sábado, 20 de dezembro de 2008

COISAS DA VIDA (XV)

Que Deus?
– Sofia Tello Gonçalves *
Posso dizer que sou uma apreciadora de música, sem um tipo de música específico, adepta de vários estilos, desde que com qualidade. Boss Ac é um dos fenómenos do Hip- Hop português, tendo inclusivamente sido já nomeado para a categoria de Best Portuguese Act nos MTV Europe Music Awards. Boss Ac transmite mensagens em algumas das suas canções, que, devido ao ritmo da batida, passam por vezes despercebidas. Apercebi-me disso, há pouco tempo, ao ouvir o álbum “Ritmo, Amor e Palavras” (RAP), que me foi apresentado por uma amiga que eu desconhecia apreciadora de Hip-Hop. Fiquei surpresa ao constatar que determinados conteúdos das suas músicas difundem algo mais do que meras palavras sem sentido, envoltas na cadência de um qualquer compasso improvisado numa mesa de mistura. Convenhamos, muitos estilos musicais, são por vezes alvo de comentários depreciativos por parte de pessoas que, se calhar, nunca ouviram nem uma música, mas são logo rotulados, apenas por serem associados a um determinado estilo. Encontrei neste álbum (RAP) uma conversa com Deus, onde são colocadas diversas questões que nos assolam ao espírito e que dificilmente conseguimos formular. É essa conversa, a letra da música intitulada Que Deus?, que pretendo agora partilhar convosco e, eventualmente, surpreender alguém, como me surpreendeu a mim.
Quem quer que sejas, onde quer que estejas. Diz-me se é este o mundo que desejas. Homens rezam, acreditam, morrem por ti. Dizem que estás em todo o lado mas não sei se já te vi. Vejo tanta dor no mundo pergunto-me se existes. Onde está a tua alegria neste mundo de homens tristes. Se ensinas o bem porque é que somos maus por natureza? Se tudo podes porque é que não vejo comida à minha mesa? Perdoa-me as dúvidas, tenho que perguntar. Se sou teu filho e tu amas-me, porque é que me fazes chorar? Ninguém tem a verdade o que sabemos são palpites. Se sangue é derramado em teu nome é porque o permites? Se me destes olhos porque é que não vejo nada? Se sou feito à tua imagem porque é que durmo na calçada? Será que pedir a paz entre os homens é pedir demais? Porque é que sou discriminado se somos todos iguais? Porquê que os Homens se comportam como irracionais? Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais? Porquê que a Paz não passa de ilusão? Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê? Peço perdão pelas perguntas que tem que ser feitas. E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas? Quem és tu? Onde estás? O que fazes? Não sei. Eu acredito é na Paz e no Amor. Por favor não deixes o mal entrar no meu coração. Dou por mim a chamar o teu nome em horas de aflição. Mas tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos. E se o Homem nasce livre porque é que é alguns são donos? Quem inventou o ódio, quem foi que inventou a guerra? Às vezes acho que o inferno é um lugar aqui na Terra. Não deixes crianças sofrer pelos adultos. Os pecados são os mesmos o que muda são os cultos. Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem. Mas no livro que escreveste cada um só leu o que lhe convém. Passo noites em branco quase sem dormir a pensar. Tantas perguntas, tanta coisa por explicar. Interrogo-me, penso no destino que me deste. E tudo que acontece é porque tu assim quiseste. Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo? Será que essa é a justiça pela qual eu tanto reclamo? Será que só percebemos quando chegar a nossa altura? Se calhar desse lado está a felicidade mais pura. Mas se nada fiz, nada tenho a temer. A morte não me assusta o que me assusta é a forma de morrer. Quanto mais tento aprender, mais sei que nada sei. Quanto mais chamo o teu nome menos entendo o que te chamei. Por mais respostas que tenha a dúvida é maior. Quero aprender com os meus defeitos, acordar um homem melhor. Respeito o meu próximo para que ele me respeite a mim. Penso na origem de tudo e penso como será o fim. A morte é o fim ou é um novo amanhecer?
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Coisas da Corte das Areias (XCV)


