domingo, 28 de junho de 2009

SANTANA: O que era o “Baile do(s) Tremoço(s)”


O reavivar de tradições em Santana
De um estudo que espera a oportunidade para ser publicado na forma de “Contributos para uma Monografia de Santana” retirámos as “explicações” sobre o Baile dos Tremoços, como ali é referido.“Na véspera do casamento, à noite, há um baile chamado “o baile dos tremoços” onde toda a gente pode dançar; à noiva não se vê o rosto, neste baile, por o tapar com o lenço que traz na cabeça, puxando-o demasiado para a frente, por andar triste, visto deixar dentro em pouco, o lar que a vira nascer e a convivência de seus pais e irmãos.Quando o baile está em meio, os pais da noiva ofere­cem, a quem está no baile, bolos e tremoços distribuídos pelo pa­drinho e familiares da noiva; seguidamente, os pais do noivo oferecem vinho distribuído pelo padrinho e familiares do noivo.É neste baile que as raparigas cantam umas quadras dedicadas à noiva, no momento que ela dança com o noivo, que são:
I
Eu tenho na minha horta
Salsa, coentros e goivos;
A primeira cantiga
Que se vai cantar aos noivos.
II
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santo António
Amanhã te vai assentar
No livro do matrimónio.
III
Parabéns te venho a dar
Mandada por Santa Rita,
Deus queira que te juntes
Numa hora bem bonita.
IV
Amanhã vais à igreja
Linda rosa encarnada,
Deus te dê alegres dias
E largos anos de casada.
V
Amanhã vais à igreja
Raminho de erva cidreira,
Vais dar a despedida
Desse trajo de solteira.
VI
Viva o noivo mais e noiva
Que amanhã se vão casar,
Vivam também os padrinhos
Que os vão a acompanhar.
VII
Amanhã vais à igreja
Meu baguinho de romã,
Deus te dê boa sorte
Boa noite até amanhã.
in "Jornal de Nisa" - nº 258 - 25/06/08

quinta-feira, 25 de junho de 2009

ARNEIRO: Baile do Tremoço



O reavivar das tradições em Santana
Era sexta-feira, dia 13, véspera de casamento na aldeia do Arneiro (Santana-Nisa).
A coincidência do dia e da data, sempre associadas a “dias negros e de azar” para os mais supersticiosos, foi, pelo contrário, celebrada como um dia de festa e o reviver de tradições.
No Largo dos Pelómes, o principal da aldeia (este topónimo, noutros sítios pronuncia-se Pelames e terá a ver com as indústrias de curtumes, muito vulgares nas terras do interior), o povo juntou-se e recordou as despedidas de solteiro dos anos 50 e 60, quando o Baile do Tremoço trazia toda a população para a rua e fazia-a compartilhar da festa comunitária, promovida pelos pais dos noivos e que era a derradeira noite de solteiros dos jovens nubentes.
Tal como há 50 anos, houve música a rodos, não com o acordeonista ou o tocador de gaita de beiços como em tempos mais recuados, mas com um grupo de música popular, em cima de um palco improvisado, que tocou e cantou até fora de horas e a que se juntaram muitos artistas do povo, homens e mulheres, que recordaram, em uníssono, as modas de antigamente.
Para uma noite de festa tradicional, não faltaram os tremoços, o vinho e os bolos, distribuídos pelos pais dos noivos. E a dança, o “bálho” popular que inundou de alegria e contentamento todos os intervenientes nesta magnífica jornada de festa, convívio e espírito comunitário, ainda bem patente na freguesia de Santana e não apenas na utilização e partilha dos “fornos do povo”.
Para que o registo ficasse completo, nem sequer faltou a televisão e o Baile do Tremoço, no dia seguinte, através dos canais da SIC, percorreu o país e o mundo, fazendo lembrar que, apesar da crise e da perda de confiança, os portugueses ainda encontram motivos para sorrir, juntar-se e festejar, unidos por um ideal maior e que neste caso se chamou “reavivar da tradição”.
in "Jornal de Nisa" - nº 258- 25/06/08

sábado, 20 de junho de 2009

CARTAZ DA NISARTES 09: Desta vez a Câmara teve juízo!

Já está a ser divulgado o cartaz da Nisartes 09. O dos artistas participantes hão-de “sair” um dia destes, que a Câmara nesta como noutras situações guarda tudo para a última hora. A Feira de Artesanato e Gastronomia do Crato, em finais de Agosto, há muito que anunciou as principais atracções da festa e o programa de animação. Em Nisa, utiliza-se a técnica do “in extremis”, talvez na esperança de “saldos de ocasião” que, como se sabe, ficam sempre mais caros e reduz o leque de opções.
Este ano, anunciou a autarquia, a Nisartes “vai ser ouro sobre a azul”. Em tempo de grave crise financeira e que a Câmara vai suportando com recurso ao crédito bancário, não se olharão a meios para atingir os fins. Estes, serão cinco dias de festa de “encher o olho” e seduzir eleitores na esperança da última maioria para Gabriela Tsukamoto.
N que se refere ao cartaz da Nisartes, pelo menos, a Câmara não vai enganar ninguém. Não houve concurso para “inglês ver”, nem júri nem decisões do júri que possa ferir a susceptibilidade de quem quer que seja. Os jovens, de Tomar e de outros pontos do país sabem que não serão “enganados” com decisões e contra decisões que o ano passado, em nada abonaram em favor de Nisa e de quem promoveu o certame.
Valha-nos, ao menos, isso...
Mário Mendes