quinta-feira, 22 de outubro de 2009

IN MEMORIAN: José Vilela Mendes

Depoimento ao “Jornal de Nisa” em 17/10/01 a propósito dos 70 anos do Cine Teatro Nisense
Figura incontornável dos cinéfilos nisenses, José Vilela Mendes esteve durante muitos anos à frente da exploração do Cine Teatro de Nisa.
A empresa António Mendes (como era funcionário público, o pai “emprestava” o nome à firma) surgiu depois da Castello Lopes.
José Vilela, recorda: “ Na altura, se não houvesse alguém que assegurasse a exploração do Cine Teatro, o cinema estava condenado a morrer, em Nisa.
Aceitou o desafio, mais pelo gosto do cinema do que propriamente pelo lucro, pois “os filmes davam pouco e às vezes (muitas) prejuízos”.
José Vilela perdeu o conto aos filmes que exibiu. Lembra, sim, com saudade, as grandes superproduções, como “Os Dez Mandamentos”, “Ben-Hur” ou “A Queda do Império Romano”, que eram “sempre casa cheia e com dupla exibição”.
As maiores assistências, lembra, “era pelas feiras. As feiras em Nisa duravam dois dias, não havia transportes como hoje e os feirantes vinham na véspera, muitos, até antes.
De modo que à noite e durante dois dias havia sempre cinema. Pelas feiras eram os filmes de cowboys, policiais e de aventuras, os preferidos”. Filmes de espadachim e de “bicos de picareta”, como se conta, a propósito, em Nisa.
Nos finais dos anos 60, com a “febre” dos musicais e dos filmes românticos, José Vilela, diz que “não tinha filmes (mãos) a medir. Os do Gianni Morandi eram sucesso garantido e por isso vinha à percentagem. Eram o meu “abono de família”. O “Não Sou Digno de Ti” veio a Nisa algumas oito vezes e a casa sempre cheia, com bilhetes esgotados. Era uma loucura. Agora, apesar da excelente sala que temos as pessoas vão menos ao cinema. É pena porque têm cá vindo excelentes filmes”.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 22/10/09

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

NISA NA PINTURA DE ERIC PRETESEILLE


A família Preteseille (Annie, Christian e Eric) e Christine Maniere vão mostrar os seus trabalhos artísticos, em pintura (óleo e aguarelas) e escultura, na Salle des Halles, em Azay le Rideau.
A exposição tem o título de “Variações sobre Portugal e a Touraine” e será inaugurada no sábado, dia 22 de Agosto, pelas 18 horas.
Na mensagem que nos enviou, Eric Preteseille apresenta-se como sendo “ francês, casado com uma portuguesa de Nisa, e vou apresentar uma exposição de quadros a óleo sobre Portugal e Nisa, em Azay le Rideau.As particularidades desta exposição:
- Sobre Portugal e a região da Touraine (França), pois minha esposa é originária de Nisa e eu de Tours, capital da Touraine. Nós pretendemos associar as duas regiões nesta exposição.- A vila de Azay le Rideau está geminada com Nisa, e ali terá lugar a exposição. Nós expomos os nossos trabalhos em família, cada um com a sua sensibilidade diferente e uma expressão plástica pessoal. Eu pinto paisagens de Nisa e do Alentejo, mas também de Lisboa, particularmente, em azulejos. "
Para melhor conhecerem o meu trabalho, disponibilizo algumas fotos e o endereço do meu blog: http://ericpreteseille.blogspot.com
A inauguração da exposição terá lugar no sábado, dia 22 de Agosto, na Salle des Halles, junto à Igreja, com a presença do cônsul honorário de Portugal em Tours, Luís Palheta, igualmente, originário de Nisa. A exposição estará patente ao público, todos os dias, até 4 de Setembro, entre as 10 e as 19 horas. A todos os nisenses e portugueses residentes na região da Tours, aqui está uma boa oportunidade para uma visita a uma exposição que “fala” de Portugal e mostra algumas telas de inegável valor artístico. Aproveitem!

sábado, 25 de julho de 2009

Maria de Nisa: uma jovem cegonha



A Maria é uma jovem cegonha que perdeu os seus pais devido à secura alentejana. Consta que partiram para longe, talvez em busca de outras águas. A população de Nisa adoptou-a e alimenta-a e ela passeia bem disposta pelas ruas e praças da vila.
E a propósito de águas, no dia 1 de Agosto inaugura o novo complexo termal da Fadagosa de Nisa, onde Joana Vasconcelos exporá mais uma das suas Valquírias. Esta é inspirada no artesanato de Nisa e nos enxovais que tradicionalmente integravam os dotes das noivas nisenses.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

POESIA POPULAR DO CONCELHO

Fui à fonte beber água,
Bebi, tornei a beber;
'Stava o meu amor de frente
Muito gostei de o ver!

Fui à fonte beber água,
Achei um ramo de flores,
Quem no perdeu tinha sede,
Quem no achou tinha amores.

Fostes à fonte descalça,
Só p'ra te verem os pés;
Em manguinhas de camisa,
Co'os dedos cheios de anés.

Fui à fonte dos amores
Dar a mão à lealdade;
Enchi o pote de rosas
Fiz a rodilha de cravos.

