sexta-feira, 24 de junho de 2016

MONTALVÃO: Romaria da Senhora dos Remédios (2009)






Realizou-se no dia 8 (terça-feira) a romaria à Senhora dos Remédios (Montalvão).
O calor abrasador e sufocante não chegou para arredar as muitas dezenas de fiéis devotos que ali foram procurar "remédio" para as suas dores, o alívio espiritual para os problemas da vida.
As fotos que fazem esta reportagem fotográfica são de João Carrilho, um amigo e um "quinto", a quem saudamos e agradecemos.

 Setembro de 2009

sábado, 18 de junho de 2016

Poetas da nossa terra: O ti António Branco (o Forneiro)

Um hino à natureza
Este homem merecia um livro. A sua poesia, sobre o campo, as flores, a faina agrícola, a vida social e cultural de Montalvão, a sede de justiça e de progresso, as desigualdades económicas e sociais, são um "monumento" escrito que retrata muito do quotidiano das terras da raia e de um Portugal cinzento e obscurantista sobrevivendo sob uma das mais negras e prolongadas ditaduras do século XX . O Ti António Branco, o Forneiro,  poeta popular, nascido, criado e falecido em Montalvão, em décimas plenas de força e pujança, ou, mais nostálgicas, cheias de lirismo e com tons musicais que nos remetem para o bucolismo dos campos, constituem das mais belas páginas escritas sobre Montalvão.
Do trabalho nos campos de Montalvão e Salavessa, onde se avista a Beira e a Espanha, arrancou o ti António Branco, as estevas para alimentar o forno, seu principal ganha-pão, mas também a experiência de um "diálogo" permanente com a mãe Natureza, que ele registava na memória e recitava à noite, em versos de "quarenta pontos" (décimas), nas tabernas, entre um e outro copo do tinto, que "premiava" as cantigas ao desafio.
A Primavera
Na Primavera de Flores
Vestem-se os campos de gala
Alegria dos pastores
Canta o canário na jaula
I
Canta o rouxinol no prado
No meio da árvore sombria
Canta alegre a cotovia
Canta o triste encarcerado
Canta o cuco, brinca o gado
Alegram-se os lavradores
Mudam as aves de cores
Quando andam fazendo o ninho
Canta todo o passarinho
Na Primavera de Flores
II
Canta alegre o jardineiro
Por ver as flores a brilhar
Canta o lavrador a lavrar
E na quinta canta o quinteiro
Canta o melro no loureiro
A gaivota sobre a vala
Canta quem tem boa fala
Canta até quem a não tem
Cantam os Anjos também
Vestem-se os campos de gala.
III
Só tu vens abastecer
Ó Primavera real
Pastos para tanto animal
Pão para a gente comer
Muitas lãs para fazer
Fatos de todas as cores
Tu com essas tuas flores
Sustentam muito vivente
Cresce o leite de repente
Alegria dos pastores.
IV
Quando me quero levantar
Em manhã de Primavera
Debaixo da atmosfera
Não ouço senão cantar
Grilos com as asas a tinar
A cotovia na alta escala
A andorinha nem se fala
Dá-nos gosto o rouxinol
Logo assim que nasce o sol 
Canta o canário na jaula.

António Branco

SANTANA (Nisa): Festival Sabores do Rio



A Junta de Freguesia de Santana promove nos dias 9 e 10 de Julho o Festival Sabores do Rio.
Animação de rua, música, artesanato e a tradicional gastronomia ribeirinha integram o programa desta iniciativa. Para os interessados em participar na Caminhada que irá decorrer no domingo dia 14 de Julho durante o Festival Sabores do Rio, aqui fica a ficha de inscrição que deverá ser devolvida até dia 11.

O preço de participação inclui: Almoço no Festival, Seguro e apoio logístico com distribuição de água e fruta.

Festas de S. João animam Monte Claro

A aldeia de Monte Claro (S. Matias - Nisa) vai estar em festa durante três dias. São as clebrações populares em honra de S. João e que terão o seguinte: 
PROGRAMA
Dia 24 – 6ª feira
18h – Abertura do Bar
23h – Baile com animação musical de Marco Paulino
Dia 25 – Sábado
18h – Abertura do Bar
23h – Baile abrilhantado pelo grupo Bate no Fole
Dia 26 – Domingo
9h – Peditório da Colcha
18 h – Abertura do Bar
22h – Baile animado pelo conjunto Fora de Pauta
23h – Actuação do Grupo de Sevilhanas “Sombreros e Peinetas”
Continuação do baile com os Fora de Pauta

ALPALHÃO: Desfile das Tradições Alpalhoeiras

Alpalhão - Florir com tradição
Desfile de tradições Alpalhoeiras - Dia 26 de Junho pelas 21 horas no Largo do Coreto.
"Venha participar neste desfile revivendo tradições da vila onde cresceu, da vila onde foi criança...!"

