sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

NISA: Corrida de S. Silvestre - 23 Dezembro à noite





AMIEIRA DO TEJO: Evocou o percurso do Senhor dos Passos

Foram momentos de verdadeira fé e devoção, os vividos pelas populações de Nisa, Amieira do Tejo e Alpalhão, na evocação do percurso do Senhor dos Passos até ao Calvário.
Em Amieira do Tejo, uma antiga vila que sempre venerou estas celebrações, as cerimónias tiveram uma aceitação e participação por parte do muito povo, natural e residente e ainda das centenas de amieirenses radicados na Grande Lisboa e noutras localidades do país, que vieram até à sua terra natal, contribuindo para que a procissão decorresse de forma elevada e digna, exaltando os princípios da religiosidade cristã.
O facto de estas celebrações não se realizarem desde há 12 anos, fez vibrar ainda mais o coração dos amieirenses e os elementos da Irmandade dos Santos Passos que se empenharam e uniram para tornarem realidade a Festa dos Passos.
Uma festa que começou logo pela manhã com a chegada da Banda União Artística de Castelo de Vide e o inicio do peditório em Vila Flor e Amieira.
A procissão começou às 14,30h, a partir da Capela do Calvário até à Igreja Matriz, onde foi celebrada missa, após a qual, foi retomada a procissão percorrendo as principais ruas da Vila até à Capela do Calvário.
50 Anos do Tratado de Roma


Há 50 anos (1957) através do Tratado de Roma, tinha início o processo de construção da unidade europeia. A data foi assinalada em toda a Europa e uma das iniciativas programadas consistiu na realização de concertos musicais, através dos quais e a uma hora programada, as bandas filarmónicas de diversos países europeus tocariam o Hino da Alegria, adoptado como o Hino da Europa.
Em Nisa, pelas 16 horas e no espaço defronte ao Cine Teatro, a banda da Sociedade Musical Nisense, recordava, pelo meio da música, a importância da unidade europeia e da fraternidade entre os povos.
Outro tanto fez a Banda União Artística de Castelo de Vide, em Amieira do Tejo, onde abrilhantou as solenidades da procissão dos Passos, cerimónias que há 12 anos não se realizavam.Muita gente em Amieira, a associar-se ao reeditar desta solenidade religiosa com grandes tradições nesta localidade e em todo o Alto Alentejo. Após o término da procissão e junto à Capela do Calvário, a Banda União Artística tocou o Hino da Alegria, evocando os 50 anos do Tratado de Roma e do início da construção europeia, sendo a sua actuação, premiada por calorosa salva de palmas, por parte das pessoas presentes.
in "Jornal de Nisa" - nº 228 - 2007

AMIEIRA DO TEJO: 12 Anos depois houve “Passos Mágicos”

Há já alguns anos escrevi uma poesia dedicada ao Calvário. Essa poesia, até hoje, ainda não foi publicada, mas considero-a um dos meus melhores trabalhos, devido, precisamente, ao significado que encerra. Por hoje, vou apenas “repescar” uma quadra dessa poesia:
Hei-de guardar na memória aquela fachada linda
E pensarei que um dia os Passos voltarão
Hei-de pensar que a força do povo não morreu ainda
E que não é difícil manter a tradição!
Está aí a resposta do povo amieirense. Não vou falar aqui dos doze longos anos que passaram, porque entendo será melhor não mexer no passado, mas, sim, falar dessa fantástica magia que este acto transmite e que contagia toda a população amieirense. Haverá, no entanto, quem não compreenda o porquê de algumas alterações, entre as quais, tudo ser feito apenas num dia.
Caros amieirenses, o mais importante foi conseguido, não vamos agora querer tudo de uma vez, alegremo-nos, sim, pela retoma deste acto que, apesar de tudo, voltou a mobilizar muitos conterrâneos que movidos pela tal magia, não quiseram deixar de estar presentes.
É impressionante a maneira como os cristãos seguem esta cerimónia: tanta emoção, tanta fé, tantas lágrimas!
Tudo isto atinge o auge quando, na Praça Nuno Álvares, à sombra daquele majestoso monumento (há quase um ano encerrado, que vergonha!) se revive o encontro de Maria com o seu filho a caminho do doloroso Calvário.
Que cenário, aquele! Geograficamente, para este evento, Amieira é, realmente, uma terra privilegiada. Aquele castelo é como uma fortaleza onde Jesus Cristo foi condenado injustamente. E o Calvário? Lá em cima, no Monte, local onde Jesus foi crucificado pelos algozes, depois de torturado quase até à morte.
Depois do sermão, sempre esperado com alguma ansiedade, todos se alinham e a procissão segue o seu rumo pelas ruas sinuosas, algumas delas medievais, como a das Olarias, do Engenho, de Palhais. Esperemos que um dia, se possa sair da Praça já ao pôr do sol, pois, só assim e à luz dos archotes e das velas, se poderá observar das terras da Beira, o ziguezaguear dos fiéis como acontecia nos tempos em que os Passos de Amieira deram brado e eram considerados os mais bem conseguidos de todo o Distrito. Foi, de facto, lindo, recordar os tempos de meninos quando, em cada Passo, cantávamos os versos dedicados ao Senhor.

