quinta-feira, 22 de outubro de 2009

IN MEMORIAN: José Vilela Mendes

Depoimento ao “Jornal de Nisa” em 17/10/01 a propósito dos 70 anos do Cine Teatro Nisense
Figura incontornável dos cinéfilos nisenses, José Vilela Mendes esteve durante muitos anos à frente da exploração do Cine Teatro de Nisa.
A empresa António Mendes (como era funcionário público, o pai “emprestava” o nome à firma) surgiu depois da Castello Lopes.
José Vilela, recorda: “ Na altura, se não houvesse alguém que assegurasse a exploração do Cine Teatro, o cinema estava condenado a morrer, em Nisa.
Aceitou o desafio, mais pelo gosto do cinema do que propriamente pelo lucro, pois “os filmes davam pouco e às vezes (muitas) prejuízos”.
José Vilela perdeu o conto aos filmes que exibiu. Lembra, sim, com saudade, as grandes superproduções, como “Os Dez Mandamentos”, “Ben-Hur” ou “A Queda do Império Romano”, que eram “sempre casa cheia e com dupla exibição”.
As maiores assistências, lembra, “era pelas feiras. As feiras em Nisa duravam dois dias, não havia transportes como hoje e os feirantes vinham na véspera, muitos, até antes.
De modo que à noite e durante dois dias havia sempre cinema. Pelas feiras eram os filmes de cowboys, policiais e de aventuras, os preferidos”. Filmes de espadachim e de “bicos de picareta”, como se conta, a propósito, em Nisa.
Nos finais dos anos 60, com a “febre” dos musicais e dos filmes românticos, José Vilela, diz que “não tinha filmes (mãos) a medir. Os do Gianni Morandi eram sucesso garantido e por isso vinha à percentagem. Eram o meu “abono de família”. O “Não Sou Digno de Ti” veio a Nisa algumas oito vezes e a casa sempre cheia, com bilhetes esgotados. Era uma loucura. Agora, apesar da excelente sala que temos as pessoas vão menos ao cinema. É pena porque têm cá vindo excelentes filmes”.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 22/10/09

domingo, 28 de junho de 2009

SANTANA: O que era o “Baile do(s) Tremoço(s)”


O reavivar de tradições em Santana
De um estudo que espera a oportunidade para ser publicado na forma de “Contributos para uma Monografia de Santana” retirámos as “explicações” sobre o Baile dos Tremoços, como ali é referido.“Na véspera do casamento, à noite, há um baile chamado “o baile dos tremoços” onde toda a gente pode dançar; à noiva não se vê o rosto, neste baile, por o tapar com o lenço que traz na cabeça, puxando-o demasiado para a frente, por andar triste, visto deixar dentro em pouco, o lar que a vira nascer e a convivência de seus pais e irmãos.Quando o baile está em meio, os pais da noiva ofere­cem, a quem está no baile, bolos e tremoços distribuídos pelo pa­drinho e familiares da noiva; seguidamente, os pais do noivo oferecem vinho distribuído pelo padrinho e familiares do noivo.É neste baile que as raparigas cantam umas quadras dedicadas à noiva, no momento que ela dança com o noivo, que são:
I
Eu tenho na minha horta
Salsa, coentros e goivos;
A primeira cantiga
Que se vai cantar aos noivos.
II
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santo António
Amanhã te vai assentar
No livro do matrimónio.
III
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santa Rita,
Deus queira que te juntes
Numa hora bem bonita.
IV
Amanhã vais à igreja
Linda rosa encarnada,
Deus te dê alegres dias
E largos anos de casada.
V
Amanhã vais à igreja
Raminho de erva cidreira,
Vais dar a despedida
Desse trajo de solteira.
VI
Viva o noivo mais e noiva
Que amanhã se vão casar,
Vivam também os padrinhos
Que os vão a acompanhar.
VII
Amanhã vais à igreja
Meu baguinho de romã,
Deus te dê boa sorte
Boa noite até amanhã.
in "Jornal de Nisa" - nº 258 - 25/06/08