Santa Luzia: Um espaço a requalificar
É Motta e Moura quem o refere a pág. 106 da Memória Histórica da Notável Vila de Nisa:
Outra egreja bastante nomeada e devoção nos tempos antigos, era a do Espírito Santo dos Frades, conhecida geralmente pela capella de santa Luzia; era edificada nos subúrbios d´esta villa, no largo atraz da Fonte do Frade junto do caminho de Montalvão; antiquíssima, com a porta principal d´entrada, e arco da capella mor de cantaria e forma gothica, pelo mesmo gosto e architetura da de Santo António”...
(...) “ e foi esta instituição, que a perdeu, porque abolindo nosso tio fr. João Pedro Themudo Cabral, vigário da matriz, a capella por alvará de 26 de Setembro de 1797, apropriou-se da egreja, tirou-lhe os habitadores, que levou para casa estranha e alheia, onde estão, e começou-lhe a demolição, que seu herdeiro concluiu aproveitando-lhe a cantaria em umas casas que edificou, e n´uma horta, em cuja porta se vêem os pedestais da capella mor; não restando já no logar, em que estivera, vestígio algum, por onde conste a sua existência, nem ao menos uma cruz alevantada attesta aos que por ali passam que n´aquelle local fora outrora a casa de Deus”.
Era um espaço agradável, airoso, este, onde no passado se erguia a Igreja de Santa Luzia, coabitando com a então elegante Fonte do Frade por um período de 71 anos, vindo aquela a ser demolida como atrás se refere, em 1797, e a Fonte do Frade transferida em 1953, 156 anos depois.
Agora, no local da igreja, resta o espaço, público, feito lixeira e, triste sina a dos fontanários de Nisa, do majestoso conjunto como era o da Fonte do Frade, o que dela resta, ali está, triste e envergonhada, na Praça do Município, sentindo-se nua, porque despida dos adornos que a enfeitavam, como era o chafariz original, mais curto, não o que lá está agora, estranho, e também privado, em frente, do “pequeno poço – a que chamavam coberta – e uma ponte sobre o ribeiro que corre das hortas próximas”. (1)
Era um local muito lindo, aquele, como bonito era o pontão, com arco de volta redonda, o maior, e um outro pequeno a que os entendidos chamavam de falso arco porque não de volta redonda. O ribeiro que sob o dito corria fazia-o à superfície e não escondido como agora, como que envergonhado de exibir, coisa vulgar naqueles tempos, as limpas e puras águas do Ribeiro das Romãs, de seu nome, nascido na Tapada dos Casarões (actual Zona Industrial) lá para os lados do campo da bola, que é hoje do Nisa e Benfica mas já foi do Sporting de Nisa.
Também no Largo da Câmara e junto à fonte não estão os lavadouros de então, nem se ouve o bulício das mulheres da “vila” lavando a roupa, nem tão pouco lá estão as pedras tipo prato de sopa, gastas pelo constante uso, como poiso dos cântaros de barro, pedrados ou não com as brancas pedrinhas de quartzo da Serra de S. Miguel (Nisa).
Corre por aí, como certo, que brevemente irão “mexer” no sítio da Fonte do Frade, em particular nos lavadouros públicos. Se assim for será uma boa oportunidade para devolver ao local um pouco da muita beleza e dignidade que já teve. Proposta até já houve, faz agora 4 anos. Aqui se reproduz: Proposta/contributo para uma intervenção
"Considerando que a participação dos cidadãos na vida da comunidade pode e deve representar uma mais valia para a nossa vivência democrática, os proponentes abaixo-assinados levam ao conhecimento da Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Graça (Nisa) uma proposta / conjunto se sugestões, a enquadrar tecnicamente, tendente à Requalificação do Espaço Fronteiro ao Lavadouro Municipal, no local conhecido como Alto de Santa Luzia, na área da referida freguesia.
Em linhas gerais, a serem devidamente explicadas em reunião do executivo, a intervenção visaria humanizar toda a área em tempos afecta à ermida de Santa Luzia, tornando-a um espaço público de lazer, descanso e convívio, aprazível e ao mesmo tempo com significado histórico, pelo que designaríamos o conjunto de pequenas intervenções de “Memorial”.
Tal designação resulta da ideia de implantar neste espaço, “reciclando-os” e impedindo que deixem de fazer parte da memória histórica de Nisa, diversas estruturas e materiais em ferro e granito, que irão ser desmantelados com as obras em curso na Praça da República, nomeadamente, os candeeiros em ferro fundido, a gradaria de ferro e as escadarias do jardim público (e possivelmente, as próprias floreiras) bem como os bancos em granito, antigos, existentes no Rossio, nas imediações do Calvário.
Estes materiais seriam aplicados na requalificação que propomos para este espaço, tornando quase irrisório, face à mais valia urbanística e ambiental daí resultantes, os custos da intervenção. Evitaria, por outro lado, que um espaço público e devoluto, na entrada da vila e, consequentemente do centro Histórico de Nisa, passasse, paulatinamente, a funcionar como lixeira, situação que a nosso ver em nada abonaria em favor de uma entidade pública como a Junta de Freguesia.
Deixamos esta proposta à consideração dos órgãos eleitos da freguesia de Nossa Senhora da Graça, cientes de, modestamente, termos procurado contribuir para a resolução de um problema que urge resolver. Juntamos, em anexo, desenho exemplificativo.
O proponente: João Francisco Lopes"
Uma espera de quatro anos
Em reunião ordinária da Junta de Freguesia de 10/8/2004 foi a proposta aprovada por unanimidade (Deliberação nº 106) e enviada à Câmara Municipal de Nisa em 16/8/2004. Assinavam o documento o presidente da Junta, Joaquim Martins Rebelo, e os eleitos Maria Natária Grácio e João José Cabim Malpique Rufino.
Mas, voltemos ao início desta crónica, voltando a citar Motta e Moura quando nos diz, referindo-se à capela: (...) e começou-lhe a demolição, que seu herdeiro concluiu aproveitando-lhe a cantaria em umas casas que edificou, e n´uma horta, em cuja porta se vêem os pedestais da capella mor...”
Pois é, e se aquele arco, que está numa horta, “arco triunfal” como lhe chamou um distinto arqueólogo nosso conhecido, fosse mesmo o da Igreja de Santa Luzia, como admite um nosso conterrâneo, professor de história, seguindo com toda a lógica, um percurso mental no tempo, envolvendo datas, factos e pessoas?
Mas, admitindo de igual modo, não ser este arco o do altar-mor de Santa Luzia, não ficaria bem a sua implantação ao cimo da escadaria proposta para aquele espaço? Não seria devolver ao local, como bem o diz Motta e Moura, algo que “ateste aos que por ali passam, que naquele local fora outrora a Casa de Deus?”.
Isto, para já não falar na cruz de pedra que lá existia, onde está o arco, mas não existe já, encimando uma fonte, fonte que tem um nicho, nicho que já hospedou uma imagem mas que entretanto mudou de “hotel”.
Nisa está a expandir-se para aqueles lados, há vivendas em redor envolvendo o “Alto de Santa Luzia”, também por isto se justifica a intervenção proposta, tornando o sítio, um “espaço público de lazer, descanso e convívio, aprazível e ao mesmo tempo com significado histórico”.
Mais, no local e a propósito até ficaria bem painel informativo indicando aos turistas, que com certeza chegarão um dia, que aquela via que segue para nascente, não só nos conduz ao pontão do Vale da Boga e a Montalvão, mas igualmente nos leva, passeando, a estrada romana da Ammaia que, com esta designação, provem de S. Salvador da Aramenha (Marvão) e segue até Valhelhas (Guarda).
A mesma via nos leva também ao encontro da Carreira velha, tão velha que já em 1412 (600 anos) assim era chamada, e ao recém-descoberto Menir da Fonte do Cão (2).
Também a outra via que segue para norte, o nosso velhinho caminho da Senhora da Graça, teria honras de divulgação, informando que aquele “carreiro” é nada mais nada menos que o Caminho de Santiago (Caminho do Interior) que provindo do Algarve, seguia, nos tempos medievais, até Santiago de Compostela, na Galiza, seguindo, após cruzar com a Carreira Velha, pela Senhora da Graça, Ribeira de Nisa, Monte Cimeiro, procurando o Tejo que galgava em Vila Velha de Ródão.
Já agora, para que conste
No Plano Plurianual de Investimentos para 2005 a Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Graça, entre outras intervenções, propunha como “Arranjo paisagístico, a Requalificação da Fonte Seca e santa Luzia, frente à Fonte do Frade.”
Força que a obra vai ficar linda, barata, necessária e ainda por cima preserva o passado, a memória das nossas gentes, e para o bem da nossa terra, fantasmas se os houver há que sacudi-los para trás das costas.
Notas
(1) Monografia da Notável Vila de Nisa – José F. Figueiredo, pág. 231
(2) Descoberto pelos arqueólogos de Vila velha de Ródão, João Caninas e Francisco Henriques. -Publicado no "Jornal de Nisa" - nº 262 - 10/9/08