Fui à fonte beber água,
Bebi, tornei a beber;
Minha boca não se enfada
Nem meus olhos de te ver.

domingo, 28 de junho de 2009

SANTANA: O que era o “Baile do(s) Tremoço(s)”


O reavivar de tradições em Santana
De um estudo que espera a oportunidade para ser publicado na forma de “Contributos para uma Monografia de Santana” retirámos as “explicações” sobre o Baile dos Tremoços, como ali é referido.“Na véspera do casamento, à noite, há um baile chamado “o baile dos tremoços” onde toda a gente pode dançar; à noiva não se vê o rosto, neste baile, por o tapar com o lenço que traz na cabeça, puxando-o demasiado para a frente, por andar triste, visto deixar dentro em pouco, o lar que a vira nascer e a convivência de seus pais e irmãos.Quando o baile está em meio, os pais da noiva ofere­cem, a quem está no baile, bolos e tremoços distribuídos pelo pa­drinho e familiares da noiva; seguidamente, os pais do noivo oferecem vinho distribuído pelo padrinho e familiares do noivo.É neste baile que as raparigas cantam umas quadras dedicadas à noiva, no momento que ela dança com o noivo, que são:
I
Eu tenho na minha horta
Salsa, coentros e goivos;
A primeira cantiga
Que se vai cantar aos noivos.
II
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santo António
Amanhã te vai assentar
No livro do matrimónio.
III
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santa Rita,
Deus queira que te juntes
Numa hora bem bonita.
IV
Amanhã vais à igreja
Linda rosa encarnada,
Deus te dê alegres dias
E largos anos de casada.
V
Amanhã vais à igreja
Raminho de erva cidreira,
Vais dar a despedida
Desse trajo de solteira.
VI
Viva o noivo mais e noiva
Que amanhã se vão casar,
Vivam também os padrinhos
Que os vão a acompanhar.
VII
Amanhã vais à igreja
Meu baguinho de romã,
Deus te dê boa sorte
Boa noite até amanhã.
in "Jornal de Nisa" - nº 258 - 25/06/08

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ARNEIRO: Baile do Tremoço



O reavivar das tradições em Santana
Era sexta-feira, dia 13, véspera de casamento na aldeia do Arneiro (Santana-Nisa).
A coincidência do dia e da data, sempre associadas a “dias negros e de azar” para os mais supersticiosos, foi, pelo contrário, celebrada como um dia de festa e o reviver de tradições.
No Largo dos Pelómes, o principal da aldeia (este topónimo, noutros sítios pronuncia-se Pelames e terá a ver com as indústrias de curtumes, muito vulgares nas terras do interior), o povo juntou-se e recordou as despedidas de solteiro dos anos 50 e 60, quando o Baile do Tremoço trazia toda a população para a rua e fazia-a compartilhar da festa comunitária, promovida pelos pais dos noivos e que era a derradeira noite de solteiros dos jovens nubentes.
Tal como há 50 anos, houve música a rodos, não com o acordeonista ou o tocador de gaita de beiços como em tempos mais recuados, mas com um grupo de música popular, em cima de um palco improvisado, que tocou e cantou até fora de horas e a que se juntaram muitos artistas do povo, homens e mulheres, que recordaram, em uníssono, as modas de antigamente.
Para uma noite de festa tradicional, não faltaram os tremoços, o vinho e os bolos, distribuídos pelos pais dos noivos. E a dança, o “bálho” popular que inundou de alegria e contentamento todos os intervenientes nesta magnífica jornada de festa, convívio e espírito comunitário, ainda bem patente na freguesia de Santana e não apenas na utilização e partilha dos “fornos do povo”.
Para que o registo ficasse completo, nem sequer faltou a televisão e o Baile do Tremoço, no dia seguinte, através dos canais da SIC, percorreu o país e o mundo, fazendo lembrar que, apesar da crise e da perda de confiança, os portugueses ainda encontram motivos para sorrir, juntar-se e festejar, unidos por um ideal maior e que neste caso se chamou “reavivar da tradição”.
in "Jornal de Nisa" - nº 258- 25/06/08

sábado, 20 de junho de 2009

CARTAZ DA NISARTES 09: Desta vez a Câmara teve juízo!

Já está a ser divulgado o cartaz da Nisartes 09. O dos artistas participantes hão-de “sair” um dia destes, que a Câmara nesta como noutras situações guarda tudo para a última hora. A Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato, em finais de Agosto, há muito que anunciou as principais atracções da festa e o programa de animação. Em Nisa, utiliza-se a técnica do “in extremis”, talvez na esperança de “saldos de ocasião” que, como se sabe, ficam sempre mais caros e reduz o leque de opções.
Este ano, anunciou a autarquia, a Nisartes “vai ser ouro sobre a azul”. Em tempo de grave crise financeira e que a Câmara vai suportando com recurso ao crédito bancário, não se olharão a meios para atingir os fins. Estes, serão cinco dias de festa de “encher o olho” e seduzir eleitores na esperança da última maioria para Gabriela Tsukamoto.
N que se refere ao cartaz da Nisartes, pelo menos, a Câmara não vai enganar ninguém. Não houve concurso para “inglês ver”, nem júri nem decisões do júri que possa ferir a susceptibilidade de quem quer que seja. Os jovens, de Tomar e de outros pontos do país sabem que não serão “enganados” com decisões e contra decisões que o ano passado, em nada abonaram em favor de Nisa e de quem promoveu o certame.
Valha-nos, ao menos, isso...
Mário Mendes