Nesse tempo, todos queríamos ser escolhidos para ganhar um pacotinho de amêndoas que, naqueles tempos serviam para enganar o estômago bastante debilitado.
Acho que era assim, naquela adoçar de boca, que nos era transmitida a tal magia que se ia mantendo pela nossa vida fora.
Não quero terminar sem dirigir a minha admiração e também o meu aplauso àqueles Irmãos do Senhor dos Passos que tudo fizeram para revitalizar este importante acontecimento, devolvendo assim à nossa terra, uma tradição de longos anos e que muitos já consideravam irremediavelmente perdida. Que o Senhor os ilumine e lhes dê muita saúde ao longo das suas vidas.
Jorge Pires - 2007

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

ALPALHÃO: Cinema aos Sábados no Centro Cultural


MEMÓRIA: O Senhor Simplício

Um dos últimos Contrabandistas de Montalvão
No dia 1 de Novembro de 2009, Dia de Todos os Santos, faleceu, no Hospital de Cascais, o veterano montalvanense, senhor Simplício António Belo, com 98 anos de vida.
Consigo parte uma memória viva dos tempos difíceis que se viveram no século XX, neste Alentejo pobre e isolado, à mercê dos grandes senhores da terra que impunham as suas regras na base do medo. Partiu este homem bom, com que gostei de partilhar algumas conversas desses tempos difíceis que foram os do contrabando em Montalvão.
Em jeito de brincadeira tinha-lhe prometido passar para um gravador digital todas as suas imensas memórias, mas por falta de tempo (meu) nunca tal aconteceu, e assim hoje partiu a última memória viva deste Montalvão, esquecido e apagado pelo tempo.
Para conseguir aquilo que a terra teimava em não dar, tal como tantos outros jovens da época, aproveitou o vigor de outros tempos para carregar fardos de 40 e 50 quilos pela calada da noite, palmilhando trilhos de perigo entre Portugal e Espanha. Perdeu a conta às vezes que levou tabaco para "Casalinho" (Espanha) ou trouxe bacalhau para Portugal. Chegou a passar de tudo, desde burros a sabão, enfrentando guardas-fiscais e "carabineiros", passava as noites num autêntico "leva e traz".
Estes homens e mulheres que a vida vai levando lentamente, não podem partir sem deixar na nossa memória colectiva o seu testemunho sempre presente de como foram as suas vivências noutros tempos. E sinto que fico em "divida" perante este homem, por não ter feito o trabalho de recolha que se imponha para memória futura.
Devo dizer que também já se impunha uma estátua dedicada a este conjunto de montalvanenses que dedicaram uma vida (ou parte dela) ao contrabando, afim de perpetuar as vivências difíceis porque passaram os nossos antepassados.
E assim desta forma deixo a minha homenagem e este e outros Simplícios, pelo exemplo de coragem e de luta pela vida.
José Leandro Lopes Semedo - 5/11/2009