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Coisas da Vida (XXVI)

Mais do meu tempo
* Sofia Tello Gonçalves
Vens almoçar? Não, respondi. E jantar, vens? Parei, olhei para ela, sempre fora uma mulher corpulenta que se recusara a dobrar com a idade, mas, as rugas no rosto não mentem e, idade já tinha alguma. Vivia sozinha, dantes, fora uma casa cheia, agora, era ela, o passáro e por vezes as vozes do apoio domiciliário.
Nunca lá vivi, mas cresci lá, a minha casa era ao lado. Habituei-me à sua como se fosse minha, e com o passar do tempo, também era minha. Depois da sua queda, habituei-me a passar por lá de manhã, antes de ir trabalhar. Tinha sempre algo pronto para eu levar.
E jantar, vens? Repetiu a pergunta. O carinho que sinto por ela é infinito, ela foi a minha mão que embala. Claro, respondi. Era a terceira vez que o fazia nessa semana, o facto de me ter divorciado, dava-lhe mais do meu tempo. Senão viesse, já sabia que não comia. Nunca gostou de fazer as refeiçôes sozinha, e a vida pregara-lhe uma partida. Começar o seu dia, sabendo que eu ia jantar, era o seu entretém, sabia que se assim não fosse, o vazio enchia ainda mais aquela casa. Este, era o seu motivo...
Passámos ainda alguns anos nesta rotina, até que um dia, a vida acabou para ela.
Fiquei com o pássaro.
Hoje, sozinha, também já não janto.
Publicado no "Jornal de Nisa"

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

COISAS DA CORTE DAS AREIAS (LXXVII)