quarta-feira, 25 de março de 2009

FUTEBOL E AMIZADE EM JOUÉ LES TOURS

Associação de Veteranos do Nisa e Benfica em França
A Associação de Veteranos do Sport Nisa e Benfica desloca-se a França de 29 de Abril a 3 de Maio, retribuindo a visita feita em Maio de 2008 pela equipa de futebol de veteranos da Union Sportive Portugais de Joué les Tours, uma progressiva cidade do Vale do Loire (centro de França).
A deslocação a França tem partida prevista paras as 17 horas do dia 29 de Abril e no dia seguinte, a comitiva nisense que integra ainda o grupo de música popular “Domingos e Dias Santos” será recebida na sede da USP em Joué les Tours.
O dia 1 de Maio, feriado, será aproveitado para uma visita a Azay le Rideau e ao seu monumental castelo, sendo a visita aproveitada para o contacto com a numerosa comunidade nisense que aí reside. De tarde e a pouca distância, em Cheillé, haverá uma jornada cultural e de homenagem ao emigrante, onde não faltará um baile à boa maneira portuguesa, abrilhantado pelo grupo “Domingos & Dias Santos”.
No sábado, dia 2, a manhã está reservada para uma visita a Tours e à sua magnífica catedral, onde sobressaem os vitrais de grande beleza.
De tarde, no relvado da Union Sportive Portugais tem lugar o esperado jogo de futebol entre os veteranos do USP e do Nisa e Benfica. Após o jogo e seja qual for o resultado, jogadores dos dois clubes voltam a encontrar-se num jantar de confraternização e de amizade luso-francesa.
Dia 3 de Maio é o último dia da comitiva nisense em terra de França. De manhã, aproveitarão para conhecer um pouco melhor a cidade de Joué les Tours e após o almoço será o início da viagem de regresso a Portugal.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 19/3/09

segunda-feira, 16 de março de 2009

MEMÓRIA DO JORNAL: João Malpique vence concurso do porco ibérico

PRODUTOR TEM EXPLORAÇÃO NO CONCELHO DE NISA
Pelo segundo ano consecutivo, João Malpique trouxe para casa o prémio de melhor criador de Porco Ibérico ao nível da Península Ibérica. A eleição decorreu no 2º Concurso Internacional da Feira de Zafra, organizado pela Asociación Española de Criadores de Ganado Porcino Selecto Ibérico Puro y Tronco Ibérico (AECERIBER), que teve lugar em Zafra de 27 de Setembro a 3 de Outubro. Como prova do reconhecimento da sua qualidade como criador, João Malpique foi membro do júri do XXII Concurso Nacional Del Cerdo Ibérico (Espanhol).
Natural de Nisa, mais precisamente da zona do Cacheiro, João Malpique é criador de Porco Preto há mais de 12 anos, sendo já reconhecido por todos os primeiros prémios ganhos em feiras nacionais. O criador distingue-se ainda por ter conseguido arrecadar, pela segunda vez consecutiva, o prémio de melhor criador de Porco Ibérico em Espanha, num país que conta com os grandes criadores e promotores desta raça. De realçar que apesar de em Portugal a criação de Porco Preto ser ainda um pouco incipiente, essa situação pode inverter-se, mais concretamente na região do Norte Alentejano que conta com uma das maiores manchas de montado de azinho e sobreiro.
E isto porque os vizinhos espanhóis além de comprarem o Porco Preto em Portugal, já começam a alugar montados para engordar os porcos que apresentam depois características ímpares, em termos de gordura, com qualidade alimentar equiparada à do azeite, o que faz com que tenha grande aceitação a nível internacional. Assim, os montados, para além de uma grande fonte de rendimento, podem também ser um factor para que os portugueses apostem mais na criação de Porco Preto, até porque a produção em Espanha não é suficiente para a promoção do presunto desta raça que os criadores estão a fazer na China. Japão e E.U.A.
- Blog do "Jornal de Nisa" - 5/11/07

quinta-feira, 5 de março de 2009

POETAS NISENSES

Hei-de…

Hei-de cansar-me ainda de cantar. Tristeza,
Hei-de enfardar-me apenas de cantar a Dor,
Hei-de fugir comigo e recitar de cor
Os versos que compus, despidos de beleza.

Hei-de ensaiar um voo além da Natureza,
Hei-de gritar bem alto a vã palavra Amor,
Hei-de escutar-me e rir-me do pobre cantor
Que em vão logrou sair do seio da mesquinheza.