NISA: Evocação e celebração do Santo André


NISA: Magusto popular na Praça da República


domingo, 16 de outubro de 2016

À FLOR DA PELE: Domingos Paixão - o Homem das Ervas Milagrosas

Completou em Julho, 95 anos, este homem de rosto largo e de mil vivências. Andou pela França e pela Espanha, aprendeu a ler, já homem feito, nas aulas regimentais, enquanto impedido do general Domingos de Oliveira, máxima figura militar no tempo de Salazar. Ao gosto pela leitura juntou um outro ligado às "coisas do campo": a descoberta das propriedades curativas das plantas e das argilas. A paixão pelas "ervas milagrosas" na versão do ti Domingos Semedo de Matos.
Nasceu em Montalvão, ainda o século vinte estava na puberdade, mas mostrava, já, as imagens dos conflitos armados, das doenças e da crise económica, mundial, que iria influenciar a vida de Domingos Semedo de Matos, nascido numa família de fracos recursos e obrigado a compartilhar com três irmãos a côdea de pão do sustento familiar.
Vida extrema, difícil, num lugar do interior, distante de tudo, até do essencial para se viver.
" Os meus pais trabalhavam no campo, eram jornaleiros. Vivia-se mal e logo aos sete anos fui guardar gado. Estive como pastor até aos 10 anos e aos 11 fui trabalhar para as grandes obras de construção da Barragem da Póvoa e Meadas, como servente. Havia lá muita rapaziada de Montalvão, da Póvoa e Meadas e de Castelo de Vide. Dormíamos lá e cada um cozinhava para si. O meu pai estava em França e juntou-se comigo a trabalhar na Barragem. Um ano depois resolveu ir para a ceifa em Espanha, na serra de Santiago e eu fui com ele ganhando menos mas fazendo o mesmo trabalho que os homens. Foi esta a minha escola. Quando terminou esta campanha, o meu pai resolveu ir novamente para França e eu acompanhei-o. Fomos a salto, éramos sete só de Montalvão, isto em 1929. Andámos muito tempo a pé e de comboio. Em Hendaya havia vários empreiteiros à espera de quem chegasse de Espanha ou de Portugal para trabalhar e nós fomos contratados para umas minas de perto de Marselha. Era um trabalho muito duro, mas compensava. As minas produziam um comboio de carvão, todos os dias, extraído à força do braço.
Legalizámo-nos ao fim de 22 meses e podíamos trabalhar em qualquer sítio de França. Foi assim que conheci um pouco daquele país, como Lyon, Paris, Bierzon. Regressámos a Montalvão ao fim de três anos. Aqui toda a gente se ocupava a trabalhar no campo e nós fizemos o mesmo em todos os serviços, a trabalhar de sol a sol.".
Chegava a idade da vida militar, dever a que Domingos Paixão não pôde eximir-se.
" Em 1936, com vinte anos, fui à inspecção militar com muito gosto, pois não sabia ler, tinha uma grande fortaleza e sempre ouvira dizer que se aprendia a ler na tropa. Era o que eu mais queria. Depois da instrução fiquei colocado na Companhia Tripomóvel Montada. O quartel dava impedimentos e eu tive a sorte de ficar como impedido do senhor governador militar de Lisboa, general Domingos de Oliveira. Tirei a 4ª classe, fiz uns exames maravilhosos e ao mesmo tempo tratava de quatro cavalos do senhor general que muito me considerava. Depois de três anos na tropa, já podia meter os papéis para qualquer serviço e assim entrei para a GNR em 1941, onde estive 27 anos. Desde Lisboa ao Alandroal, Crato, Nisa, Marvão, Gáfete e novamente Lisboa."
Casou aos 26 anos, tem quatro filhos, 11 netos e 7 bisnetos. A esposa morreu-lhe há 14 anos e reformado desde os 52, Domingos Paixão retornou a Montalvão, às terras da raia. É aqui, verdadeiramente, que começa a paixão pelas ervas com poderes medicinais.
"Eu herdei da minha mãe o gosto pelas plantas. A minha mãe com 83 anos ainda usava as ervas dos campos para uso dela e para dar às vizinhas. Há 80 anos atrás quem que tinha posses para ir à botica? Além dos tratamentos com plantas e as mézinhas caseiras serem muito mais eficazes. Era assim que tratavam as maleitas, qualquer doença naquele tempo. Eu sempre que vinha a Montalvão, ainda estava na GNR, o meu sentido era para as plantas. Comecei a tratar pessoas com 28 anos e não comecei mais cedo porque a vida não permitia. Comecei por massajar em qualquer parte do corpo, sem ter qualquer conhecimento de medicina e tenho tratado muita gente, todos aqueles que me procuram."
Não sabe explicar o "dom", sabe, isso sim que gosta de tratar as pessoas e que tem tratamento para quase todas as doenças, desde que o paciente saiba dar tempo ao tempo.
"Pelas portas por onde passei desenrasquei as pessoas que me pediram, fosse endireitar um dedo do pé, as costelas, o pescoço, as costas ou qualquer extensão fora do seu lugar. Vou todos os dias para o campo e conheço todas as plantas, mais de 300. Tenho um ficheiro escrito à mão, onde explico o nome das plantas, os fins para que servem, as doenças que combatem e como devem ser aplicadas. Conheço também as propriedades terapêuticas da argila, pois há 40 anos que trabalho com ela, um dos mais poderosos meios naturais de atacar as doenças e que pode ser aplicada em qualquer parte do corpo humano e até nos animais com fins curativos".
A sua casa no Bairro do Bernardino, na entrada de Montalvão, é um verdadeiro "museu das ciências naturais ". Há argila de todas as cores, uma variedade incontável de plantas, devidamente catalogadas com os nomes científicos e populares, com a descrição pormenorizada dos fins a que se destinam. Possui mais de 900 caixas com ervas, uma quantidade enorme de diversas argilas e este valioso espólio que representa muitos anos de trabalho dedicado é a sua grande preocupação. Agora, com mais de 95 anos, o ti Domingos gostaria que alguém se interessasse pela sua arte das plantas curativas, a divulgasse e que não se perdesse tão valioso acervo do nosso património cultural tradicional.
Deixa, por isso, um apelo, quer aos profissionais e comerciantes do ramo das plantas medicinais, quer às entidades autárquicas, no sentido de não deixarem que se perca um espólio que considera valioso, não só do ponto de vista económico, mas, sobretudo, carregado de afectividade.
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 7/9/2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Lenda de Amieira do Tejo em crónica de Vanessa Fidalgo