terça-feira, 7 de junho de 2016

AMIEIRA DO TEJO: A poesia popular de Jorge Pires

A minha poesia
Tendo dedicado grande parte da minha vida à cultura, nomeadamente ao teatro e á poesia, duas realidades pelas quais me apaixonei profundamente e sabendo como todos os mortais, que mais tarde ou mais cedo deixarei este mundo, não quero deixar de testemunhar por escrito, algumas das minhas obras, que, não sendo nada de espantar, é no entanto segundo o que eu penso, uma maneira simples de comunicar as minhas ideias e aquilo que eu sinto. Se as pessoas analisarem tudo aquilo que deixo escrito, facilmente chegarão à conclusão de que a maior parte dos trabalhos revelam uma certa revolta, fruto de uma infância carente sob todos os aspectos. Cabe aqui realçar o bom senso de minha mãe, que, apesar da adversidade, se empenhou para que eu tirasse a 4ª classe. Foi a maior riqueza que ela me deixou.
Recordações de Infância
Já desde criança que eu ando a cantar
Pois sempre esperei por um mundo novo
Cantava cantigas para me embalar
Meu povo, meu povo, meu povo
Canta cantigas para me consolar.

Triste muito triste foi a minha infância
Faltava-me o pão, faltava-me a vida
Fui criança triste, que triste criança
Minha querida mãe, minha mãe querida
Teu carinho e amor minha grande herança

Minha mãe chorava ao ver-me sofrer
Os dias passavam e eu não tinha pão
Pobreza maior não podia haver
Por isso eu te trago no meu coração
Minha mãe querida, não queiras morrer!
Maio de 2007  

ALPALHÃO: Festa da Flor no Dia de Portugal


NISA: Arraial de Portugal junto à sede da Inijovem


domingo, 5 de junho de 2016

Montalvão ao tempo das Invasões Francesas

 Descrição da parte do Rio Sever, compreendida desde Porto dos Cavaleiros até à confluência no Tejo, na extensão dos territórios da Póvoa e de Montalvão.
b) - O Sever no território de Montalvão
Eis os nomes dos portos que existem no rio Sever na extensão do território de Montalvão, a partir da confluência do rio de S. João, onde acabamos de o deixar e onde termina o território da Póvoa.
O Porto do Bom-sem, os do Moinho Branco, do Moinho António Lopes, da Nogueira ou Branquinho, do Artur Novo, do Moinho do Mendes, Moinho de Pedro Valente, S. Brás, Figueira ou Maria Neta, Dourados, Malhomão, Artur Velho ou Alagador, Caneiro, Foz.
O Porto do Bom-sem é o primeiro que se encontra imediatamente abaixo da confluência do rio de S. João. Ao lado, ainda por baixo e antes do Moinho Velho, fica a ravina ou Barroca da Boiada. O seu vau foi bom noutros tempos; actualmente encontra-se em mau estado e pouco frequentado. De lá desce-se ao Moinho Branco ao longo do leito do rio ou por veredas dos dois lados da Barroca da Boiada. Estas veredas, bem como a que vai para Espanha são muito difíceis e rudes. Contudo não são das piores e as margens do rio baixam um pouco neste local.
 O porto do Moinho Branco não tem vau mas atravessa-se ordinariamente o rio de jangada. Os dois acessos desta passagem são rudes e bravios.
O porto do Moinho António Lopes é da mesma natureza, quer dizer, não tem vau, passando-se apenas de jangada e os acessos são bastante difíceis. Não servem regra geral para passagem mas apenas à comunicação normal das pessoas de uma e outra margens que se dirigem a estes moinhos.
Vem em seguida o porto da Nogueira ou Branquinho. O seu vau é bom no Verão, mas não praticável em todos os Invernos. As passagens são muito razoáveis, o que lhe concede o terceiro lugar entre os melhores portos desta parte da fronteira. A melhor é a do Artur Novo e a seguir o da Figueira ou Maria Neta.
O porto do Artur Novo é um dos melhores e o melhor destes lugares. Consequentemente é muito frequentado. É muito perto de Montalvão, a cerca de meia légua. O seu vau é bom em qualquer época. As margens do rio, que baixam consideravelmente neste lugar, tornam as passagens muito fáceis em comparação com as dos outros portos. O lado de Espanha tem duas passagens, sendo uma delas, preferível à outra.
O Moinho do Mendes não é um porto, porque não tem vau nem passagem para Espanha. O que conduz a Montalvão é de acesso difícil, porque as margens do rio são aí muito elevadas. Desce-se para o Moinho Velho por uma vereda má, não existe vau, os animais passam aí geralmente de jangada. A rampa para Espanha é regular.
As veredas do porto de S. Braz são más, mas há pior, e não há vau senão de Verão.
 O facto do porto da Figueira ou Maria Neta ser bom dá-lhe o segundo lugar depois do de Artur Novo. As margens do rio baixam consideravelmente neste lugar; o seu vau é imediatamente abaixo da ravina e do rio da Maria Neta. É frequentado em qualquer época na margem esquerda do lado de Portugal; há duas veredas, uma à esquerda da ravina ou barroca da Maria Neta e a outra à direita, esta última a melhor e mais frequentada.
O lugar dos Dourados não é um verdadeiro porto, porque não possui passagem que leve a Espanha. O seu vau, que é mau, apenas serve às gentes de Montalvão, que aí vão cortar lenha para aquecimento, dos dois lados do rio, sendo a vereda, em Portugal, muito irregular e difícil.
O mesmo se passa com a vereda do Malho-mão que só serve aos pescadores e aos que vão cortar lenha ou lavar o linho. Não há saídas para Espanha.
O porto do Artur Velho ou Alagador tem muito más passagens, com vau apenas no Verão. Os habitantes das duas margens apenas o utilizam para a lavagem dos linhos.
O porto do Caneiro tem maus caminhos, o de Portugal é o melhor. O seu vau só serve de
Verão, só praticável no Inverno raramente e com dificuldade.
O porto da Foz é o que atravessa o rio junto ao Tejo. As margens baixam muito neste local, de maneira que os caminhos são bastante suportáveis. O vau é bom no Verão, raramente praticável no Inverno. Este porto é muito frequentado por quem vai de Montalvão para Ferreira, que é quase uma légua. Este local situa-se, como já dissemos, em Espanha à esquerda do Tejo. Aí existe um porto e uma barca para atravessar o rio e passar à Beira.
* Texto retirado de "O Génio Francês em Portugal Sob o Império" - Aspectos da sua actividade na época da invasão e da ocupação deste país pelo exército de Junot (1807-1808) " - António Pedro Vicente