Hei-de enfim, ficar preso na prisão sozinho,
Aqui, calado e quedo, no meu canto escuro,
À espera de quem venha ver se ainda duro…

E se não vier ninguém bater no meu ferrolho,
Deixar-me-ei restar só, sem pregar olho,
- Até que estranha Luz me lance no Caminho.
Carlos Franco Figueiredo in "Cítara Verde"

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

MEMÓRIA DO JORNAL - Bodas de ouro de um casal cativante

O casal nisense Carlos Semedo Cativo e Maria José São Pedro, celebraram no passado dia 14 de Setembro, as suas Bodas de Ouro matrimoniais. São 50 anos de vida em comum, abençoada com o nascimento de duas filhas, que, por sua vez, fizeram crescer a família Cativo, dando ao casal quatro netos. Em 14 de Setembro de 1957 na Igreja Matriz de Nisa, Maria José e Carlos celebraram o seu casamento. Agora, 50 anos depois, juntaram a família e numa festa simples, celebraram esta união que dura há meio século e vai certamente perdurar pela vida fora. Ao casal Maria José e Carlos Cativo, os votos de parabéns do Jornal de Nisa.
Blog do "Jornal de Nisa" - 24.9.07

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

MEMÓRIA DO JORNAL - Montalvão inaugura Casa do Forno

É hoje, dia 9 de Setembro, inaugurada em Montalvão, a Casa do Forno, na sequência de uma intervenção de recuperação promovida pela Câmara Municipal de Nisa nas instalações de um antigo forno comunitário.
Em 1997, surgiu a possibilidade de aquisição do imóvel onde durante décadas funcionou o Forno Comunitário de Montalvão. A aquisição concretizou-se em 1999 por deliberação da Câmara Municipal. Foi considerado que o imóvel era um exemplo de arquitectura popular que deveria ser reabilitado e devolvido à comunidade local.
As instalações têm potencialidades que deverão ser reaproveitados em termos museológicos utilizando peças de artesanato local produzido pelas gentes de Montalvão, onde se destacam as peças feitas em madeira, cortiça, ferro e vários bordados. Na implementação do projecto conta-se com o envolvimento da população. O espaço será igualmente destinado a pequenas exposições temporárias.
Para além deste aspecto, considera-se que a Casa do Forno deve manter a sua função prática: cozer o pão, os bolos os borregos, etc, em alturas festivas, recuperando-se assim a imagem e a memória do espaço.
A Junta de Freguesia de Montalvão desde a primeira hora mostrou-se disponível em cooperar, e deverá continuar a promover o imóvel junto da população e dos possíveis turistas.
Em termos da obra, a intervenção foi da inteira responsabilidade dos “mestres-de-obras” da Câmara Municipal. Houve recurso aos conhecimentos adquiridos nas reabilitações de imóveis. Procurou-se uma Intervenção cuidada e tecnicamente correcta, com bom senso e equilíbrio nas escolhas. A investigação das fontes documentais e orais sobre a envolvência do sítio procurou preservar o seu valor patrimonial.
Com pequenos gestos se defendem grandes causas. A intervenção levada a cabo no Forno Comunitário de Montalvão é exemplo disso mesmo.
Blog do "Jornal de Nisa" - 9/9/07

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Memória Histórica do Concelho de Nisa

A Romaria da Senhora da Graça
Relação da despeza feita com a festa de Nª Srª da Graça
Anno de 1848
- Pago a Colegiada da Matriz pela missa cantada ... 4$800
- Ao Thezoureiro da Matriz, Joaquim Pedro Tavares repiques de sinos $240
- Ao Thezouro da Freguesia do Espirito Santo o Revº Pe. Jose Antonio Vieira por ofertar com a cruz ---$480
- Ao mesmo de repiques de sinos --- $240
- Ao Reverendo Pe. Jose de Bastos pelo sermão -- 3$200
- Ao Mestre da Filarmonica Antº Jose da Silva Patacho --8$160
- A Dionisio Semedo por 1,5 K de cera a 390 -- 5$850
- A Manuel Correia duas dúzias de foguetes -- 1$200
- Por 6 quartilhos d´azeite para luminárias -- $360
- Azeite para a Alampida em todo o anno-- $910
- A Jose Deniz por armar a Igreja -- $480
- Com o concerto de fechaduras -- $240
- Com a missa de S. Tiago em 1847-- $480
- Dita de S. Vicente Ferrer no dia da festa-- $480
- Ordenado-- $480
- Lavage da roupa-- $140
- Por huma almotolia de lata-- $180
- Com a missa de S. Tiago em 1848-- $480
- Soma-- 28$400
Recebemos as quantias que na relação supra, nos vão designados.
Niza, 27 de Abril de 1848
O Distribuidor da Matriz - Pe. Joaquim Maria Tavares Portugal
O Thezoureiro do Espirito Santo - Pe. João Antonio Vieira
O Thezoureiro da Matriz - Pe. Joaquim Pedro Tavares Portugal
Pe. José d´Almeida Bastos