Muro de Sirga - No rio Tejo em Amieira
Especiais Particularidades (6)
- Sirgadouros do Tejo - Um encanto para fruir
* João Francisco Lopes
No princípio era o rio, torrencial e de cristalinas águas, chegado aqui percorridos iam 120 léguas, descendo a Ibérica Península desde Albarracin, como ensinava o mestre na Primária, frente ao mapa. Rio de fascinante beleza, variada e abundante fauna, talvez por isso os primeiros homens aqui chegados, olharam, gostaram do que viram e fixaram-se. Ao rio atribuíram-lhe um nome. Tejo, lhe chamam agora e pela abastança acreditaram estar a sobrevivência assegurada.
Em tempos ainda pré-históricos, nos finais do neolítico, diz quem sabe, que os homens, provavelmente agradecidos aos deuses, gravaram nas pedras do leito ou das margens do rio, milhares de notáveis figuras, imagens observadas por eles no dia a dia, palmilhando a terra, ou contemplando o céu. É a Arte Rupestre que temos por ali, nossa, porque na margem esquerda, que os nossos autarcas, em parceria com os de Vila Velha de Ródão se aprestam em valorizar para atrair os turistas.
Entretanto, outros povos foram chegando, novos hábitos foram sendo adquiridos, diferentes formas de viver, de explorar, de olhar em volta e sempre mais longe.
É um prazer contemplar e agradável de passear aquele corredor empedrado que acompanha o Tejo na margem esquerda, desde a Barca da Amieira até por perto da foz do Figueiró (200 metros para jusante).
Lageado com pedras dispostas na horizontal, tem em média, de largura, cerca de dois metros e eleva-se aproximadamente 6/7 metros acima do nível das águas.
Estas "estradas", por alguns habitantes de Amieira chamadas de "fachina", são os designados muros de Sirga, ou Sirgadouros, se bem que em Malpica do Tejo os apelidem de "Estradinha", preferindo os espanhóis nossos vizinhos e do rio, chamar-lhe "Estrada Velha" ou "Caminho do Rei", como nos foi dito por um amigo de natural de Cedillo, o senhor Francisco Negrito Gonzales, cujos avós eram portugueses, nascidos em Nisa.
Estes caminhos eram utilizados desde há séculos por homens e animais, no reboque rio acima dos barcos, principalmente nos cachões, impeditivos de utilisar os remos. É certo que não exercem hoje aquela função, ainda assim é sempre aprazível percorrer passeando aqueles curtos quilómetros, da Barca da Amieira até ao Figueiró, tanto mais que o Sirgadouro se encontra agora perfeitamente restaurado, graças a uma decisão louvável do actual executivo municipal, que com esta acção não só defendeu o património concelhio, mas igualmente investiu no turismoque acabará por render.
Quando e por quem foram mandados construir os Sirgadouros? Foi a obra executada de uma só vez ou foi-o por fases?
Vários são os autores que nos falam da beleza e riqueza do rio, da sua extensão, dos seus desníveis, da turbulência ou sossego das suas águas, mas sobre os sirgadouros pouco nos dizem e quando o fazem nem sempre afinam pelo mesmo diapasão, daí resultando uma "música" confusa.
Não terá aquela obra sido executada por fases e sujeita ao longo dos anos a intervenções de restauro e ampliação, justificando assim e de certo modo, o desencontro na informação?
Araújo Correia, na obra de que é autor - O Tejo - , a pág. 61 cita o ten.-coronel de Engenharia, Anastácio Rodrigues, que em 1812 estudou a navegabilidade do Tejo, de Abrantes a Malpica, por mandado real, informando dos embaraços naturais e artificiais, realçando a falta total de sirgadouros, que ele entendia como caminhos cómodos, de três ou quatro palmos de largo, ao menos. É esta a única referência a sirgadouros que se encontra naquela valiosa obra, o que nos parece manifestamente pouco.
Em "Viagens do Olhar", obra editada pelo Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento de Vila Velha de Ródão, refere-se que em 1849, um decreto de D. Maria II autorizava o Governo a "dispender durante o próximo futuro ano económico até à quantia de dez contos de réis em trabalhos de demarcação do alveo do Tejo, na parte que decorre de Valada até Abrantes, como também nas obras de quebramento de rochedos, da desobstrução do alveo do mesmo rio e da construção de caminhos de sirga, na parte que decorre de Abrantes até Vila Velha de Ródão". Efectivamente, estes caminhos foram construídos e ali estão hoje ainda nas duas margens do rio, a jusante da Barragem do Fratel.
Na revista Estudos de Castelo Branco, nº 27 de 1 de Julho de 1968, volta-se a citar o ofício do coronel Anastácio Rodrigues, enviado a 17 de Julho de 1812 a D. Miguel Pereira Forjaz, acerca da navegação do Tejo, de Abrantes a Malpica. No que concerne ao nosso concelho de Nisa, a página 164 é feita uma chamada para a necessidade, junto da Barca da Amieira, de "abrir quinhentos passos, ao menos, de sirgadouro nesta margem esquerda".
Ainda num estudo publicado no diário de Badajoz "Hoy", de 22 de Agosto de 1964 e no ano seguinte em separata de "Terra Alta", nº 406, extraído da obra "As ordens militares, aquém e além Sever", o seu autor, dr. José Martins Barata, ao referir-se ao vasto território da Açafa, que incluía a quase totalidade do actual concelho de Nisa e que foi doado por D. Sancho I à Ordem do Templo, escreveu o seguinte: "Outro ponto a considerar diz respeito à população que dispersa e escassa, era homogénea, como sempre temos defendido. Nem de outra forma convinha aos Templários que precisavam ter assegurada a navegação no Tejo, a favor da corrente ou utilizando os caminhos de sirga marginais, romanos, que ainda hoje se podem reconhecer. O Tejo fornecia um excelente meio de comunicação naquele tempo de poucos e maus caminhos".
Autores há que referem a construção dos sirgadouros no período filipino. Este últimos autor recua muito mais no tempo e atribui a obra aos romanos, oq ue não se estranha, sendo o Tejo, como menciona Estrabão, "um rio productor de ouro" que eles exploraram. O Conhal é um bom exemplo.
É de louvar a actividade da Associação de Estudos do Alto Tejo, de Vila Velha de Ródão, pela constante promoção do rio. Lembramos, a propósito, que há meia dúzia de anos, organizaram o 1º passeio pelos muros de sirga, nas duas margens, da Barragem do Fratel à Barca da Amieira, iniciativa já continuada entre nós por parte da Inijovem e se deseja seja repetida regularmente, permitindo aos passeantes apreciar a beleza do rio e eventualmente descobrir-lhe alguns dos seus segredos e da sua história, história onde Nisa ocupa o seu espaço.
Documentos há ("Beira Baixa" - Pág. 144) atestando que há 130 anos (1875), entre Vila Velha de Ródão e Abrantes ainda se moviam 278 barcos, com um fluxo, nos dois sentidos que, globalmente, representava 1360 toneladas.
Vieram os barcos porque havia um rio; foram-se os barcos porque chegou o comboio, "o comboio da Beira Baixa", o comboio do nosso rio.
Rio que vai ser factor de desenvolvimento turístico no nosso Concelho de Nisa.
* Publicado no "Jornal de Nisa"

