sábado, 16 de julho de 2016

Esgotos de Tolosa lançados no Sor sem tratamento

Os esgotos de Tolosa estão a ser lançados, sem qualquer tratamento na Ribeira do Sor. Esta parece ter sido a solução encontrada pela entidade que faz a gestão da ETAR para dar resposta à incapacidade técnica desta estrutura e sossegar as vozes de protesto dos moradores que se viram confrontados, com o mau cheiro, permanente, intenso e nauseabundo. O crime de lesa ambiente e o atentado à saúde pública, esse, está ali, há mais de seis anos, bem à vista de todos.
Inaugurada em Junho de 2003, com a presença do então secretário de Estado do Ambiente, José Eduardo Martins, a ETAR de Tolosa mal chegou a funcionar, desmentindo, na prática, um dos propósitos invocados no acto inaugural: a erradicação um dos maiores problemas com que A Câmara de Nisa se debatia.
A moderna infra-estrutura que o membro do Governo veio inaugurar, há mais de seis anos, não constituiu, afinal, uma “solução imaginativa”, como pretendia, para resolver a questão antiga da inoperacionalidade da primeira ETAR, pois desde o reinício da entrada em funcionamento desta nova unidade de tratamento de águas residuais, foram detectados diversos problemas técnicos, alguns deles situados a montantes e relacionados com a própria tipologia da ETAR, a sua localização e a natureza dos esgotos que deveria tratar.
As obras de requalificação e ampliação custaram, na altura, 185 mil contos e consistiram no aumento da capacidade de tratamento, na implantação de um sistema de gradagem e remoção de óleos e gorduras, na instalação de um novo equipamento electromecânico e a reabilitação de todo o espaço e edifícios existentes.
Esta profunda remodelação, concluída no primeiro semestre de 2003, visava acabar não só com a inoperacionalidade da ETAR e os riscos para a saúde pública que lhe estavam associados, como também dotar as infra-estruturas com capacidade de remoção dos resíduos, adequando o seu funcionamento ao cumprimento da legislação portuguesa e das directivas comunitárias, em matéria de tratamento de detritos, defesa e protecção do meio ambiente.
Nesse sentido foram construídas uma bacia de retenção para caudais em tempo pluvioso, uma lagoa anaeróbia, com um sistema de lamas activada, e duas lagoas de maturação, compreendendo o tratamento de lamas, a digestão e a desidratação das lamas em excesso.
Todas estas estruturas vieram a mostrar-se ineficazes e, devido à falta de um planeamento eficiente e a um estudo exaustivo da malha urbana de Tolosa e do impacto da componente
Industrial dos lacticínios, vieram a tornar-se, nestes seis anos, quase obsoletas e sem préstimo algum.
Os problemas de ordem ambiental, em vez de serem resolvidos com a remodelação da ETAR, pelo contrário, agravaram-se com a paragem forçada da estação de tratamento de esgotos. As lagoas estão secas, vazias, mostrando a inutilidade da sua construção.
O despejo dos esgotos, modernamente designados por águas residuais, sem tratamento, é uma constante desde há seis anos, correndo a céu aberto para o Ribeira do Sor, um dos que “alimenta” a Barragem de Montargil.
É uma acção lesiva e um atentado à saúde e ao ambiente, que põe a nu a ineficácia das entidades que deveriam, em primeiro lugar, garantir a salubridade pública e impedir a poluição e contaminação dos terrenos e linhas de água.
A Câmara de Nisa e a empresa Águas do Norte Alentejano, a quem foi cometida a responsabilidade da gestão da água e do tratamento de esgotos, tiveram tempo suficiente para resolver a situação.
Mas tal não aconteceu. O ribeiro da Carrilha, no qual são despejados os esgotos que passam, sem tratamento pela ETAR, é uma imensa cloaca, em toda a sua extensão até à Ribeira do Sor onde desagua.
O leito da ribeira transformou-se numa pasta cinzenta e esbranquiçada, gordurosa, nojenta, que exala um cheiro pestilento, insuportável.
A situação da ETAR de Tolosa é insustentável e deve ser resolvida com urgência. O atentado ambiental e de lesa saúde pública que representa não pode manter-se, por mais seis anos.
As entidades públicas como a Direcção Regional do Ambiente, as autarquias (Câmara de Nisa e Junta de Tolosa), o Governo Civil e a empresa Águas do Norte Alentejano não podem por mais tempo alhear-se deste problema e fingir que nada sabem.
A reformulação do projecto e a aplicação de novas soluções técnicas prometidas há seis anos, perante a evidência do mau funcionamento da ETAR, não pode manter-se indefinidamente.
Diariamente, a cada segundo e minuto que passa, a Ribeira do Sôr continua a ser o vazadouro incontrolável de toda a espécie de excrementos e resíduos líquidos.
Urge erradicar de vez esta situação.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 26/11/09