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

MANUEL ALEGRE E CRUZ MALPIQUE

O exemplo de PRELÚDIO - Gazeta dos Alunos do Liceu Alexandre Herculano (Porto)
Manuel da Cruz Malpique, nasceu em Nisa em 1902 e faleceu no Porto em 1992, com 90 anos.
Enquanto professor teve alunos que se viriam a destacar, a nível nacional e internacional, no campo das artes, das letras e da política, como são os casos de José Augusto Seabra (já falecido), Manuel Alegre e José Pacheco Pereira. Na prosa que segue e recordando o intelectual nisense, damos a conhecer alguns aspectos do seu trabalho no Liceu Alexandre Herculano, no Porto e, talvez, o primeiro poema publicado de Manuel Alegre, dedicado a... Cruz Malpique
.
"Esta publicação do Liceu Alexandre Herculano, feitinha pelos alunos de então, é uma preciosidade. Eu, que sou um jovem, portanto insuspeito, posso bem dizer que antigamente havia coisas que já não há. Era bem diferente o ensino. Claro que houve a democratização e o país melhorou muito no acesso à educação, sem dúvida. Mas lá que agora já não se fazem coisas como o PRELÚDIO, lá isso não. Faltam professores como o Dr. Cruz Malpique, faltam exigência, rigor, seriedade. Será que não podemos ter isto com a democratização? Será que não podemos ter rigor e bons professores? Podia ir mais longe, mas fico-me por aqui. Ah, e convém dizer que não estou a dizer que todas as escolas são assim, claro que há muitas e honrosas excepções -- lá se ia o meu futuro político. Julgo mesmo que foi neste número 1 do PRELÚDIO que o Manuel Alegre terá publicado pela primeira vez, a avaliar pela idade que teria na altura. O seu poema "AS ROSAS DA MOCIDADE" virá já a seguir, e muitos ensinamentos... Até mais.Boa tarde.*AEF
AS ROSAS DA MOCIDADE
(Coronemus nos rosis ante quam marcessant)
Ao Exmo. Sr. Dr. Cruz Malpique
Ó rosas em flor da doce Mocidade,
Hoje vicejais, amanhã murchais!
Ai botões de rosa da santa idade,
Em que se vive ainda ao sabor dos pais!.
********
Gozemos,amigos, o feliz instante,
Destas rosas belas, a desabrochar!
Num dia futuro, não muito distante,
Vereis as florzinhas, tristes, a murchar...
*********
Cantemos, cantemos, ao nosso esplendor!
Em taças de oiro, o furto da vida
Bebamos. A nossa alma pede amor,
Deixemo-la andar amando... perdida...
********
Andemos, que ela esvoaça depressa!
Ai rosas bonitas, que breves sois!
Chorarmos agora, ai, livrai-nos dessa,
Ó rosas viçosas que murchais depois!
*********
Amigos, amigos, segui adeante,
Eu paro, que fico... que fico a chorar!
Gozai, que esta hora passa num instante,
É como uma noite de suave luar!
********
Vereis, depois, vir noites, noites infindas,
Que não passam nunca, que aborrecem sempre!
Olhai para estas rápidas e lindas,
Estas são assim, olhai... não duram sempre!
*********
Ai rosas benditas, breves, talvez...
Ai rosas bonitas, que lindas que sois!
Vós brilhais um dia, mas uma só vez,
Vós brilhais um dia e murchais depois!.
M. Alegre Duarte (5.º ano)
Terá este sido o primeiro poema publicado por Manuel Alegre?*AEF
A produção poética desta fase adolescente ficou reunida num livro, Sensações Românticas, publicado ao 18 anos, que o poeta jamais incluiu na sua obra, e prefaciado pelo seu antigo professor no liceu Alexandre Herculano, do Porto, Cruz Malpique, que nos diz que Manuel Alegre "sendo um rapaz intelectualmente precoce, dotado de fina sensibilidade, que o separava, um tanto, dos seus camaradas nunca foi, porventura, devidamente apreciado pelos seus professores, sobretudo pelos de Letras. Pela minha parte, quero ser mais profeta que os meus colegas: Atrevo-me a supor que o Alegre Duarte virá a ser gente no mundo da poesia e... ilhas adjacentes. Ele que não se incomode com a circunstância de outros dos seus professores não terem feito profecia igual àquela que estou fazendo".
Sabemos que toda a previsão é difícil, mas o certo é que o livrinho rejeitado pelo poeta contém indícios que não fazem de Cruz Malpique um adivinho, principalmente se tivermos em conta algum do jogo metafórico e o ritmo de alguns poetas ou de algumas das estrofes contidas em Sensações Românticas que nos deixa também, ainda que de forma ingénua, uma formulação do terrível oxímoro que percorre a obra de Manuel Alegre – o o de que a [sua] poesia, escrita por "um homem sentado/à mesa da solidão", sendo tudo, é nada.
FICHA TÉCNICA PRELÚDIO
Ano I, Porto, 31 de Janeiro de 1953, N.º 1, Mensal, Preço 1$00
Gazeta dos Alunos do Liceu de Alexandre Herculano (ao abrigo do Art. 445 do Dec. 36.508) CENTRO ESCOLAR N.º 6 -- ALA DO DOURO LITORAL
Prof. Orientador: Dr. Cruz Malpique - Composto e impresso na: Esc. Tip. da Oficina de S. José, telefone 21 866 - Rua Alexandre Herculano, 123 PORTO
Redactores: José Miguel Leal da Silva, Manuel Carvalho e Cunha, Rui Abrunhosa.
In http://jornaldenisa.blogspot.com - 25.9.07