ALPALHÃO: Exposição de Escultura de Alice Maury Gilley


SANTANA: Convívio da Malta das Sortes de 69



O Clube Desportivo e Recreativo de Santana, organizou no passado dia 27 de Setembro, um Encontro da Malta das Sortes de 1969 com um saboroso almoço no restaurante “O Túlio”.
Foi convidado de honra o professor da 1ª classe destes avós, senhor José Dinis Malpique Bicho e o convívio foi pretexto para recordar episódios que vão ficando esbatidos pelo tempo.
O encontro ultrapassou as expectativas, ficando agendado já o próximo encontro para o próximo ano e terá lugar no magnífico cenário das Portas do Pego.

MONTALVÃO: Caminhada da Lusofonia no PR7


BAILE DOS TREMOÇOS: Santana revive a tradição

Era sexta-feira, dia 13, véspera de casamento na aldeia do Arneiro (Santana-Nisa).
A coincidência do dia e da data, sempre associadas a “dias negros e de azar” para os mais supersticiosos, foi, pelo contrário, celebrada como um dia de festa e o reviver de tradições.
No Largo dos Pelómes, o principal da aldeia (este topónimo, noutros sítios pronuncia-se Pelames e terá a ver com as indústrias de curtumes, muito vulgares nas terras do interior), o povo juntou-se e recordou as despedidas de solteiro dos anos 50 e 60, quando o Baile do Tremoço trazia toda a população para a rua e fazia-a compartilhar da festa comunitária, promovida pelos pais dos noivos e que era a derradeira noite de solteiros dos jovens nubentes.
Tal como há 50 anos, houve música a rodos, não com o acordeonista ou o tocador de gaita de beiços como em tempos mais recuados, mas com um grupo de música popular, em cima de um palco improvisado, que tocou e cantou até fora de horas e a que se juntaram muitos artistas do povo, homens e mulheres, que recordaram, em uníssono, as modas de antigamente.





Para uma noite de festa tradicional, não faltaram os tremoços, o vinho e os bolos, distribuídos pelos pais dos noivos. E a dança, o “bálho” popular que inundou de alegria e contentamento todos os intervenientes nesta magnífica jornada de festa, convívio e espírito comunitário, ainda bem patente na freguesia de Santana e não apenas na utilização e partilha dos “fornos do povo”.
Para que o registo ficasse completo, nem sequer faltou a televisão e o Baile do Tremoço, no dia seguinte, através dos canais da SIC, percorreu o país e o mundo, fazendo lembrar que, apesar da crise e da perda de confiança, os portugueses ainda encontram motivos para sorrir, juntar-se e festejar, unidos por um ideal maior e que neste caso se chamou “reavivar da tradição”.
in "Jornal de Nisa" - nº 258- 25/06/08