terça-feira, 18 de novembro de 2008

NISA - Brilhante presença na Exposição " Do Palácio de Belém"

No passado fim de semana (dias 15 e 16) foi a vez do concelho de Nisa marcar presença na Exposição "Do Palácio de Belém" patente ao público no Convento de S. Bernardo em Portalegre. Oportunidade para mostrar os seus produtos tradicionais mais característicos, desde os enchidos ao queijo de Nisa, e com particular destaque para o seu incomparável artesanato, muito apreciado pelos visitantes.
A animação musical contou com a participação dos grupos "Contradanças de Alpalhão" e "Tocá Marchar", de Tolosa, que emprestaram o brilho, o colorido e beleza dos seus trajes à participação no concelho numa exposição de grande qualidade e que bem merece uma visita.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

COISAS DA VIDA (XII)

A vida são dois dias
- Sofia Tello Gonçalves *
Portugal é um país de ditados populares, e por trás desses ditados vem sempre uma realidade, uma constatação de algo, que chega até nós vinda de boca em boca, sabe-se lá desde quando…
Recordo aquele que refere que só damos valor às coisas quando as perdemos. É verdade! A vida vai passando por nós, e, invariavelmente temos sempre uma queixa, algo que não vai bem, situações a mudar…
Raramente nos damos por satisfeitos.
Eu creio que é sempre bom termos objectivos na vida, mas também julgo que a vida deve ser vivida no presente e não sempre a pensar no que não temos e que desejávamos ter, pois, a vida são dois dias! Por isso, é importante pararmos um pouco nos nossos ritmos desenfreados do dia-a-dia e analisarmos o que temos, e, acima de tudo, ter tempo de qualidade para usufruir aquilo com o que a vida já nos presenteou.
A nossa vida pode ser tão rica sem darmos conta, uma família que nos ama, vale tudo! Claro que lá diz o ditado: casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, mas, é importante compreender realmente qual a quantidade de pão que é efectivamente necessária na nossa casa. Estamos sempre a tempo de o fazer, porque mais vale tarde do que nunca.
Passamos anos à procura do supérfluo (e muitas vezes nem o reconhecemos enquanto tal) quando, mesmo ao nosso lado reside o fundamental, esquecendo frequentemente de que nem tudo o que reluz é ouro.
A vida tem um sentido, e infelizmente a grande maioria de nós nunca o compreende, a pessoa realmente cega é aquela que não quer ver.
Apesar de pensarmos sempre que as nossas vidas são eternas, elas perdem-se num minuto, e quando damos conta, se é que damos, o que é que realmente interessa?
Já dizia Antoine de Saint Exupery na sua célebre obra “O Principezinho” que o essencial é invisível para os olhos…
* Licenciada em Serviço Social e Mestre em Saúde Pública

sábado, 8 de novembro de 2008

Nisenses na Touraine (França)




Os rios Loire, Indre e Cher, na região Centro (França) são visitados regularmente por pescadores nisense que, tal como cá, não se cansam de mostrar os seus principais dotes na área de bem pescar em águas interiores.
Os belos exemplares de "Sillures", mostram a categoria dos pescadores nisenses em terras de França.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

EVOCAÇÃO DE CRUZ MALPIQUE (I)

