quarta-feira, 13 de julho de 2011

Queijo de Nisa na nova série de selos dos Correios de Portugal

O Queijo de Nisa é um dos que integra a série "Queijos Portugueses", composta de cinco selos e um bloco, que os Correios de Portugal lançaram no passado dia 21 de Junho.
Os selos, emitidos em folhas de 50 unidades, têm os seguintes valores faciais e tiragens:
• € 0,32 - 230.000 unidades
• € 0,47 - 220.000 "
• € 0,68 - 230.000 "
• € 0,80 - 190.000 "
Já o bloco tem valor facial de € 2,50, com tiragem de 60.000 unidades.
Foram emitidos também dois envelopes de 1º dia, um para a série e outro para o bloco.
SOBRE A EMISSÃO:
 Portugal, na sua estreiteza continental, não se pode orgulhar de ter bons pastos, sobretudo para gado graúdo... Mas em terra de escassez de erva alta são rainhas as cabras e as ovelhas. Os Açores são outra história. Ali, em São Miguel e nas outras Ilhas abençoadas, é imperatriz a "senhora dona vaca". A verdadeira vaca leiteira, entenda-se, e não o aspirador travestido de "vaca marcolina" na tradução paradigmática de vacum cleaner feita por alguns, já tocados pelas grandezas americanas da emigração local...
Por isso, até pela pobreza do solo, a pastorícia sempre esteve presente nas lusas terras como modo de subsistência antiquíssimo, muitas vezes complementando de forma sustentável avant la lettre o amanho da terra, negociando-se entre lavradores e pastores a forma de pagar 'o pasto' que alimenta o gado de pelo ou de lã, o qual por sua vez devolve à terra-mãe os adubos naturais.
É claro que em terras de rebanho o queijo é rei. O queijo pode ser o mais antigo alimento processado da Humanidade. Passados os tempos da caça, da pesca, da recolecção de frutos e legumes, depois de dominado o segredo do fogo, terá aparecido o Queijo. Documentos históricos situam a sua gênese no vale dos dois rios e no Egito, cerca de 3.500 anos antes de Cristo. Em Portugal, faz-se, seguramente, desde os tempos neolíticos.
Fazer queijo, qualquer queijo, é uma arte. Pelo menos o queijo feito à mão, intuitivamente trabalhado por mãos experientes, onde o conhecimento é passado de mãe para filha de pastor, atentas aos detalhes: à temperatura da mão, ao tempo do coalho, ao virar e à mudança das cintas, ao pasto de giesta ou de outras gramíneas de altitude que em muito influenciam o sabor do produto final.
Em homenagem aos pastores, às suas mulheres, e a todos os que ainda trabalham nas queijarias e rouparias tradicionais de Portugal fizemos esta emissão de selos comemorativos.