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ARNEIRO: Baile do Tremoço



O reavivar das tradições em Santana
Era sexta-feira, dia 13, véspera de casamento na aldeia do Arneiro (Santana-Nisa).
A coincidência do dia e da data, sempre associadas a “dias negros e de azar” para os mais supersticiosos, foi, pelo contrário, celebrada como um dia de festa e o reviver de tradições.
No Largo dos Pelómes, o principal da aldeia (este topónimo, noutros sítios pronuncia-se Pelames e terá a ver com as indústrias de curtumes, muito vulgares nas terras do interior), o povo juntou-se e recordou as despedidas de solteiro dos anos 50 e 60, quando o Baile do Tremoço trazia toda a população para a rua e fazia-a compartilhar da festa comunitária, promovida pelos pais dos noivos e que era a derradeira noite de solteiros dos jovens nubentes.
Tal como há 50 anos, houve música a rodos, não com o acordeonista ou o tocador de gaita de beiços como em tempos mais recuados, mas com um grupo de música popular, em cima de um palco improvisado, que tocou e cantou até fora de horas e a que se juntaram muitos artistas do povo, homens e mulheres, que recordaram, em uníssono, as modas de antigamente.
Para uma noite de festa tradicional, não faltaram os tremoços, o vinho e os bolos, distribuídos pelos pais dos noivos. E a dança, o “bálho” popular que inundou de alegria e contentamento todos os intervenientes nesta magnífica jornada de festa, convívio e espírito comunitário, ainda bem patente na freguesia de Santana e não apenas na utilização e partilha dos “fornos do povo”.
Para que o registo ficasse completo, nem sequer faltou a televisão e o Baile do Tremoço, no dia seguinte, através dos canais da SIC, percorreu o país e o mundo, fazendo lembrar que, apesar da crise e da perda de confiança, os portugueses ainda encontram motivos para sorrir, juntar-se e festejar, unidos por um ideal maior e que neste caso se chamou “reavivar da tradição”.
in "Jornal de Nisa" - nº 258- 25/06/08

sábado, 20 de junho de 2009

CARTAZ DA NISARTES 09: Desta vez a Câmara teve juízo!

Já está a ser divulgado o cartaz da Nisartes 09. O dos artistas participantes hão-de “sair” um dia destes, que a Câmara nesta como noutras situações guarda tudo para a última hora. A Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato, em finais de Agosto, há muito que anunciou as principais atracções da festa e o programa de animação. Em Nisa, utiliza-se a técnica do “in extremis”, talvez na esperança de “saldos de ocasião” que, como se sabe, ficam sempre mais caros e reduz o leque de opções.
Este ano, anunciou a autarquia, a Nisartes “vai ser ouro sobre a azul”. Em tempo de grave crise financeira e que a Câmara vai suportando com recurso ao crédito bancário, não se olharão a meios para atingir os fins. Estes, serão cinco dias de festa de “encher o olho” e seduzir eleitores na esperança da última maioria para Gabriela Tsukamoto.
N que se refere ao cartaz da Nisartes, pelo menos, a Câmara não vai enganar ninguém. Não houve concurso para “inglês ver”, nem júri nem decisões do júri que possa ferir a susceptibilidade de quem quer que seja. Os jovens, de Tomar e de outros pontos do país sabem que não serão “enganados” com decisões e contra decisões que o ano passado, em nada abonaram em favor de Nisa e de quem promoveu o certame.
Valha-nos, ao menos, isso...
Mário Mendes

segunda-feira, 16 de março de 2009

MEMÓRIA DO JORNAL: João Malpique vence concurso do porco ibérico

PRODUTOR TEM EXPLORAÇÃO NO CONCELHO DE NISA
Pelo segundo ano consecutivo, João Malpique trouxe para casa o prémio de melhor criador de Porco Ibérico ao nível da Península Ibérica. A eleição decorreu no 2º Concurso Internacional da Feira de Zafra, organizado pela Asociación Española de Criadores de Ganado Porcino Selecto Ibérico Puro y Tronco Ibérico (AECERIBER), que teve lugar em Zafra de 27 de Setembro a 3 de Outubro. Como prova do reconhecimento da sua qualidade como criador, João Malpique foi membro do júri do XXII Concurso Nacional Del Cerdo Ibérico (Espanhol).
Natural de Nisa, mais precisamente da zona do Cacheiro, João Malpique é criador de Porco Preto há mais de 12 anos, sendo já reconhecido por todos os primeiros prémios ganhos em feiras nacionais. O criador distingue-se ainda por ter conseguido arrecadar, pela segunda vez consecutiva, o prémio de melhor criador de Porco Ibérico em Espanha, num país que conta com os grandes criadores e promotores desta raça. De realçar que apesar de em Portugal a criação de Porco Preto ser ainda um pouco incipiente, essa situação pode inverter-se, mais concretamente na região do Norte Alentejano que conta com uma das maiores manchas de montado de azinho e sobreiro.
E isto porque os vizinhos espanhóis além de comprarem o Porco Preto em Portugal, já começam a alugar montados para engordar os porcos que apresentam depois características ímpares, em termos de gordura, com qualidade alimentar equiparada à do azeite, o que faz com que tenha grande aceitação a nível internacional. Assim, os montados, para além de uma grande fonte de rendimento, podem também ser um factor para que os portugueses apostem mais na criação de Porco Preto, até porque a produção em Espanha não é suficiente para a promoção do presunto desta raça que os criadores estão a fazer na China. Japão e E.U.A.
- Blog do "Jornal de Nisa" - 5/11/07