Nos signos da leitura *
Na escola juvenil, é essencial que se faça a leitura em voz alta. Primeiro a fará o professor, para emprestar a faísca da vida ao texto escrito, e para servir como que de paradigma aos principiantes da leitura. Sem leitura expressiva, os textos ficam mortos, ou são apenas fonte de bocejos.
Com essa espécie de leitura se abrirá caminho para uma outra, mais expedita, mais funcional - a leitura silenciosa, aquela que, num relâmpago, nos dá a medula duma página de livro, de uma folha de jornal, de um documento erudito, de um relatório científico, de uma carta.
Quem, na escola, se habituou a fazer a leitura expressiva, com seu quê de teatralizada, ficará, depois, em condições de, numa leitura em diagonal e em silêncio, aprender as ideias mestras de qualquer escrito. O tempo urge, e, por isso mesmo, importa numa rápida olhadela ao escrito se lhe capte a ideia nuclear.
Os livros, se acaso pudessem estabelecer diálogo com os homens, lhes diriam: - Por favor, leiam-nos! Sentimo-nos pagos, se nos lerem! Nada mais triste, para nós, do que morrermos virgens da faca, que nos abra as folhas; nada mais desconsolador do que sermos comidos pela traça, sem que a mão dos leitores nos tenha acariciado, sem que os seus olhos nos tenham percorrido, amorosamente, corpo e alma.
Hoje, muitos livros se compram. Nunca, porventura, o movimento editorial foi tão grande. Nunca, porém, talvez, se lesse menos, em atitude de recolhimento, em meditação profunda, e sobretudo de lápis na mão, para anotar os passos que, depois, devem suscitar o nosso comentário escrito, se, para isso, tivermos aptidões. São tantas as solicitações de fora, fazemos vida tão extrovertida, que quase não nos sobra um momento para nos debruçarmos sobre a experiência alheia passada às páginas de um livro.
Compramos os livros, para que conste que não estamos desactualizados. E compramos, sobretudo, os gritados pela última moda. Mas, ou os pomos nas estantes, ou, apenas, os folheamos página aqui, página além, a correr, muito a correr, como quem vai salvar o pai, da forca.
Está bem que preguemos o olhar na TV. Que aproveitemos de todas as informações que a técnica, hoje, nos pode fornecer, e não são elas, ora, tão poucas! Mas excelente seria que completássemos todo esse mundo de informações, com a leitura recolhida. A extroversão tem de ser - deve ser - seguida de uma descida a nós próprios, e a leitura é o processo naturalmente indicado para uma introspecção em profundidade.
Julien Green quem, no seu Journal, faz esta confidência, relativa ao dia 28-XI-1954: " Chez moi, la lecture est une forme de paresse. Je le sais et ne m´en corrige pas".
Não exagerou. A leitura pela leitura, sem meditação da caneta, correndo sobre o papel em branco, é sempre uma forma de preguiça. A leitura só a podemos considerar activa, na medida em que for pesquisa de problemas, para resolvermos de conta própria. Com efeito, o que mais interessa, ao leitor laborioso, não é a solução acabadinha, que o livro lhe dá, mas os problemas que lhe suscita. O filósofo dizia, no consabido entinema: "penso, logo existo". O leitor, que o é de verdade, dirá: "penso por escrito, sobre o que leio, logo existo".
Toda a leitura será trampolim para darmos o nosso salto a maior distância e profundidade. Mas, esse salto só o poderemos dar, no caso de reflectirmos, a fundo, sobre a problemática que ela nos oferece. E a reflexão profunda exige que a caneta nos partureje do que realmente pensamos sobre o contexto dos livros cuja leitura fizermos. Fora desse perímetro, a leitura é, como nos confidenciou Green, " une forme de paresse ".
Não está bem que se leia apenas um autor, o que equivaleria a só colher uma perspectiva. Para cotejar ideias, importa multiplicar a variedade, embora a todos os autores a gente deva ler com a profundeza que nos for possível.
Se as leituras forem superficiais - ainda que variadas -, caso é para nos jogarem a bisca: multum legendum esse, nom multa.
Certo autor alemão pôs, logo na entrada de um seu livro de ensaios: Nur fur Leser: Só para leitores.
É que há quem pelas páginas do livro passe como cão por vinha vindimada, quem as olhe como cão de loiça, e esse tal não é leitor. Leitor só o é, de verdade, aquele que desce, como diria Rabelais, à "substantifique mouelle " das ideias, e as sabe aproveitar, como trampolim, para também ele pensar de conta própria.
A leitura mais profícua, quando chegamos a certa maturação do espírito, não é a da palavra por palavra, mas a leitura em diagonal, aquela que, num relâmpago do olhar, capta as ideias-mestras da página. E são estas, na verdade, as que importam, para depois serem meditadas por escrito, ou tertuliadas num grupo de pessoas realmente interessadas nas lides do raciocínio.
Não nos parece (desde que se atinja a referida maturação de espírito) que seja de aconselhar a prática recomendada por Emílio Faguet, na sua Arte de Ler: "lire très lentement, jusqu´au dernier livre qui aura l´honneur d´être lu..."
Não. Esse sistema é para principiantes, não para quem, numa rápida espreitadela de página, logo lhe apanha a "substantifique mouelle".
Que a leitura não encha as cabeças apenas de palavras. A pure suffisance livresque gera o psitacismo. Toda a leitura deverá ser tal que desperte o apetite de se passar da letra à picareta, como quem diz da teoria à prática. Quem ler leia para saber; quem souber saiba para praticar.
Tudo deve culminar na prática. É esta o grande teste para se aquilatar dos méritos da leitura.
* Texto inédito, integrado no volume Memórias dum Mestre de Rapazes, organizado por Cruz Malpique e que consta do espólio existente na BPMP.
Extraído do livro de Paulo Samuel "Perfil Ameno de um Escritor Humanista" - Edição da Câmara Municipal de Nisa - 1993