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

MENDES DOS REMÉDIOS: NISENSE ILUSTRE

Assinalam-se neste mês (Setembro) duas datas referentes a Joaquim Mendes dos Remédios, um nisense ilustre, que foi Ministro da Instrução Pública e Reitor da Universidade de Coimbra: a 21 de Setembro, 140 anos do seu nascimento; a 30 de Setembro, 75 anos sobre a data do seu falecimento, ocorrido em Montemor-o-Velho. Duas datas que assinalamos para lembrar o professor, o académico, o escritor e o cidadão nisense, homenageado pela Câmara Municipal de Nisa em Abril de 1987 (Feriado Municipal), tendo o seu nome sido atribuído à antiga Rua de Vale d´Ordens. A Escola EB 2,3 +S de Nisa, posteriormente, escolheu-o para seu patrono e eregiu um monumento evocativo, na entrada principal daquele estabelecimento de ensino. Os dados que seguem, foram retirados da Wikipédia.
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Joaquim Mendes dos Remédios (Nisa, 21 de Setembro de 1867; Montemor-o-Velho, 30 de Setembro de 1932) foi um professor universitário, político e escritor português que, entre outras funções, foi reitor da Universidade de Coimbra e Ministro da Instrução Pública.
Joaquim Mendes dos Remédios começou por frequentar o Seminário de Portalegre obtendo depois equiparação ao ensino liceal no Liceu Nacional daquela cidade. Terminados os estudos liceais, a 15 de Outubro de 1888 matriculou-se na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra, obtendo ali o grau de bacharel em 1892. Completou a sua formatura a 18 de Junho de 1893, licenciando-se a 15 de Fevereiro do ano imediato.
Tendo-se doutorado a 28 de Abril de 1895, ingressou ao serviço da Faculdade de teologia, como 2.º assistente a 4 de Janeiro do ano seguinte. Após a extinção da Faculdade de Teologia e a sua substituição pela Faculdade de Letras, integrou o seu corpo de catedráticos, especializando-se no estudo da História da Literatura Portuguesa. No âmbito do seu trabalho de investigação histórica, dirigiu desde 1898 a colecção Subsídios para Estudo da Literatura Portuguesa, onde publicou numerosos trabalhos da sua autoria.
Com a implantação da República foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra, tendo exercido o cargo interinamente de 1911 a 1913, como primeiro retor eleito daquela instituição, e depois, como reitor nomeado, de 1918 a 1919. Como reitor deu o impulso inicial à criação da Revista da Universidade.
Revelando-se um investigador prolífero, notabilizou-se pela publicação de uma obra variada e pelo exercício de diversos cargos académicos, incluindo o de secretário das bibliotecas da Faculdade de Letras, de 1911 a 1925 e da Universidade de Coimbra, cargo que exerceu de 1900 a 1913. Durante o seu mandato como secretário da Biblioteca da Universidade de Coimbra organizou os gabinetes de cinema, de super-libris e de numismática. Também se lhe deve a fundação do arquivo bibliográfico daquela Universidade. Simultaneamente, foi representante das Faculdades de Letras no Conselho Superior de Instrução Pública.
No período imediato à Revolução de 28 de Maio de 1926 integrou a famosa Tuna de Coimbra, com António de Oliveira Salazar e Manuel Rodrigues Júnior, cabendo-lhe a pasta da Instrução Pública no primeiro Ministério da Ditadura Nacional. Exerceu o cargo de forma efémera, entre 3 de Junho de 1926 a 19 de Junho de 1926. Com a viragem à direita do novo regime, afastou-se da actividade política, voltando às lides académicas. Publicou diversos manuais de Filosofia destinados ao ensino liceal e, entre outras, a obra História dos Judeus em Portugal, que o celebrizou nos meios académicos.
No período de 1925 a 1930 dirigiu a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, criando os cursos de férias, os institutos de culturas estrangeiras, as publicações da Sala Francesa, a revista Biblos e o Boletim do Instituto Alemão.
A principal escola de Nisa adoptou Mendes dos Remédios como seu patrono.
In "Jornal de Nisa" - 24.9.07

