a ceifa em Espanha, na serra de Santiago e eu fui com ele ganhando menos mas fazendo o mesmo trabalho que os homens. Foi esta a minha escola. Quando terminou esta campanha, o meu pai resolveu ir novamente para França e eu acompanhei-o. Fomos a salto, éramos sete só de Montalvão, isto em 1929. Andámos muito tempo a pé e de comboio. Em Hendaya havia vários empreiteiros à espera de quem chegasse de Espanha ou de Portugal para trabalhar e nós fomos contratados para umas minas de perto de Marselha. Era um trabalho muito duro, mas compensava. As minas produziam um comboio de carvão, todos os dias, extraído à força do braço.
Legalizámo-nos ao fim de 22 meses e podíamos trabalhar em qualquer sítio de França. Foi assim que conheci um pouco daquele país, como Lyon, Paris, Bierzon. Regressámos a Montalvão ao fim de três anos. Aqui toda a gente se ocupava a trabalhar no campo e nós fizemos o mesmo em todos os serviços, a trabalhar de sol a sol.".
Chegava a idade da vida militar, dever a que Domingos Paixão não pôde eximir-se.
" Em 1936, com vinte anos, fui à inspecção militar com muito gosto, pois não sabia ler, tinha uma grande fortaleza e sempre ouvira dizer que se aprendia a ler na tropa. Era o que eu mais queria. Depois da instrução fiquei colocado na Companhia Tripomóvel Montada. O quartel dava impedimentos e eu tive a sorte de ficar como impedido do senhor governador militar de Lisboa, general Domingos de Oliveira. Tirei a 4ª classe, fiz uns exames maravilhosos e ao mesmo tempo tratava de quatro cavalos do senhor general que muito me considerava. Depois de três anos na tropa, já podia meter os papéis para qualquer serviço e assim entrei para a GNR em 1941, onde estive 27 anos. Desde Lisboa ao Alandroal, Crato, Nisa, Marvão, Gáfete e novamente Lisboa."
Casou aos 26 anos, tem quatro filhos, 11 netos e 7 bisnetos. A esposa morreu-lhe há 14 anos e reformado desde os 52, Domingos Paixão retornou a Montalvão, às terras da raia. É aqui, verdadeiramente, que começa a paixão pelas ervas com poderes medicinais.
"Eu herdei da minha mãe o gosto pelas plantas. A minha mãe com 83 anos ainda usava as ervas dos campos para uso dela e para dar às vizinhas. Há 80 anos atrás quem que tinha posses para ir à botica? Além dos tratamentos com plantas e as mézinhas caseiras serem muito mais eficazes. Era assim que tratavam as maleitas, qualquer doença naquele tempo. Eu sempre que vinha a Montalvão, ainda estava na GNR, o meu sentido era para as plantas. Comecei a tratar pessoas com 28 anos e não comecei mais cedo porque a vida não permitia. Comecei por massajar em qualquer parte do corpo, sem ter qualquer conhecimento de medicina e tenho tratado muita gente, todos aqueles que me procuram."
Não sabe explicar o "dom", sabe, isso sim que gosta de tratar as pessoas e que tem tratamento para quase todas as doenças, desde que o paciente saiba dar tempo ao tempo.
"Pelas portas por onde passei desenrasquei as pessoas que me pediram, fosse endireitar um dedo do pé, as costelas, o pescoço, as costas ou qualquer extensão fora do seu lugar. Vou todos os dias para o campo e conheço todas as plantas, mais de 300. Tenho um ficheiro escrito à mão, onde explico o nome das plantas, os fins para que servem, as doenças que combatem e como devem ser aplicadas. Conheço também as propriedades terapêuticas da argila, pois há 40 anos que trabalho com ela, um dos mais poderosos meios naturais de atacar as doenças e que pode ser aplicada em qualquer parte do corpo humano e até nos animais com fins curativos".
A sua casa no Bairro do Bernardino, na entrada de Montalvão, é um verdadeiro "museu das ciências naturais ". Há argila de todas as cores, uma variedade incontável de plantas, devidamente catalogadas com os nomes científicos e populares, com a descrição pormenorizada dos fins a que se destinam. Possui mais de 900 caixas com ervas, uma quantidade enorme de diversas argilas e este valioso espólio que representa muitos anos de trabalho dedicado é a sua grande preocupação. Agora, com mais de 95 anos, o ti Domingos gostaria que alguém se interessasse pela sua arte das plantas curativas, a divulgasse e que não se perdesse tão valioso acervo do nosso património cultural tradicional.
Deixa, por isso, um apelo, quer aos profissionais e comerciantes do ramo das plantas medicinais, quer às entidades autárquicas, no sentido de não deixarem que se perca um espólio que considera valioso, não só do ponto de vista económico, mas, sobretudo, carregado de afectividade.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 7/9/2011

Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza assinala-se em Nisa


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Lenda de Amieira do Tejo em crónica de Vanessa Fidalgo

" Na Amieira do Tejo, pitoresca aldeia do distrito de Portalegre, são famosas as tropelias das bruxas e das mouras encantadas, mas também se conta uma curiosa história sobre uma procissão dos terceiros. Uns conseguiam vê-la, outros ouviam-na apenas e outros tantos nunca tinham visto nem ouvido nada e, portanto, eram os que mais se fartavam de falar sobre o assunto. Contavam para quem os quisesse ouvir que a certas horas da noite, pela Quaresma, quem se chegasse à janela e tentasse avistar o horizonte para os lados da calçada de São Pedro, corria o sério risco de ver uma tenebrosa procissão, encabeçada por sombras diáfanas ou até mesmo caveiras encapuzadas. Naqueles súbitos momentos de encontro, as almas penadas desciam do cemitério em fila indiana em direção à vila, espiar os pecados do mundo dos vivos. Pois numa dessas estranhas noites, uma mulher que morava na rua do Arrabalde levantou- -se mais cedo para pôr o pão a cozer e, sem querer, foi à janela ver se o sol já lá vinha. Não o encontrou, mas deu de caras com a procissão das almas... Não se espantou! Como era muito despachada até aproveitou para resolver o problema que a apoquentava naquele momento: não tinha lume para acender a lareira e por isso não hesitou em pedi-lo a um dos mortos-vivos que carregavam as tochas.
O defunto encarou-a, espantado com o desaforo. Suspirou num bafo podre e gelado, mas não se opôs. Entregou-lhe uma vela acesa, pedindo-lhe apenas que a devolvesse no dia seguinte à mesma hora. Mas ela, em vez de bater com a porta e dedicar-se à massa, deixou-se estar no parapeito a roer as unhas e a ver as almas passar silenciosamente na sua penitência errante. Mal amanheceu, correu para o mercado e contou a quem a quis ouvir a maneira como tinha fintado o medo e até conversado com os fantasmas que rondaram a porta. Na noite a seguir, porém, não perdeu pela demora. Quando foi à cantareira buscar a vela para cumprir a prometida entrega até ia desmaiando de susto! No lugar da vela estava a mão pálida e fria do diabo, que a agarrou antes de ter tempo para fugir ou fazer qualquer outra coisa em legítima defesa! Quem lhe falou depois foi o morto. Disse-lhe que deixasse de ser coscuvilheira e que nunca mais se levantasse a meio da madrugada para ver quem passava na rua a desoras, porque quem está está. E quem vai vai!
Vanessa Fidalgo - Correio da Manhã - |02.10.16

NISA E BENFICA: Jogos de Futebol em Outubro


Montalvão revive as suas Tradições Taurinas




ALPALHÃO: Programação Cultural de Outubro

A Junta de Freguesia de Alpalhão divulgou o Programa Cultural das actividades que irá desenvolver durante o mês de Outubro, organizadas pela autarquia e colectividades da freguesia.
O programa dá realce à Comemoração do 5 de Outubro (Implantação da República), informa sobre a realização do Mercado Mensal no dia 6 e de mais uma iniciativa que apela à participação dos cidadãos: o V Voluntariado Ambiental, a ter lugar no sábado, dia 8, e no qual todos os alpalhoenses podem participar, ajudando na limpeza e preservação ambiental.
Em data ainda a definir, a Junta promove a 1ª Caminhada pelos Caminhos de Santiago, iniciativa que terá programa próprio. A 21 realiza-se a 10ª  Reunião ordinária do executivo de Freguesia e no dia seguinte, 22 Outubro, a sede do Grupo Ciclo Alpalhoense anima-se com uma sessão de Fados à Capela, aberta a todos os amantes da canção popular.
Entre 23 de Outubro e 19 de Novembro decorre o Concurso e posterior Exposição de Fotografias tendo como tema "O Brilho das Rugas". A Junta de Freguesia irá editar programa elucidativo desta iniciativa cuja exposição decorrerá no Centro Cultural de Alpalhão.
Também a 23 de Outubro, tem lugar a realização do Passeio da Junta de Freguesia que levará os fregueses de Alpalhão em visita ao Alqueva e à cidade de Évora.