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

MEMÓRIA DO JORNAL - Bodas de ouro de um casal cativante

O casal nisense Carlos Semedo Cativo e Maria José São Pedro, celebraram no passado dia 14 de Setembro, as suas Bodas de Ouro matrimoniais. São 50 anos de vida em comum, abençoada com o nascimento de duas filhas, que, por sua vez, fizeram crescer a família Cativo, dando ao casal quatro netos. Em 14 de Setembro de 1957 na Igreja Matriz de Nisa, Maria José e Carlos celebraram o seu casamento. Agora, 50 anos depois, juntaram a família e numa festa simples, celebraram esta união que dura há meio século e vai certamente perdurar pela vida fora. Ao casal Maria José e Carlos Cativo, os votos de parabéns do Jornal de Nisa.
Blog do "Jornal de Nisa" - 24.9.07

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Memória Histórica do Concelho de Nisa

A Romaria da Senhora da Graça
Relação da despeza feita com a festa de Nª Srª da Graça
Anno de 1848
- Pago a Colegiada da Matriz pela missa cantada ... 4$800
- Ao Thezoureiro da Matriz, Joaquim Pedro Tavares repiques de sinos $240
- Ao Thezouro da Freguesia do Espirito Santo o Revº Pe. Jose Antonio Vieira por ofertar com a cruz ---$480
- Ao mesmo de repiques de sinos --- $240
- Ao Reverendo Pe. Jose de Bastos pelo sermão -- 3$200
- Ao Mestre da Filarmonica Antº Jose da Silva Patacho --8$160
- A Dionisio Semedo por 1,5 K de cera a 390 -- 5$850
- A Manuel Correia duas dúzias de foguetes -- 1$200
- Por 6 quartilhos d´azeite para luminárias -- $360
- Azeite para a Alampida em todo o anno-- $910
- A Jose Deniz por armar a Igreja -- $480
- Com o concerto de fechaduras -- $240
- Com a missa de S. Tiago em 1847-- $480
- Dita de S. Vicente Ferrer no dia da festa-- $480
- Ordenado-- $480
- Lavage da roupa-- $140
- Por huma almotolia de lata-- $180
- Com a missa de S. Tiago em 1848-- $480
- Soma-- 28$400
Recebemos as quantias que na relação supra, nos vão designados.
Niza, 27 de Abril de 1848
O Distribuidor da Matriz - Pe. Joaquim Maria Tavares Portugal
O Thezoureiro do Espirito Santo - Pe. João Antonio Vieira
O Thezoureiro da Matriz - Pe. Joaquim Pedro Tavares Portugal
Pe. José d´Almeida Bastos