MEMÓRIA DO JORNAL DE NISA - Temas e Problemas

OS MITOS E FALÁCIAS DA EXPLORAÇÃO DO URÂNIO EM PORTUGAL
*
Título adaptado do artigo "Mitos e Falácias da Energia", de Pedro Martins Barata, à data Presidente da Euronatura - Centro para o Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
O Governo anunciou recentemente que irá prosseguir com o projecto de aplicação de fundos comunitários na reabertura da exploração de urânio em Nisa. Fazendo uma breve contextualização, é de realçar que o projecto que é agora apresentado, até provas em contrário (já que ainda não existiu qualquer comunicação oficial acerca da sua natureza) parece ser exactamente o mesmo do que aquele que foi apresentado há 7 anos atrás, e que consistia numa joint-venture entre a portuguesa ENU (Empresa Nacional de Urânio, entretanto extinta) e a Internacional Canadiana "Anaconda Corp." (oriunda de um dos principais países produtores de urânio da actualidade), e que foi posteriormente abandonado, por motivos que não me foram, ainda, possíveis de apurar.
O projecto de reabertura da Mina aparente, de alguma forma, revestir a exploração de urânio com uma aura de "salvação económica" do país, mas a verdade é que isso se traduz numa ideia falaciosa, tendo em conta o peso relativo do lucro que esta mina virá a ter no lucro total da Indústria Extractiva em Portugal.
1 - É verdade que se encontra, em Nisa, o maior filão de urânio existente no país. Falemos em quantidades: de acordo com o Resumo Não Técnico do Estudo de Impacto Ambiental do Empreendimento Mineiro de Nisa, estimam-se que existam entre 4.100 a 6.300 toneladas de material a ser explorado, dos quais 760.000 toneladas de minério e cerca de 650.000 Kg de urânio na forma de óxido de urânio (U3O8). O óxido de urânio (vulgarmente chamado de uranite) trata-se, no fundo, de urânio ainda não enriquecido, e que tem mercado internacional com destino a centrais nucleares - embora possa ser, também, utilizado para a produção de bombas nucleares (sabia que bastam 7 kg deste tipo de urânio para produzir uma bomba nuclear?).
2 - Refira-se, por um lado, que a maioria da área a ser explorada - cuja duração prevista está entre os 6 e os 10 anos, e todos os sinais apontam para uma mina a céu aberto - se situa numa zona de Reserva Ecológica e Agrícola Nacional, embora não se saiba ainda ao certo quantos hectares. Por outro, refira-se ainda que parte do Concelho de Nisa está inserida no Geopark Naturtejo, uma área de paisagem protegida classificada pela Unesco como Património Mundial. Seja como for, e dada a frágil posição da causa ambientalista derivada da acção do Movimento Verde-Eufémia, creio que este argumento - que não deixa, apesar de tudo, de ter um enorme peso - não será, por si só, suficiente para pôr em causa os supostos benefícios económicos de um projecto revestido como algo de "importância vital para o país". Nesse sentido, creio ser relevante falar em números: 3 - De acordo com o relatório apresentado pela empresa UxC (Ux Consulting Company), especializada na análise do mercado internacional de urânio, e do gráfico aqui apresentado, retirado do site dessa mesma empresa, é certo que o preço do urânio, na sua forma U3O8, tem vindo a subir de cotação no mercado internacional de forma regular, tendo atingido um valor máximo de cerca de 135 dólares por "pound" (peso em libras, equivalente a cerca de 454 gramas) em Julho do corrente ano, o valor mais elevado dos últimos 70 anos. Desde o início do ano e até essa data, portanto, em 7 meses, o preço do urânio registou uma subida de cerca de 65 dólares. Contudo, em Agosto, este mesmo valor decaiu em 45 dólares, estabilizando em Setembro nos 90 dólares por libra.
4 - A viabilidade do projecto de exploração de urânio em Nisa depende, em grande parte, da alta generalizada registada na cotação de urânio no mercado internacional, e o principal argumento para a sua prossecução é justamente que esta alta se mantenha. Neste sentido, a redução de 45 dólares (uma redução de cerca de 70% face ao aumento registado nos primeiros sete meses de 2007), poderá significar um sinal de alerta para uma certa instabilidade do mercado, agravada pela concorrência de outros países produtores de urânio, como a Índia, a China, o Canadá e a Austrália, que poderão influenciar o mercado e reduzir ainda mais o preço, ao "injectar" um maior volume de matéria prima destinada trocas comerciais.
5 - Ainda assim, partindo do princípio que o preço continuará estável (e em alta)até 2009, data em que se espera que seja reaberta a Mina em Nisa (e partindo, também, do pressuposto que não haverá derrapagens temporais), fazendo as contas aos 90 dólares por "pound" a que está actualmente a ser vendido o urânio, depreende-se que 1 Kilograma de urânio corresponda, aproximadamente, a 64,88 €. Multiplicando este valor pelas 650 toneladas de U3O8 que serão aproveitadas em Nisa, chegaríamos a um lucro total de cerca de 42 milhões e 172 mil euros, aos quais devem ser descontados o investimento estatal, estimado em 5 milhões de euros (e, uma vez mais, esperando que não haja derrapagens, desta vez financeiras), e a percentagem que irá para a eventual colaboração com uma empresa privada, cujos valores são, à data, impossíveis de saber em concreto. (Fonte: Diário de Notícias)
6 - O argumento do lucro seria, por si só, convincente, excepto quando relativizado: de facto, de acordo com os dados mais recentes disponíveis no site do INE, que datam de 2005, o valor do lucro total da Indústria Extractiva em Portugal corresponde a 1,096 biliões de euros, o que, por sua vez, corresponde a cerca de 1% do Produto Interno Bruto Nacional. Algo que, tendo em conta o peso relativo da exportação de urânio de Nisa no total da indústria extractiva, torna o valor do lucro do maior filão nacional de urânio - os tais 42 milhões e 172 mil euros - numa quantia menos relevante do que aquilo que se pretende anunciar, pelo que dificilmente poderá ter qualquer carácter de salvadora da economia nacional. Não me dei ao trabalho de fazer as contas relativas à percentagem deste valor em relação ao total de lucros da Indústria Extractiva, mas tendo em conta a quantidade de zeros à esquerda que podemos esperar, também não creio que tenha muita relevância.
7 - Conclusão: tendo em conta o que foi referido nos pontos anteriores, pode depreender-se que esta aposta do Governo na (re) exploração de urânio, para além de arriscada, não justifica - economicamente falando - o gravoso impacto ambiental e as consequências a longo prazo numa zona com um património natural ímpar em todo o país. Como em muitas outras coisas do executivo socialista, e, concretamente, de Sócrates, a campanha que se espera feita em torno da exploração de urânio não passa, no fundo, de uma jogada política e eleitoralista, já a pensar nas próximas legislativas, e sem benefícios reais de grande monta para o país.
Nota: nesta análise, não se considerou o investimento feito pela autarquia de Nisa ao longo dos últimos mandatos no ecoturismo, nem tão pouco o investimento de 9 milhões de euros na construção de um sofisticado complexo termal que pretende ser uma referência Ibérica, e que, por si só, cria mais postos de trabalho do que aqueles que seriam gerados, eventualmente, pela mina - numa relação de 80 postos para 51, no caso da mina, dos quais não se sabe ainda quantos serão não qualificados, ou seja, disponíveis para a população local. Nem se considerou, também, os riscos para a saúde pública derivados dos níveis de radioactividade deste minério, cujo verdadeiro impacto ainda está por apurar.
Adenda #1: De ontem para hoje, o preço do urânio por "pound" desceu de 90 dólares para 85 dólares, o que comprova a relativa instabilidade deste mercado. Fonte: http://www.uxc.com/.
Adenda #2: De acordo com o Diário de Notícias, já se conhecem as empresas interessadas na exploração da Mina de Nisa. Tratam-se da Iberian Resources, empresa sediada na Austrália (maior produtor mundial de Urânio), do Grupo Espanhol Rio Narcea e ainda de duas outras empresas estrangeiras, ainda sem sede em Portugal, cujo nome e origem ainda não foi possível apurar.
* Artigo retirado de Puro Arábica in http://cafepuroarabica.blogspot.com/
23.9.07