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

COISAS DA VIDA (XXVIII)

Silêncio
– Sofia Tello Gonçalves

No passado dia 10 de Setembro, assinalou-se o dia mundial da prevenção do suicídio. Quando li esta notícia, fiquei a matutar neste assunto. Há alguns anos tive oportunidade de fazer um trabalho na área da saúde mental e verifiquei na altura, de acordo com os estudos existentes sobre o suicídio, que se morria mais no mundo de suicídio, do que devido a mortes causadas por conflitos armados – guerra.
Ora, se infelizmente anda meio mundo a matar outro meio, em guerras sem fim, que todos os anos contabilizam inúmeras baixas, fiquei verdadeiramente impressionada em saber que existem ainda mais pessoas, que por sua livre e espontânea vontade, decidem acabar com a sua própria vida. Não censuro quem o faz. Creio que quem pratica semelhante acto, encontra-se num profundo estado de sofrimento, lamento verdadeiramente, o facto de essa pessoa estar a sofrer em silêncio há tanto tempo, e, que na escuridão da sua dor, só veja, o terminar dos seus dias como a única solução possível.
Se pensarmos bem, tudo, directa ou indirectamente acaba por nos ser próximo, e assim de relance lembrei-me logo de duas pessoas que conhecia que se suicidaram. Porquê, não sei, acho que somente elas sabem, mas o que é certo, é que nos dias de hoje, com os avanços da medicina, que contribuíram para uma incrível diminuição da taxa de mortalidade infantil, e do aumento da esperança de vida, ver tantas pessoas, morrerem vitimas das suas próprias mãos, é contraditório.
Enquanto escrevo, já se elevou para três o número de pessoas de que me recordo.
Vou ficar por aqui, já não quero saber de mais…

sábado, 27 de setembro de 2008

O CANTINHO DO EMIGRANTE

O regresso do “guerreiro”
Joaquim Dinis Semedo, 60 anos, dito o “Fouto”, que lutou contra uma grave doença, vem por este meio informar que se encontra em boa forma e de saúde, afirmando que está à disposição para actuar em espectáculos, desde que seja convidado. E, porque não, na Nisartes 09?
Ele contou-nos que já foi contactado para actuar no Natal dos Hospitais em Portalegre e pela Liga dos Amigos do Centro de Saúde de Nisa, por isso devemos apoiar o Dinis Dias (nome artístico), que participou de igual modo no Festival da Canção de Nisa, nas décadas de 60 e 70, em conjunto com outro nisense, este que frequentou o Centro de Preparação de Artistas, em Lisboa, então liderado pelo empresário artístico e locutor, Marques Vidal.
O seu apelido Fouto, vem de outra actividade que requeria coragem e determinação, a de pagar touros nas “corridas à vara larga”.
Quando lhe falam de touradas, o Fouto sente-se orgulhoso, não esquecendo de contar algumas peripécias em que se viu envolvido, como aquela vez em que foi parar às bancadas, com a “cornada” de uma bezerra.
Lembra também, com um misto de saudade e orgulho, as actuações no Cine Teatro de Nisa, em que canções como a “Tirana”, “Vamos ao Minho” ou “Amor de Verão” fizeram vibrar a plateia.
Joaquim Dinis Semedo foi também um emigrante e em França actuou em favor de várias associações, algumas das quais em Paris.
Aqui deixamos esta nota, para que as comissões de festas possam contactar este artista da nossa terra.
António Conixa - in "Jornal de Nisa" - nº 263 - 24/9/08