" Na Amieira do Tejo, pitoresca aldeia do distrito de Portalegre, são famosas as tropelias das bruxas e das mouras encantadas, mas também se conta uma curiosa história sobre uma procissão dos terceiros. Uns conseguiam vê-la, outros ouviam-na apenas e outros tantos nunca tinham visto nem ouvido nada e, portanto, eram os que mais se fartavam de falar sobre o assunto. Contavam para quem os quisesse ouvir que a certas horas da noite, pela Quaresma, quem se chegasse à janela e tentasse avistar o horizonte para os lados da calçada de São Pedro, corria o sério risco de ver uma tenebrosa procissão, encabeçada por sombras diáfanas ou até mesmo caveiras encapuzadas. Naqueles súbitos momentos de encontro, as almas penadas desciam do cemitério em fila indiana em direção à vila, espiar os pecados do mundo dos vivos. Pois numa dessas estranhas noites, uma mulher que morava na rua do Arrabalde levantou- -se mais cedo para pôr o pão a cozer e, sem querer, foi à janela ver se o sol já lá vinha. Não o encontrou, mas deu de caras com a procissão das almas... Não se espantou! Como era muito despachada até aproveitou para resolver o problema que a apoquentava naquele momento: não tinha lume para acender a lareira e por isso não hesitou em pedi-lo a um dos mortos-vivos que carregavam as tochas.
O defunto encarou-a, espantado com o desaforo. Suspirou num bafo podre e gelado, mas não se opôs. Entregou-lhe uma vela acesa, pedindo-lhe apenas que a devolvesse no dia seguinte à mesma hora. Mas ela, em vez de bater com a porta e dedicar-se à massa, deixou-se estar no parapeito a roer as unhas e a ver as almas passar silenciosamente na sua penitência errante. Mal amanheceu, correu para o mercado e contou a quem a quis ouvir a maneira como tinha fintado o medo e até conversado com os fantasmas que rondaram a porta. Na noite a seguir, porém, não perdeu pela demora. Quando foi à cantareira buscar a vela para cumprir a prometida entrega até ia desmaiando de susto! No lugar da vela estava a mão pálida e fria do diabo, que a agarrou antes de ter tempo para fugir ou fazer qualquer outra coisa em legítima defesa! Quem lhe falou depois foi o morto. Disse-lhe que deixasse de ser coscuvilheira e que nunca mais se levantasse a meio da madrugada para ver quem passava na rua a desoras, porque quem está está. E quem vai vai!
Vanessa Fidalgo - Correio da Manhã - |02.10.16