sábado, 17 de janeiro de 2009

NISA: Econtro-Debate sobre o Urânio

Contexto Internacional da Exploração de Urânio - Apresentação dos casos da Namíbia e do Brasil"
Norbert Suchanek - Jornalista / Márcia Gomes - Socióloga
Dia 22 de Janeiro, às 21.00 horas no Auditório da Biblioteca Municipal de Nisa
Organização: MUNN (Movimento Urânio em Nisa Não); QUERCUS (Núcleo de Portalegre); AZU (Associação das Zonas Uraníferas); ADN (Associação Desenvolvimento de Nisa); NISACOM (Associação Comercial de Nisa) e TERRA (Associação de Desenvolvimento Rural de Nisa.
Mais informação em: http://movimento-uranio-nao.blogspot.com

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Património(s) do concelho de Nisa

A Capela de Santo António - Nisa
"Dista 1.500 metros da vila. A capela, que é do século XV, teve vários acrescentamentos e modificações e tem a forma de cruz, com galilé, para a qual se entra por três degraus. Um grande arco ogival de blocos de granito talhado assenta sobre empostas quadradas com molduras. Os arcos dos lados são achatados. A porta de entrada é do século XVII, também de granito com frontão interrompido assente sobre largas empostas e estas em pilastras chanfradas. O arco do cruzeiro é todo pintado, conservando ainda alguma pintura da época da sua execução, ou seja do século XVII. A capela-mor tem o tecto em abóboda com nervuras assentes em quatro mísulas, estando esculpida no bocete principal a Cruz de Malta. Todo o tecto é pintado no mesmo estilo do século XVII. Púlpito simples à esquerda. De fronte da porta principal ergue-se um cruzeiro constituído por uma coluna de oito faces assente sobre pedestal de dois degraus e com capitel enfeixado. A cruz é simples, em toros".
* Keil, Luís - Inventário Artístico do Distrito de Portalegre -

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

MEMÓRIA DO JORNAL (III) - O Leitor dá Cartas -22/8/07

O trânsito em Nisa
Começo por agradecer ao Jornal de Nisa – a nossa voz – a disponibilidade para transcrever aqueles que são o meu pensar e sentir sobre o grande problema que foi o trânsito na nossa terra.
Acabo por estender o meu agradecimento aos iluminados que face à difusão/distribuição a esmo de placas de trânsito por becos, entradas e saídas de ruas, conseguiram acabaram com os congestionamentos do mesmo trânsito a que nos habituámos.
Mas como e sempre, a medalha tem o seu reverso e este, na circunstância, por falta de senso, levanta problemas de toda a ordem, não à “comissão ad-hoc”, mas sim aos munícipes (todos) e muito mais aos residentes e trabalhadores das zonas afectadas.
Teria sido bom que se tivesse posto à discussão pública o problema, e/ou chamassem pessoas naturais de Nisa, que noutras praças muito mais difíceis que a nossa, já foram interventores em processos destas natureza. Mas tal não aconteceu, e aqui estamos nós agora confrontados com problemas que não existiam, mas que já são uma realidade, fruto de não sei quantas “cabeças” que da coisa parece pouco ou nada perceberem.
Estou convicto que aquelas outras pessoas que acima refiro, certamente teriam feito uma intervenção discreta, com custos muito reduzidos, limitando-se a dar ordem nesta ou naquela ruela que, pela sua dimensão/largura, importava ordenar.
Concluo dizendo que mais uma vez, a vontade de “alguns...poucos”, e sem formação para tal, se vem sobrepor ao colectivo, fazendo sofrer tudo e todos para chegar a destinos que, anteriormente e sempre, foram fáceis. Refiro ainda que não será de menosprezar o tempo e dinheiro que alguns terão de dispensar para chegar às suas casas e locais de trabalho, porque situação diária.
Tenho porém a esperança de que um dia chegarão ao poder pessoas com os olhos abertos e as mentes livres para aceitar sugestões de quem vê de modo diferente, e com muita e maior lucidez.
* Manuel Filipe