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

MANUEL ALEGRE E CRUZ MALPIQUE

O exemplo de PRELÚDIO - Gazeta dos Alunos do Liceu Alexandre Herculano (Porto)
Manuel da Cruz Malpique, nasceu em Nisa em 1902 e faleceu no Porto em 1992, com 90 anos.
Enquanto professor teve alunos que se viriam a destacar, a nível nacional e internacional, no campo das artes, das letras e da política, como são os casos de José Augusto Seabra (já falecido), Manuel Alegre e José Pacheco Pereira. Na prosa que segue e recordando o intelectual nisense, damos a conhecer alguns aspectos do seu trabalho no Liceu Alexandre Herculano, no Porto e, talvez, o primeiro poema publicado de Manuel Alegre, dedicado a... Cruz Malpique
.
"Esta publicação do Liceu Alexandre Herculano, feitinha pelos alunos de então, é uma preciosidade. Eu, que sou um jovem, portanto insuspeito, posso bem dizer que antigamente havia coisas que já não há. Era bem diferente o ensino. Claro que houve a democratização e o país melhorou muito no acesso à educação, sem dúvida. Mas lá que agora já não se fazem coisas como o PRELÚDIO, lá isso não. Faltam professores como o Dr. Cruz Malpique, faltam exigência, rigor, seriedade. Será que não podemos ter isto com a democratização? Será que não podemos ter rigor e bons professores? Podia ir mais longe, mas fico-me por aqui. Ah, e convém dizer que não estou a dizer que todas as escolas são assim, claro que há muitas e honrosas excepções -- lá se ia o meu futuro político. Julgo mesmo que foi neste número 1 do PRELÚDIO que o Manuel Alegre terá publicado pela primeira vez, a avaliar pela idade que teria na altura. O seu poema "AS ROSAS DA MOCIDADE" virá já a seguir, e muitos ensinamentos... Até mais.Boa tarde.*AEF
AS ROSAS DA MOCIDADE
(Coronemus nos rosis ante quam marcessant)
Ao Exmo. Sr. Dr. Cruz Malpique
Ó rosas em flor da doce Mocidade,
Hoje vicejais, amanhã murchais!
Ai botões de rosa da santa idade,
Em que se vive ainda ao sabor dos pais!.
********
Gozemos,amigos, o feliz instante,
Destas rosas belas, a desabrochar!
Num dia futuro, não muito distante,
Vereis as florzinhas, tristes, a murchar...
*********
Cantemos, cantemos, ao nosso esplendor!
Em taças de oiro, o furto da vida
Bebamos. A nossa alma pede amor,
Deixemo-la andar amando... perdida...
********
Andemos, que ela esvoaça depressa!
Ai rosas bonitas, que breves sois!
Chorarmos agora, ai, livrai-nos dessa,
Ó rosas viçosas que murchais depois!
*********
Amigos, amigos, segui adeante,
Eu paro, que fico... que fico a chorar!
Gozai, que esta hora passa num instante,
É como uma noite de suave luar!
********
Vereis, depois, vir noites, noites infindas,
Que não passam nunca, que aborrecem sempre!
Olhai para estas rápidas e lindas,
Estas são assim, olhai... não duram sempre!
*********
Ai rosas benditas, breves, talvez...
Ai rosas bonitas, que lindas que sois!
Vós brilhais um dia, mas uma só vez,
Vós brilhais um dia e murchais depois!.
M. Alegre Duarte (5.º ano)
Terá este sido o primeiro poema publicado por Manuel Alegre?*AEF
A produção poética desta fase adolescente ficou reunida num livro, Sensações Românticas, publicado ao 18 anos, que o poeta jamais incluiu na sua obra, e prefaciado pelo seu antigo professor no liceu Alexandre Herculano, do Porto, Cruz Malpique, que nos diz que Manuel Alegre "sendo um rapaz intelectualmente precoce, dotado de fina sensibilidade, que o separava, um tanto, dos seus camaradas nunca foi, porventura, devidamente apreciado pelos seus professores, sobretudo pelos de Letras. Pela minha parte, quero ser mais profeta que os meus colegas: Atrevo-me a supor que o Alegre Duarte virá a ser gente no mundo da poesia e... ilhas adjacentes. Ele que não se incomode com a circunstância de outros dos seus professores não terem feito profecia igual àquela que estou fazendo".
Sabemos que toda a previsão é difícil, mas o certo é que o livrinho rejeitado pelo poeta contém indícios que não fazem de Cruz Malpique um adivinho, principalmente se tivermos em conta algum do jogo metafórico e o ritmo de alguns poetas ou de algumas das estrofes contidas em Sensações Românticas que nos deixa também, ainda que de forma ingénua, uma formulação do terrível oxímoro que percorre a obra de Manuel Alegre – o o de que a [sua] poesia, escrita por "um homem sentado/à mesa da solidão", sendo tudo, é nada.
FICHA TÉCNICA PRELÚDIO
Ano I, Porto, 31 de Janeiro de 1953, N.º 1, Mensal, Preço 1$00
Gazeta dos Alunos do Liceu de Alexandre Herculano (ao abrigo do Art. 445 do Dec. 36.508) CENTRO ESCOLAR N.º 6 -- ALA DO DOURO LITORAL
Prof. Orientador: Dr. Cruz Malpique - Composto e impresso na: Esc. Tip. da Oficina de S. José, telefone 21 866 - Rua Alexandre Herculano, 123 PORTO
Redactores: José Miguel Leal da Silva, Manuel Carvalho e Cunha, Rui Abrunhosa.
In http://jornaldenisa.blogspot.com - 25.9.07