NISA E BENFICA: Jogos de Futebol em Outubro


Montalvão revive as suas Tradições Taurinas




ALPALHÃO: Programação Cultural de Outubro

A Junta de Freguesia de Alpalhão divulgou o Programa Cultural das actividades que irá desenvolver durante o mês de Outubro, organizadas pela autarquia e colectividades da freguesia.
O programa dá realce à Comemoração do 5 de Outubro (Implantação da República), informa sobre a realização do Mercado Mensal no dia 6 e de mais uma iniciativa que apela à participação dos cidadãos: o V Voluntariado Ambiental, a ter lugar no sábado, dia 8, e no qual todos os alpalhoenses podem participar, ajudando na limpeza e preservação ambiental.
Em data ainda a definir, a Junta promove a 1ª Caminhada pelos Caminhos de Santiago, iniciativa que terá programa próprio. A 21 realiza-se a 10ª  Reunião ordinária do executivo de Freguesia e no dia seguinte, 22 Outubro, a sede do Grupo Ciclo Alpalhoense anima-se com uma sessão de Fados à Capela, aberta a todos os amantes da canção popular.
Entre 23 de Outubro e 19 de Novembro decorre o Concurso e posterior Exposição de Fotografias tendo como tema "O Brilho das Rugas". A Junta de Freguesia irá editar programa elucidativo desta iniciativa cuja exposição decorrerá no Centro Cultural de Alpalhão.
Também a 23 de Outubro, tem lugar a realização do Passeio da Junta de Freguesia que levará os fregueses de Alpalhão em visita ao Alqueva e à cidade de Évora.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Festas da Senhora da Sanguinheira animam Amieira do Tejo


NISA: Inijovem promove "Percurso da Barragem da Póvoa"

PROGRAMA/HORÁRIO PREVISTO:
- 08H30: Concentração/Secretariado (Barragem de Póvoa e Meadas/Área de Serviço Autocaravanas).
- 08h50: Boas vindas&briefing;
- 09h00: Início da caminhada;
- 10h30: Reabastecimento (1 sólido e 1 líquido).
- 10h50: Reinício da caminhada;
- 12h30: Final da caminhada.
- 13h00: Almoço Convívio no Parque de Merendas da Barragem.
FICHA TÉCNICA DO PERCURSO:
Distância prevista: 10 km, linear.
Perfil altimétrico: Altitude máxima (324 m), altitude mínima (286), desnível acumulado (subida, 86 m).
Grau de Dificuldade: I – Muito Fácil.
Pontos de interesse: Necrópole da Boa Morte, Moinho hidráulico, Chafurdão de “A Barragem”, Central Hidroeléctrica, Barragem da Póvoa, Sepulturas escavadas na rocha, Observatórios, Anta dos Currais do Galhordas e Moinho hidráulico do Porto de Nisa.
- É obrigatório o pagamento no acto de inscrição, que inclui:
Seguro, documentação, enquadramento técnico, acompanhamento por guias, viatura de apoio, reabastecimento e almoço.
Nota: o transporte para o local da caminhada é da responsabilidade dos participantes.
- Data limite de inscrição: 22 de Setembro (5ª feira).
Equipamento Aconselhável
- Calçado adequado à prática de trekking/caminhada.
- Roupa adequada e meias de micro fibras, sem costuras.
- Mochila cómoda (fruta, comida energética e água).
- Impermeável, em caso de chuva.
- Cajado ou bastão articulado.
- Máquina fotográfica.
FICHA DE INSCRIÇÃO BREVEMENTE DISPONÍVEL!

