domingo, 23 de dezembro de 2007

A morte da professora Catarina Cativo

Faleceu no dia 17 de Novembro, em Nisa, após doença prolongada, a senhora Catarina Dinis de Oliveira Cativo, de 74 anos, pessoa muito estimada e considerada nas diversas localidades onde exerceu o seu mester de professora primária, com elevada proficiência, o que lhe granjeou o reconhecimento de alunos, familiares e entidades, sendo homenageada pelo município do Crato e o seu nome atribuído a uma rua de Vale do Peso, localidade onde exerceu durante mais tempo a sua actividade lectiva.
As notas biográficas que seguem, foram elaboradas pelo seu colega e amigo, professor Dionísio Cebola e aqui as deixamos também como uma simples homenagem a uma mulher que fez da discrição e da entrega à nobre tarefa de ensinar, o seu modo de vida.
“Frequentado o Colégio Condestável em Nisa e obtido curso do Magistério Primário em Évora, Catarina Dinis de Oliveira Cativo, exerceu a sua actividade docente em Comenda, Crato e Vale do Peso.
Cedo se evidenciou na dedicação ao ensino, competência profissional, testemunhada pelos seus colegas contemporâneos.
No Crato deixou vincada a sua vocação e , ávida de colaboração, pertenceu à direcção da Cantina escolar onde a sua disponibilidade foi profícua.
Com a aproximação á terra natal, Nisa, sonho comum de todos os jovens professores nisenses, foi colocada em Vale do Peso.
Foi então que, ao longo de dezenas de anos, comprovou a sua fecunda proficuidade docente.
Catarina Cativo fez do seu mister de professora uma dádiva pedagógica-didáctica plena de saber e de instrução.
O residir em casa anexa à escola mais contribuiu para que a acção com a comunidade local tivesse sido um êxito.
Assim, ainda em exercício, a população de Vale do Peso, em homenagem, dedicou-lhe um obrigado perpétuo, ao descerrar uma lápide com os dizeres “Rua Profª Catarina Dinis de Oliveira Cativo” acto público que teve a iniciativa da Junta de Freguesia de Vale do Peso e o carinho da Direcção Escolar de Portalegre.
A imprensa registou este facto.
Após a aposentação, a Prof. Catarina Cativo regressou para junto da sua família em Nisa, onde a morte a colheu, após prolongado sofrimento.”

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

COISAS DA VIDA (XVIII)

Por estas e por outras
Sofia Tello Gonçalves *
Perdeu-se o hábito de se escreverem cartas. Não pretendo com isto dizer que o serviço postal tenha caído em desuso, antes pelo contrário, diariamente somos bombardeados com um manancial de papel que nos entope as caixas do correio.
Porém, apenas nos deparamos com resmas de papel contendo informação publicitária, acompanhadas por um sem fim de contas a pagar. A quantidade de papel que é depositada diariamente à porta de casa origina um acumular de lixo à entrada dos nossos prédios.
Igualmente neste contexto, constata-se, por vezes, a falta de civismo de alguns vizinhos. Como não querem levar para casa toda essa papelada, deixam-na no chão, à espera de sabe-se lá quem, para a apanhar. Por estas e por outras, existem pessoas que optam por não residir em propriedade horizontal.
Presentemente, a compra de um apartamento, em termos de vizinhos, é um envelope fechado! Não se sabe quem serão e como serão.
O acto de chegar a casa, o nosso último reduto, significa para muitos o retemperar baterias, e, quando menos se espera, é-nos imposta uma música/televisão em decibéis superiores ao aceitável, o barulho daqueles saltos altos que nunca param ou obras feitas em dias e horas de descanso. Tais situações levam-nos ao desespero. E aqui, falo por experiência própria, recordo bem o que fui obrigada a suportar, sem consentir.
É um facto que existem leis para nos protegerem de semelhantes situações, mas, uma vez mais, quem passa por elas constata que são de difícil aplicação.
Para bem da nossa vivência dentro de portas, é fulcral ter alguém a viver ao nosso lado que comungue dos nossos princípios.
Haja respeito! E não esqueçamos que vivemos em sociedade.
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

COISAS DA VIDA (XVII)