sexta-feira, 16 de maio de 2008

OPINIÃO: O LEITOR DÁ CARTAS

Lisboa, 23 de Maio de 2006
Faz precisamente 2 anos em que o Zé Galucho, como era carinhosamente chamado, fechou os olhos de vez. Nunca me vou esquecer desse dia, um dos piores dias da minha vida.
Conheceu a Maria da Graça, e por ela se apaixonou, desse amor nasceram 2 filhas. O Zé Galucho fechou de vez os olhos tinha 53 anos. Bem… nem tenho palavras para descrever o quanto ele era bom marido, bom pai, bom amigo, bom colega e ele estará para sempre no meu coração. O Zé Galucho, é o meu PAI, e nunca terei palavras suficientes para dizer tudo acerca dele, apenas sei dizer que era uma pessoa excelente, bondosa, e um óptimo pai… terei sempre orgulho no pai que tive, e que terei sempre no meu coração.
Dois anos parece muito – e será muito para os outros –, mas para nós, para a família, parece pouco, muito pouco tempo. Os meses e anos sucedem-se, a dor vai sendo substituída pela memória doce, a amarga saudade vai ficando cada vez mais saudade pura. Resiste-se melhor e vive-se outra vez. A presença dele paira eterna e permanentemente sobre nós.
Nos meus dias, há pequenos gestos, frases, pessoas, ideias, factos, imagens, que me levam até ele, e dele até à vida que então vivia, e daí a uma incontornável pausa nostálgica no tempo. Todos os dias, vivo estes regressos inesperados.
Com prazer e gosto, nuns casos, com tristeza noutros, indefinidamente nalguns. Pode ser o cheiro do seu perfume, um programa de televisão, um maço de «Marlboro», uma paisagem, um objecto pessoal.
Era um homem de palavra e da palavra. Era bom, inteligente, culto e, tal como o seu, de uma firmeza de carácter que foram sempre um exemplo para nós. Acontece-me muitas vezes perguntar-me o que faria ele em determinadas circunstâncias da minha vida, como reagiria, o que diria, etc. E é quase como se o tivesse a dar-me esse conselho, tal é a força da herança que ele deixou.
Nunca lhe disse que tinha orgulho nele, mas ele sabia que eu tinha. Mas ficou por dizer, é um facto. E agora, de lágrimas a escorrer, acima de tudo, onde quer que ele esteja, espero que ele tenha sempre orgulho de mim.
Com isto deixo um pouco da minha pessoa. Serei piegas, saudosa ou egoísta? Piegas sim, pois choro com muita facilidade; saudosa sim, pois sinto falta realmente das pessoas que gosto; egoísta, não, nem um pouco pois senão não poria isto aqui e não partilharia com ninguém. Tive dele várias heranças, o sorriso, a boa disposição, a bondade e venha quem vier isso não me tiram.
Perdi-te Pai, mas vais estar sempre vivo dentro de mim. Aqui dentro, nunca te deixarei morrer. Isso, juro-te! Até sempre.
Cristina Mendes

sábado, 10 de maio de 2008

Portugueses de Joué em Nisa






Uma grandiosa jornada desportiva e de confraternização foi protagonizada no sábado, dia 10, pelas equipas de veteranos do Sport Nisa e Benfica e da Unión Sportive Portugais de Joué les Tours (França) que se deslocaram propositadamente a Portugal para reforçar os laços de amizade e de são convivência desportiva com o clube local.
Num jogo bem disputado e com fases de excelente futebol, o resultado (3-2 a favor da turma nisense) é o que menos interessa, face ao desportivismo e camaradagem que imperou.
Agora, só falta que a projectada viagem a França em retribuição à que os nossos compatriotas fizeram, se concretize, mostrando que o desenvolvimento da Europa passa, também, pelo estreitar de laços entre países e regiões e entre povos e culturas.

sábado, 12 de janeiro de 2008

COISAS DA VIDA (XX)

Encurtar a distância
* Sofia Tello Gonçalves
O mundo já foi grande, hoje é pequeno. Geograficamente não se registaram alterações significativas em termos de áreas, porém, os meios de comunicação hoje existentes, permitem-nos acordar num ponto do globo e dormir noutro, permitindo ainda fazer uma refeição noutro terceiro.
Os meios de transporte aéreos vieram diminuir a distância. Inicialmente apenas acessível a algumas bolsas – poucas – hoje, andar de avião já se tornou um hábito usual para muitos. Para este facto contribuíram grandemente, as chamadas companhias aéreas low cost (em português baixo custo).
Não pretendo fazer publicidade, mas sim divulgação, uma vez que sou da opinião de que a informação não deverá ficar fechada numa gaveta, inacessível, mas sim, ser disseminada para chegar a todos. Tudo isto para mencionar o nome de duas companhias aéreas low cost (existem já muitas mais), que voam de Portugal para diversos destinos europeus, e que por incrível que pareça, têm tarifas a partir de um (1) €uro. Eu também não acreditava, até visitar estas páginas e tornar-me cliente.
A companhia aérea EASYJET que pode ser consultada em: http://www.easyjet.com/PT/Reservar/index.asp e a RYANAIR para consulta na morada: http://www.ryanair.com/site/PT/.
Esta facilidade de deslocação a custos reduzidos possibilita-nos conhecer um mundo que espera por nós além fronteiras, gastando praticamente o mesmo do que um bilhete de uma viagem de comboio nacional. O truque para obter o preço mais reduzido, consiste em marcar a viagem com a maior antecedência possível. Estas páginas web disponibilizam informação em português, bem como uma listagem de hotéis onde ficar e guias turísticos para o destino pretendido.
Para além da vertente turística, temos perante nós uma ferramenta essencial para nos ajudar a estar mais vezes, na companhia daqueles que amamos. Estes pensamentos, mais presentes em alturas do ano como a que vivemos actualmente, não nos permitem esquecer o quanto importante é, encurtar a distância.