MONTALVÃO: Festas da Vila em honra da Senhora dos Remédios

A vila de Montalvão volta a reviver a animação das tradicionais festas em honra de Nossa Senhora dos Remédios, que se realizam de 8 a 11 de Setembro, este ano com o arranque dos festejos no dia da Romaria.
PROGRAMA
  • Dia 8 – Quinta-Feira
  • * 12h – Procissão e Missa em honra da Senhora dos Remédios
  • * 16 h – Tourada oferecida pela Comissão de Festas na Praça de Touros
  • * 21,45h – No recinto de festas, animação musical e baile com Marco Paulino
  • * 02,15h – Música e animação com o Dj Matcho
  • Dia 9 – Sexta-feira
  • * 16h – Abertura do bar
  • *21,45h – Animação e baile com a Banda Karisma
  • * 02,15h – Música pela madrugada com os DJs de Vacaciones
  • Dia 10 – Sábado
  • * 10h – Peditório da Colcha
  • * 16,30h – Tourada à Vara larga de homenagem a Fernando Andrade.
  • Actuação da banda da Sociedade Musical Nisense e gado da Ganadaria Simão (Póvoa e Meadas)
  • 21,45 h – Animação musical com a Banda G
  • 02,15h – Prossegue a animação nocturna com o Dj Oni
  • Dia 11 – Domingo
  • 16,30h – Tourada à Vara Larga
  •  21,45h – Espectáculo musical com Los Bandoleros