A cultura dominante é implacável
Sofia Tello Gonçalves *
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Esta frase sintetiza o inevitável decurso da condição humana. Contudo, desagrada-me constatar que muitas destas novas vontades, advêm de um processo inconsciente de socialização, ao qual somos submetidos, sem sequer termos realmente essa percepção. A cultura dominante é implacável.Eu ainda sou do tempo em que na minha meninice não existia o hallowen, não quero com isto dizer que não vivenciássemos o Dia-de-Todos-os-Santos. Antes pelo contrário, esta era a ocasião, em que, ao anoitecer, um grupo de crianças saía para a rua munido de velhas caixas de sapatos, as quais recortávamos para, e à semelhança das actuais abóboras, terem uma boca e dois olhos. Depois, se tivéssemos, o que por vezes não acontecia, tapávamos esses buracos com papel celofane colorido e colocávamos lá dentro uma vela acesa, para adquirirem uma particular configuração fantasmagórica.Assim munidos, batíamos à porta das pessoas e cantávamos uma canção que começava assim: “Bolinhos e bolinhós, para ti e para vós. Para dar aos finados que estão mortos e enterrados...” A música ainda era comprida, confesso que já não me recordo da letra toda. Na eventualidade de sermos ou não presenteados com alguma coisa – tipo broas, doces ou até uma pequena moeda – cantávamos outras canções: “esta casa cheira a pão, mora aqui algum ladrão” ou, “esta casa cheira a broa, aqui mora gente boa”. Colocávamos os nossos pertences num saco, continuávamos a nossa ronda e quando terminada, dividíamos os ganhos por todos. A este costume, chamávamos os Bolinhos e Bolinhós.Hoje, miúdos e graúdos saem para as ruas vestidos de bruxas, morcegos e vampiros, para além dos acessórios, uma parafernália de vassouras, aranhas, abóboras e caveiras, disponíveis para compra em qualquer grande ou pequena superfície.A Páscoa tem coelho, em Fevereiro existe um dia, só para os namorados, o Menino Jesus, quase nem o vemos, aparenta estar escondido debaixo de um grande manto vermelho...Onde está a nossa tradição e onde começa a imposição?
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

COISAS DA VIDA (XVI)

Bússola moral
– Sofia Tello Gonçalves *
Num dia destes, estava a ler o meu correio electrónico quando me deparei com uma história que narrava mais ou menos o seguinte.
Um funcionário, chegando diariamente cedo ao seu local de trabalho, deixava sempre o seu carro nos lugares mais distantes do parque de estacionamento, longe da entrada, apesar de existirem inúmeros lugares vagos bem mais perto. Um dia, questionado por um colega sobre este seu procedimento, respondeu: como eu consigo chegar sempre cedo ao trabalho, tenho ainda tempo para percorrer a distância sem problemas, o mesmo não se passa com os colegas que já chegam atrasados, assim, deixo para eles os lugares mais perto.
Como algo aparentemente simples, pode revelar tanto sobre o carácter de alguém...
Uma acção deste tipo traz-me à lembrança, determinados comportamentos inversamente opostos. Existem algumas pessoas, seja porque motivos forem, se acham no direito de, logo pela manhã, embrenhadas nas suas vidas e conseguindo apenas ver a distância dos seus umbigos, iniciar processos destrutivos, insistindo em canalizar para os outros, as suas energias negativas.
Meu Deus! Como tudo fica insípido, quando nos cruzamos com esta espécie da raça humana.
Pessoas assim, ainda não assimilaram que o mundo não se resume somente a elas, e desconhecem ou aparentam desconhecer, considerando os comportamentos que adoptam, que existem certos valores que devem ser mantidos. A entreajuda é um deles, deverá ser semeada na infância, para mais tarde ter os seus frutos.
Será que todos temos uma bússola moral? Ou será que alguns perdem-na no caminho?
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

COISAS DA VIDA (XV)