Livro de Ana Leitão “faz luz” sobre a história de Arez

 “Arez, da Idade Média à Idade Moderna”, livro de Ana Santos Leitão, editado pela Colibri, foi apresentado em sessão pública no passado sábado no auditório da Biblioteca Municipal de Nisa, perante numerosa assistência.
A apresentação da autora e do livro, foi feita pelo Prof. Doutor Hermenegildo Fernandes, que referiu tratar-se de um estudo feito para uma tese de mestrado e tendo como base a ligação afectiva da autora ao território.
Ana Leitão agradeceu a presença do público e a colaboração de todas as pessoas, instituições e entidades que tornaram possível a edição do livro, constituindo a mesma um “parto” difícil, uma vez que o estudo desde há muito estava concluído.
Como o título indica, o livro de Ana Santos Leitão percorre a história de Arez, baseada em diversas fontes documentais, desde a Idade Média à Idade Moderna, focando a organização do território, o povoamento e a implantação do núcleo urbano, as relações de vizinhança, a economia e a sociedade.
O estudo permite comprovar que Arez foi Comenda da Ordem de Cristo e desde sempre associada à fundação pelos Templários, contrariamente à descrição heráldica que era feita no seu brasão e no qual constava a cruz da Ordem Militar de Avis.
Este estudo permitiu “fazer luz” sobre esta e outras questões, rectificando um erro e omissão que poderiam tornar-se “históricas”, levando, por isso, à alteração da simbologia heráldica do brasão de Arez.

A autora de “Arez, da Idade Média à Idade Moderna” pretende, agora, alargar o espaço da sua investigação, tendo em vista a preparação do seu doutoramento. Em perspectiva está o estudo do povoamento da região de S. Mamede, tendo como ponto de partida a cidade romana de Ammaia.
Arez, terra senhorial
Arez é actualmente uma freguesia do Concelho de Nisa, integrada no Distrito de Portalegre, na região do Alto Alentejo.
A contextualização introdutória e genérica do espaço onde está inserida, foi baseada no conceito de Fronteira, numa lógica de consolidação da formação territorial pelo povoamento.
Arez era uma terra senhorial, fazendo parte da Vigairaria de Tomar e recebeu Carta de Foral, dada por D. Manuel I, em 20 de Outubro de 1517, em Lisboa.
A autora
Ana Cristina Encarnação Santos Leitão nascida em Lisboa, em 1971, é licenciada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Mestre em História Regional e Local pela mesma Faculdade. Possui o Curso Superior de Turismo e uma Pós-Graduação em Gestão Autárquica Avançada, áreas profissionais a que se tem dedicado desde 1995. É investigadora do Centro de História da FLUL e membro da Sociedade Portuguesa de Estudos Medievais. No âmbito da investigação histórica e do património cultural, destaca-se a publicação de edições e artigos, participação, colaboração e organização de seminários, colóquios, congressos e workshops nacionais e internacionais.
Actualmente é Bolseira de Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia e doutoranda do PIUDH, sediado no ICS da Universidade de Lisboa.
 Mário Mendes - 1 de agosto de 2013