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

HISTÓRIAS DA CHARNECA (1): O filho de Paiva Couceiro

Em 1911 quando a República era ainda uma criança, a tentar dar os primeiros passos, António, um jovem de Lisboa foi incorporado no Exército Português, mas as suas convicções políticas levá-lo-iam a desertar. Nesse mesmo ano, fugiu para Itália. No Verão de 1912 António Augusto encontrava-se em Roma mas as coisas não lhe corriam bem. Gastara quase todo o seu dinheiro e o futuro apresenta-se pouco risonho. Tomou, então a decisão de regressar. Mal tratado, fraco, e desprovido de posses foi com grandes dificuldades que viajou para Portugal. Entrou no país em Novembro de 1912, pelo concelho de Nisa, mais concretamente por terras de Montalvão. Ainda que cansado percebeu que não era chegada a hora de parar. Montalvão era demasiado grande para esconder um fugitivo. Rumou para Oeste, atravessa as charnecas e avistou as casas de uma pequena aldeia, iniciando a descida para a aldeia de Salavessa.
Os habitantes da aldeia recearam, a princípio, esta figura singular. Quem era? De onde vinha? O que pretendia? António Augusto respondeu aos salavessenses: "Chamo-me António Augusto de Jesus e sou filho de Paiva Couceiro". Henrique de Paiva Couceiro nasceu em Lisboa em 1861. Militar, ganhou fama devido aos combates em que esteve envolvido no final do Século XIX em Angola e Moçambique. Acérrimo defensor da Monarquia, bateu-se pela causa Monárquica, após a implantação da república, tendo-se envolvido em várias acções para derrubar o novo regime. O recém-chegado dizia-se filho deste militar sendo o seu nascimento fruto de uma aventura amorosa.
Com o passar do tempo acabou por se integrar na estrutura social da aldeia. António Augusto lança-se no desafio de ensinar às crianças as primeiras letras. Acanhados, os miúdos lá foram aparecendo. Começa com dois, depois mais dois, até que se constitui aquilo a que hoje chamaríamos uma turma. O novo "professor" prepara as crianças para o exame da terceira classe. Carismático, fez sucesso a ensinar.
Tudo parecia correr bem, mas António era um desertor. Em 1915 as autoridades detectam a sua presença e foi preso em Salavessa. A aldeia viveu momentos de choque, não queriam os seus habitantes acreditar que o senhor António Augusto estava a ser levado pela Guarda. As crianças, sem tempo para se despedirem, acompanharam o seu mestre até ao ribeiro de Fiverlo, já no caminho para o Pé da Serra. O professor leva as mãos amarradas, não pode dizer adeus, vira o rosto sobre o ombro e ensaia um último olhar. As crianças permanecem na margem direita do Fiverlo, não arredam pé, continuando no local até que, finalmente, deixam de ouvir o bater dos cascos dos cavalos sobre as pedras do caminho. O seu sonho terminara.
António Augusto de Jesus é julgado e de imediato é deportado para a África Portuguesa. É de África que escreve algumas cartas para Salavessa. Numa das cartas envia uns desenhos. São esboços a carvão. O professor desenhara umas crianças saídas de um quadro que insistira em permanecer na sua mente, a imagem de umas crianças paradas junto às encostas escarpadas do ribeiro de Fiverlo, alunos despedindo-se do mestre.
Em Moçambique, António Augusto cumpriu a sua pena. Na terra onde o pai fora o primeiro, o filho é, agora, um prisioneiro. Mas a história não termina em África. Após cumprir o castigo, António Augusto regressou a Portugal. Ao chegar a Lisboa partiu de imediato. Partiu para o Alentejo, para Nisa, para Salavessa. Foi recebido com alegria e entusiasmo. Apesar de não ser professor oficial, ali permaneceu e ali continuou a fazer o que mais gostava, ensinar crianças e prepará-las para os exames.
Em 1922 o Governo aprovou a construção de uma escola oficial em Salavessa. A nova escola primária ficou pronta e recebeu os primeiros alunos em 1923. Com a escola apareceram os primeiros professores formados e a missão de António Augusto terminou, abandonando definitivamente a aldeia. A partir desta altura afirmaria sempre, no decurso das suas viagens, ser natural de Salavessa, a aldeia que tão bem o acolhera. A aldeia que lhe dera protecção e lhe matara a fome sem olhar ao seu fato roto ou à sua barba esquálida.
Era realmente filho de Paiva Couceiro? Creio que nunca o saberemos. Mas que importa isso. O mais importante foi a formação que proporcionou às crianças, semente lançada à terra, semente do saber e do conhecimento, de importância suprema em todas as sociedades e em todos os tempos. O sonho das crianças não terminou na margem escarpada do ribeiro de Fiverlo. O sonho de saber ler e escrever concretizou-se e serviu de certo modo para contornar obstáculos numa vida de privações.
Quem mo disse foi uma criança. Uma criança de noventa anos. Uma criança que assistiu à sua captura. Acompanhou o professor até onde foi possível, até à velha ponte. Ali permaneceu até ao anoitecer. Até deixar de ouvir o bater dos cascos dos cavalos sobre as pedras do caminho. Quem mo disse esteve lá. Disse-lhe adeus. Ali, no caminho de Salavessa para o Pé da Serra. Em cima do velho pontão do Fiverlo trocaram o que pensaram ser o último olhar. Naquele momento a velha ponte foi fronteira de separação, para o aluno entre o sonho e a realidade, para o mestre entre o cárcere e a liberdade.
* Luís Mário Bento- in "Jornal de Nisa"