Que Deus? - Sofia Tello Gonçalves *
Posso dizer que sou uma apreciadora de música, sem um tipo de música específico, adepta de vários estilos, desde que com qualidade. Boss Ac é um dos fenómenos do Hip- Hop português, tendo inclusivamente sido já nomeado para a categoria de Best Portuguese Act nos MTV Europe Music Awards. Boss Ac transmite mensagens em algumas das suas canções, que, devido ao ritmo da batida, passam por vezes despercebidas. Apercebi-me disso, há pouco tempo, ao ouvir o álbum “Ritmo, Amor e Palavras” (RAP), que me foi apresentado por uma amiga que eu desconhecia apreciadora de Hip-Hop. Fiquei surpresa ao constatar que determinados conteúdos das suas músicas difundem algo mais do que meras palavras sem sentido, envoltas na cadência de um qualquer compasso improvisado numa mesa de mistura. Convenhamos, muitos estilos musicais, são por vezes alvo de comentários depreciativos por parte de pessoas que, se calhar, nunca ouviram nem uma música, mas são logo rotulados, apenas por serem associados a um determinado estilo. Encontrei neste álbum (RAP) uma conversa com Deus, onde são colocadas diversas questões que nos assolam ao espírito e que dificilmente conseguimos formular. É essa conversa, a letra da música intitulada Que Deus?, que pretendo agora partilhar convosco e, eventualmente, surpreender alguém, como me surpreendeu a mim.
"Quem quer que sejas, onde quer que estejas. Diz-me se é este o mundo que desejas. Homens rezam, acreditam, morrem por ti. Dizem que estás em todo o lado mas não sei se já te vi. Vejo tanta dor no mundo pergunto-me se existes. Onde está a tua alegria neste mundo de homens tristes. Se ensinas o bem porque é que somos maus por natureza? Se tudo podes porque é que não vejo comida à minha mesa? Perdoa-me as dúvidas, tenho que perguntar. Se sou teu filho e tu amas-me, porque é que me fazes chorar? Ninguém tem a verdade o que sabemos são palpites. Se sangue é derramado em teu nome é porque o permites? Se me destes olhos porque é que não vejo nada? Se sou feito à tua imagem porque é que durmo na calçada? Será que pedir a paz entre os homens é pedir demais? Porque é que sou discriminado se somos todos iguais? Porquê que os Homens se comportam como irracionais? Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais? Porquê que a Paz não passa de ilusão? Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê? Peço perdão pelas perguntas que tem que ser feitas. E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas? Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei. Eu acredito é na Paz e no Amor. Por favor não deixes o mal entrar no meu coração. Dou por mim a chamar o teu nome em horas de aflição. Mas tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos. E se o Homem nasce livre porque é que é alguns são donos? Quem inventou o ódio, quem foi que inventou a guerra? Às vezes acho que o inferno é um lugar aqui na Terra. Não deixes crianças sofrer pelos adultos. Os pecados são os mesmos o que muda são os cultos. Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem. Mas no livro que escreveste cada um só leu o que lhe convém. Passo noites em branco quase sem dormir a pensar. Tantas perguntas, tanta coisa por explicar. Interrogo-me, penso no destino que me deste. E tudo que acontece é porque tu assim quiseste. Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo? Será que essa é a justiça pela qual eu tanto reclamo? Será que só percebemos quando chegar a nossa altura? Se calhar desse lado está a felicidade mais pura. Mas se nada fiz, nada tenho a temer. A morte não me assusta o que me assusta é a forma de morrer. Quanto mais tento aprender, mais sei que nada sei. Quanto mais chamo o teu nome menos entendo o que te chamei. Por mais respostas que tenha a dúvida é maior. Quero aprender com os meus defeitos, acordar um homem melhor. Respeito o meu próximo para que ele me respeite a mim. Penso na origem de tudo e penso como será o fim. A morte é o fim ou é um novo amanhecer?"
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Bodas de Ouro matrimoniais

DE UM CASAL CATIVANTE
O casal nisense Carlos Semedo Cativo e Maria José São Pedro, celebraram no passado dia 14 de Setembro, as suas Bodas de Ouro matrimoniais.
São 50 anos de vida em comum, abençoada com o nascimento de duas filhas, que, por sua vez, fizeram crescer a família Cativo, dando ao casal quatro netos.
Em 14 de Setembro de 1957 na Igreja Matriz de Nisa, Maria José e Carlos celebraram o seu casamento. Agora, 50 anos depois, juntaram a família e numa festa simples, celebraram esta união que dura há meio século e vai certamente perdurar pela vida fora.
Ao casal Maria José e Carlos Cativo, os votos de parabéns do Jornal de Nisa.