POETAS DE MONTALVÃO - António José Belo: Memória que o tempo não apaga

Foi um homem multifacetado, o ti António José Belo. Natural de Montalvão, morreu em Nisa, ( " Nisa, terra alentejana / O teu povo é de louvar / Quem lá passa não se engana / Com desejos de voltar" ) com 90 anos, no dia 25 de Junho de 2002.
António José Belo, foi um homem de intervenção, dedicado a uma causa, a da cultura popular, em favor da sua terra, do seu "tchon", que ele cantou e divulgou de modo admirável, num tempo em que os apoios, aos mais diversos níveis, eram irrisórios, e em que a força do querer, a "carolice" e o amor ao chão pátrio, removiam montanhas, transformando os sonhos em realidade.
António José Belo, foi, inquestionavelmente, um homem de sonhos e de horizontes vastos, que não se confinavam ao seu "avião de carreira" ( desenho com o qual identificou as formas de Montalvão) .
Voava e viajava, vezes sem conta, em viagens quase permanentes, através da poesia ( as populares quadras e décimas), das figuras que esculpia num pedaço de madeira, a que dava formas bizarras ou de que aproveitava os contornos, mantendo a simbologia bruta e original, extraída da terra.
Artesão, músico, apresentador de espectáculos, construtor de cenários e de peças de teatro, animador cultural, etnógrafo, nada do que se relacionasse com o seu "Montalvão querido" lhe
passava à margem. O movimento associativo do Monte Alvão e das terras vizinhas muito lhe ficou devendo e a história cultural daquele rincão raiano foi, durante a maior parte do século passado, escrita pelo punho e pelas iniciativas que tinham a "marca" de António José Belo.
Este artista popular, escreveu um livro, terá plantado árvores sem conto, foi carvoeiro, alfaiate, alimentou durante muitos anos na sua terra, a chama da cultura. Promoveu, com reduzidos meios, mas com uma dinâmica extraordinária, formas de participação colectiva dos seus conterrâneos, fossem elas feitas através da música, do teatro, do rancho folclórico, dos saraus artísticos. Aliava, à sua propensão para as artes, uma jovialidade e frescura de espírito, que manteve até final da sua vida. Algumas das décimas, como as que a seguir, reproduzimos, revelam, essa fina particularidade do seu carácter, que tinham apenas, como finalidade, provocar o humor saudável e a boa disposição. As poesias brejeiras, as curiosidades e as histórias com sotaque regional, que deixou no seu livro, ajudam a compreender o homem e a época, e são um contributo inestimável quando se procurar concretizar a ideia de uma monografia de Montalvão.
Morreu o homem, o artista popular. Para que outros possam seguir o exemplo, fica o registo de uma vida e de uma memória que não se apaga.
O que eu fui
Fui poeta e romancista
Fui artesão, fui pintor
Alguns tempos fui fadista
Também fui trabalhador.

Levei a vida a cantar
Em festas e romarias,
Passava noites e dias
Às vezes sem descansar
São tempos para recordar
Enquanto um homem exista
Não há recinto nem pista
Que eu não dançasse o tango
Fui bailador de fandango
Fui poeta e romancista
Fui serrador de madeiras
Trabalho duro e pesado
Mas também cantava o fado
Em festas arraiais e feiras
Eu fazia brincadeiras
E obras de grande valor
Várias vezes fui autor
Fiz desenhos e pinturas
Fazia caricaturas
Fui artesão, fui pintor.

Quando era rapazola
São coisas para não esquecer
Eu aprendi a escrever
Sem nunca ter ido à Escola
Fui tocador de viola
Bandolim e guitarrista
Na qualidade de artista
Muitas coisas disse e fiz
Mas sempre me senti feliz
Nos tempos que fui fadista.

Enquanto Mundo for Mundo
E saibamos dividir
Dá para cantar e rir
O tempo chega para tudo
Fiz o trabalho mais rude
Fiz histórias, fui historiador
De folclore ensaiador
Para pazes, fiz uma ermida
Fiz tantas coisas na vida
Também fui trabalhador
Jornal de Nisa - 1ª série - Maio 2008